A cidade de um prédio só: um lugar isolado onde quase todos os moradores vivem, trabalham e estudam sem precisar pôr os pés na rua

Prédio isolado no Alasca brilha contra montanhas nevadas

Whittier, no Alasca, é um destino que desafia a lógica convencional ao concentrar quase a totalidade de seus moradores em um único edifício: as famosas Begich Towers. Essa construção vertical funciona como um verdadeiro bairro autossuficiente, onde as famílias residem e trabalham sem a necessidade de se expor ao clima congelante e ao isolamento que caracterizam essa região do extremo norte.

Como é viver dentro das Begich Towers?

O edifício, que possui 14 andares, é o lar de praticamente todos os 272 habitantes da pequena localidade. Em seu interior, o morador encontra à sua disposição uma delegacia de polícia, um mercado, uma agência dos correios, uma clínica médica e até mesmo uma pequena igreja que funciona no subsolo. As crianças em idade escolar não precisam se aventurar na neve para ir às aulas, uma vez que um túnel subterrâneo faz a ligação direta entre o prédio e a escola local.

Esse arranjo de grande proximidade acaba por gerar um senso de comunidade bastante intenso, onde todos se conhecem e se auxiliam mutuamente durante os longos e rigorosos meses de inverno. A praticidade de poder resolver todos os assuntos do dia a dia sem a necessidade de se trocar de roupa para enfrentar o frio atrai pessoas que buscam a tranquilidade absoluta e que se sentem confortáveis com o isolamento geográfico.

Túnel de concreto iluminado que liga o prédio à escola
Túnel de concreto iluminado que liga o prédio à escola

As razões que levaram a cidade a se concentrar em uma única construção

A origem desse peculiar estilo de vida remonta ao período da Segunda Guerra Mundial, ocasião em que o exército dos Estados Unidos construiu uma base na região com finalidades estratégicas. O clima severo, que se manifesta por meio de ventos que podem atingir os 100 km/h e de pesadas nevascas, tornava a vida em residências isoladas uma tarefa quase impossível durante a maior parte do ano.

Abaixo, listamos as principais facilidades que os moradores acessam sem pisar no lado de fora.

  • Mercado Kozy Korner: Onde os vizinhos compram mantimentos básicos sem enfrentar o frio.
  • Serviços Postais: Uma agência completa que atende toda a demanda de correspondências do prédio.
  • Lavanderia Comunitária: Espaço compartilhado que facilita a rotina doméstica dos residentes.

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Como funciona o acesso por terra para Whittier Alasca?

Chegar a este local é, por si só, uma pequena aventura, uma vez que a única via de entrada por terra se dá através de um túnel de 4 quilômetros de extensão que foi escavado diretamente na rocha. Esse estreito caminho é compartilhado por composições ferroviárias e veículos de passeio, que circulam em turnos rigidamente alternados para evitar a ocorrência de qualquer tipo de acidente grave.

Vista de alguém observando barcos e geleiras no porto
Vista de alguém observando barcos e geleiras no porto

A tabela abaixo resume as regras rígidas de operação desse acesso tão peculiar.

Tipo de Transporte Regra de Acesso
Carros de Passeio Abertura a cada hora em sentido único
Trens de Carga Prioridade absoluta nos trilhos do túnel
Pedestres Totalmente proibido caminhar pela passagem

O que acontece durante o verão no Alasca?

Quando a estação muda e o sol passa a brilhar por um período de tempo consideravelmente mais longo, a rotina da cidade ganha um novo fôlego com a chegada de barcos e navios de cruzeiro ao seu porto. Nesse período, os moradores locais se dedicam a atividades como a pesca e a guiar os turistas que chegam interessados em observar as gigantescas geleiras da região de Prince William Sound. É o momento do ano em que a cidade de um único prédio se abre para receber o resto do mundo.

Muitos desses visitantes aproveitam as balsas do sistema estadual de transporte para se deslocar até outros pontos do estado, partindo diretamente do terminal marítimo local. Para aqueles que sentem curiosidade por destinos remotos e de difícil acesso, vale a pena se aprofundar na leitura sobre Whittier, no Alasca, e perceber como a geografia de um lugar pode moldar de forma tão profunda o comportamento de seus habitantes.

No vídeo a seguir, o perfil Mistérios e curiosidades, com mais de 50 mil seguidores, fala um pouco sobre essa cidade:

 

 

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Existe alguma perspectiva de expansão para a área urbana

Até o presente momento, a população local demonstra estar bastante satisfeita com a conveniência e a praticidade de ter tudo o que se precisa a poucos passos de distância. A centralização de toda a infraestrutura em um único ponto gera uma grande economia de energia e simplifica de forma considerável a manutenção dos serviços públicos durante os meses em que a escuridão é quase total. A vida em comunidade, nesse contexto, acaba se revelando muito mais próxima e integrada do que em muitas áreas urbanas que são marcadas pelo barulho e pela impessoalidade.

Viver em um lugar com essas características exige, sem dúvida, um espírito resiliente e um gosto especial pelo profundo silêncio das montanhas. Whittier permanece como um exemplo vivo e fascinante de como o ser humano é capaz de se adaptar aos cenários mais desafiadores que o planeta oferece, sem que para isso precise abrir mão de sua organização social.

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