Acre recebe 30 doses de antídoto usado contra intoxicação por metanol


Brasil tem mais de 200 casos de intoxicação por metanol em investigação
O Acre é um dos primeiros estados do país a receber doses de etanol farmacêutico, medicamento utilizado como antídoto em casos de intoxicação por metanol. O envio foi anunciado no último domingo (5) pelo Ministério da Saúde, que destinou 30 doses para Rio Branco. Segundo a Secretaria de Saúde do Acre (Sesacre), não há casos confirmados no estado acreano.
No entanto, a prioridade no envio ao estado foi dada após a Saúde acreana receber, na última quarta (1º), uma jovem de 24 anos de Rondônia com suspeita de intoxicação pela substância.
Antes de ser transferida, a jovem buscou atendimento em Porto Velho, onde um exame toxicológico inicial não identificou presença de metanol. Mas, uma nova análise foi solicitada em Rio Branco nesta segunda-feira (6) para confirmar a causa do quadro clínico. O resultado deve sair em 24 horas.
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A paciente foi encaminhada da cidade de Candeias do Jamari para a capital acreana após apresentar sintomas como dor abdominal, náusea e vômito. Ela segue internada na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) da Fundação Hospital Estadual do Acre (Fundhacre).
A jovem foi transferida para a capital acreana após desenvolver um quadro de hepatite fulminante, rabdomiólise e insuficiência renal, e agora aguarda por um transplante de fígado.
O g1 entrou em contato com a Secretaria de Saúde do Acre (Sesacre), que informou que o estado de saúde da jovem é considerado gravíssimo.
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Ainda de acordo com a secretaria, o Acre está localizado em uma região que atende pacientes de outros estados e também de países de fronteira.
O metanol é um álcool usado em solventes e outros produtos industriais. A ingestão pode parecer inofensiva nas primeiras horas, mas rapidamente evolui para um quadro grave, com risco de cegueira e morte.
O antídoto é utilizado em casos de ingestão de bebidas adulteradas com metanol, substância altamente tóxica que pode causar cegueira, falência de órgãos e morte.
No total, 700 doses serão distribuídas aos estados brasileiros. Na capital acreana, o Produto ficará disponível na Fundação Hospitalar Governador Flaviano Melo.
Além disso, o fomepizol é um medicamento utilizado nos casos de intoxicação por metanol, etilenoglicol e dietelinoglicol. Ele não está disponível no Brasil, embora conste na lista de antídotos dos medicamentos essenciais da Organização Mundial da Saúde (OMS). Ele precisa ser importado.
O metanol não se destina ao consumo humano — e é altamente tóxico
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Fiscalizações
Diante da situação, o Instituto de Proteção e Defesa do Consumidor do Acre (Procon-AC), já iniciou a operação de fiscalização “Aqua Mortis” em Rio Branco, Senador Guiomard e Cruzeiro do Sul.
De acordo com o chefe da fiscalização do Procon-AC, John Lynneker, os fiscais seguem protocolos de checagens padronizadas para verificar a procedência das bebidas que são comercializadas.
Ainda segundo ele, a equipe pede a nota fiscal e confere os rótulos, verifica se há erros de impressão ou informações incoerentes, checa número do lote e o lacre e confirma se coincidem com os dados do fabricante.
A análise também verifica se o volume corresponde ao padrão do produto, além de inspecionar o estado da garrafa em busca de sinais de manipulação.
Caso haja intoxicação por metanol, a orientação dada pelo Procon-AC à população é que, em caso de suspeita de intoxicação, deve-se ligar para o Disque-Intoxicação (0800-722-6001), serviço que reúne 13 centros especializados no país.
Ainda de acordo com ele, algumas medidas podem ser tomadas para que o consumidor consiga identificar se alguma bebida foi adulterada.
Verifique o lacre da embalagem e confirme que não foi violado.
Observe o rótulo e desconfie de erros de impressão ou informações incoerentes.
Analise o estado da garrafa e procure sinais de manipulação.
Exija a nota fiscal ao comprar bebidas.
Já em caso de suspeita ou irregularidade de bebidas, a população pode procurar o Procon-AC pelos canais 151 ou (68) 3223-7000.
Infográfico: o impacto do metanol no corpo humano.
Arte/g1
VÍDEO: g1
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