
Na quinta-feira passada, 9 de abril de 2026, a Academia Brasiliense de Direito viveu uma de suas noites mais elevadas e memoráveis. Realizou-se, com a grandeza que lhe é própria, o solene evento de aposição dos pelerines, rito carregado de simbolismo que transcende a formalidade e se projeta como afirmação viva da tradição acadêmica, da cultura jurídica e do compromisso com o saber. A cerimônia teve início sob a condução segura, elegante e inspirada de nosso Presidente, Manoel Jorge, cuja palavra, sempre precisa e elevada, conferiu ao ambiente o tom de dignidade e profundidade que marcam os grandes encontros da inteligência nacional. Seguiu-se a encantadora manifestação de nossa querida Confreira Hadassah Santana, cuja sensibilidade e brilho intelectual enriqueceram ainda mais o espírito da noite. A expressiva presença da maioria de nossos Confrades e Confreiras conferiu ao evento notável representatividade e brilho institucional. Sentimos, é verdade, a ausência, plenamente justificada, de alguns estimados membros. Ainda assim, o conjunto da reunião revelou a força, a coesão e a grandeza da ABDIR como espaço de excelência jurídica e de comunhão de ideias. Foi, porém, no momento da oração oficial que a noite atingiu seu ápice. O queridíssimo e ilustrado mestre de todos nós, Nabor Bulhões, elevou-se à tribuna para proferir uma verdadeira peça de oratória jurídica, daquelas que não apenas se escutam, mas se experimentam como acontecimento intelectual e espiritual. Sua fala foi magistral. Não se limitou a um discurso protocolar, mas se afirmou como expressão autêntica da tradição jurídica brasileira, conjugando erudição, sensibilidade e profundidade filosófica. Em cada palavra, percebia-se não apenas o domínio técnico do direito, mas a vivência de quem compreende o seu sentido mais elevado, o de instrumento de civilização, de justiça e de dignificação da pessoa humana. Nabor Bulhões não discursou; ensinou. Não apenas ensinou; inspirou. Sua oração foi, ao mesmo tempo, memória e futuro, raiz e horizonte, reafirmando o papel das Academias como guardiãs da cultura jurídica e como faróis orientadores das novas gerações. A aposição do pelerine, nesse contexto, revelou-se ainda mais significativa. Não se trata de mero adereço simbólico, mas de verdadeiro manto de responsabilidade intelectual, que recai sobre os ombros daqueles que se comprometem com a preservação e o avanço do pensamento jurídico. Tive a máxima honra de participar desta solenidade e de receber meu pelerine. Foi, sem dúvida, um dos momentos mais marcantes de minha trajetória acadêmica. Um instante que não se apaga, pois se inscreve não apenas na memória, mas na própria consciência de pertencimento a uma tradição maior. A noite de 9 de abril de 2026 permanecerá como marco histórico da ABDIR. E, no centro dessa memória luminosa, resplandecerá, com especial destaque, a figura de Nabor Bulhões, mestre, jurista e orador cuja grandeza honra e engrandece a cultura jurídica brasileira. Embora formalmente seja seu confrade na ABDIR, sou obrigado a admitir que, em verdade, sou discípulo e fã do magistral Dr. Nabor Bulhões. De coração, parabéns por sua incrível trajetória, grande mestre! Que sua palavra continue a ecoar como referência e inspiração. Que sua presença siga iluminando os caminhos da Academia. E que nós, seus discípulos e admiradores, saibamos estar à altura do legado que nos é confiado. Ricardo Sayeg Jornalista. Advogado. Jurista Imortal da Academia Brasiliense de Direito e da Academia Paulista de Direito. Professor Livre-Docente de Direito Econômico da PUC-SP e do Insper. Doutor e Mestre em Direito Comercial pela PUC-SP. Pós-Doutor em Sociologia pela PUC-SP. Oficial da Ordem do Rio Branco. Presidente da Comissão de Direito Econômico Humanista do IASP. Presidente da Comissão Nacional Cristã de Direitos Humanos do FENASP. Comandante dos Cavaleiros Templários do Real Arco, Guardiões do Graal.
