De que é feita a cápsula Orion, que aguenta temperaturas extremas

Cápsula OrionNasa

A cápsula NASA Orion, peça principal do programa Artemis II, foi projetada para enfrentar um dos momentos mais críticos de qualquer missão espacial: a reentrada na atmosfera da Terra. Nesse estágio, o veículo pode atingir temperaturas próximas de 2.700 °C, resultado do atrito com o ar a velocidades superiores a 40 mil km/h. As informações são da NASA.

Para suportar esse calor extremo, a Cápsula Orion não é feita de um único material, mas sim de um conjunto altamente sofisticado de estruturas e camadas de proteção térmica.

Detalhes da cápsula Orion queimadosReprodução

Escudo térmico é a principal defesa contra o calor

O componente mais importante da cápsula é o escudo térmico, o maior já construído para uma nave desse tipo. Ele mede cerca de 5 metros de diâmetro e fica na base da cásula Orion, justamente a parte mais exposta ao calor durante a reentrada.

Esse escudo é composto principalmente por um material chamado Avcoat, um composto ablativo (ou seja, que se desgasta de forma controlada). Durante a reentrada, o material literalmente “queima” e se desprende, levando o calor embora e impedindo que ele atinja o interior da cápsula.

Esse mesmo conceito já havia sido utilizado nas missões Apollo, mas na Orion ele foi modernizado com técnicas mais precisas de fabricação e aplicação.

Cápsula Orion enfrentou ondas de calor mais intensas que lavaJames M. Blair/NASA

Estrutura interna continham resistência e leveza

Por baixo do Avcoat, o escudo térmico possui uma estrutura robusta formada por:

  • Esqueleto de titânio, que garante resistência mecânica
  • Revestimento de fibra de carbono, responsável por manter a forma e suportar cargas
  • Estrutura em colmeia de fibra de vidro com resina fenólica, onde o material ablativo é aplicado

Essa combinação permite que o escudo seja ao mesmo tempo leve e extremamente resistente, uma característica essencial para missões espaciais.

Revestimento externo possui uma proteção térmica completa

Além da base, toda a cápsula conta com um sistema de proteção térmica distribuído. As laterais são cobertas por mais de 1.300 placas feitas de fibras de sílica, semelhantes às utilizadas nos antigos ônibus espaciais.

A bordo da cápsula Orion, o astronauta e comandante da Artemis II, Reid Wiseman, observa a Terra pela janela da cabine principal durante o trajeto rumo à LuaDivulgação/Nasa

Essas placas têm uma função dupla:

  • Proteger contra o calor intenso da reentrada
  • Isolar a nave do frio extremo do espaço

Ou seja, a cápsula Orion precisa resistir tanto a temperaturas altíssimas quanto ao ambiente congelante fora da atmosfera terrestre.

Como a cápsula Orion protege os astronautas?

A eficiência desse conjunto de materiais é impressionante. Enquanto o exterior da cápsula pode chegar a cerca de 5.000 °F (aproximadamente 2.760 °C), o interior permanece em temperaturas seguras para os astronautas.

Tripulação da Artemis IIReprodução/Nasa

Isso acontece porque o sistema ablativo dissipa o calor antes que ele atravesse a estrutura, funcionando como uma espécie de “escudo descartável” durante a descida.

Engenharia testada ao limite

Antes de ser utilizada em missões tripuladas, a tecnologia da cápsula Orion passou por mais de mil testes em laboratório, simulando condições extremas de calor e velocidade.

Esses testes foram fundamentais para garantir que cada camada, do titânio ao Avcoat, funcione de forma integrada, sem falhas.

Um equilíbrio entre tradição e inovação

Embora utilize materiais conhecidos da era Apollo, a cápsula Orion representa um avanço na engenharia espacial. A diferença está principalmente na forma como esses materiais são fabricados e aplicados, com maior precisão, eficiência e confiabilidade.

Esse equilíbrio entre tecnologias testadas e métodos modernos é o que permite à nave enfrentar condições extremas e ainda assim manter a segurança da tripulação.

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