Brasil responde a questões da gestão Trump sobre PIX, etanol e meio ambiente; negociações seguem


O Ministério das Relações Exteriores informou nesta quinta-feira (16) que a delegação brasileira respondeu a todos os questionamentos feitos pelos auxiliares do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, relacionados à investigação comercial aberta contra o país.
Foram dois dias de reuniões, e os representantes do governo brasileiro foram questionados sobre temas como PIX, etanol, propriedade intelectual e políticas ambientais relacionadas a desmatamento.
Segundo relatos obtidos pela Globonews e pelo g1, as respostas foram técnicas e jurídicas. As negociações, conforme diplomatas, continuam.
No entendimento de integrantes do Itamaraty, todos os esclarecimentos já foram prestados, agora cabe aos Estados Unidos pedir novos, se achar que é necessário para tomar alguma decisão.
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Em relação ao PIX, um dos alvos do governo americano, o presidente Lula tem dito em discursos públicos que o Brasil não vai aceitar mexer na ferramenta instantânea de transações financeiras instituída pelo Banco Central.
Do lado brasileiro, participaram das reuniões em Washington representantes de ministérios como o das Relações Exteriores; da Indústria, Comércio e Serviços; da Justiça; e da Agricultura.
Entre esses representantes, estavam Philip Fox Gough, secretário de Assuntos Econômicos do Itamaraty; Maurício Lyrio, secretário de Meio Ambiente do Itamaraty; e Tatiana Prazeres, secretária de Comércio Exterior do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços.
Investigação dos EUA
A investigação foi aberta em julho do ano passado, com base na chamada Seção 301 da Lei de Comércio dos Estados Unidos, de 1974.
Essa seção representa um procedimento administrativo conduzido exclusivamente pelos Estados Unidos, sem caráter judicial ou semelhança com os painéis da Organização Mundial do Comércio (OMC).
Quando anunciou a abertura, a Casa Branca acusou o Brasil de adotar “há décadas” práticas econômicas desleais contra produtos americanos vendidos no mercado interno.
Como os Estados Unidos são o segundo maior parceiro comercial do Brasil, atrás somente da China, a ordem no governo é insistir nas negociações e chegar a um consenso.
A ideia é mostrar, por exemplo, que a chamada balança comercial (que mede as transações entre os países) é superavitária para os EUA, isto é, que em valor agregado os americanos mais exporta para o Brasil que importam.
Nesse contexto, e também considerando o “tarifaço” da Casa Branca, o presidente Lula e o presidente americano Donald Trump se falaram pessoalmente e por telefone, assim como o ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, e o secretário de Estado americano, Marco Rubio, chefe da diplomacia do governo Trump.
Paralelamente a essas conversas, o Congresso Nacional aprovou a chamada Lei da Reciprocidade Econômica, caso o Brasil decida adotar medidas econômicas para proteger produtos brasileiros diante de produtos americanos.
No entanto, em linhas gerais, integrantes do governo brasileiro vêm dizendo ser a favor da insistência nas negociações com representantes da Casa Branca, do Departamento de Estado, do Tesouro americano e também do escritório do representante comercial.
Encontro na ONU mudou tom das conversas
Em novembro, Trump já havia retirado tarifas de 40% sobre diversos produtos brasileiros, após negociação direta com Lula.
Getty Images
Ao longo do ano passado, Trump fez uma série de ameaças ao Brasil, afirmando, por exemplo, que adotaria medidas econômicas contra o país em razão do processo pelo qual o ex-presidente Jair Bolsonaro foi condenado no Supremo Tribunal Federal por tentativa de golpe de Estado.
Enquanto as ameaças de Trump tinham esse tema como base, o governo brasileiro não aceitou negociar, entendendo que era uma questão de soberania.
Entretanto, após um rápido encontro entre Lula e Trump em setembro, num corredor na sede da Organização das Nações Unidas (ONU), articulado por emissários diretos dos dois, Trump disse ter sentido uma “química” com Lula.
Desde então, segundo relatos, as conversas entre representantes dos dois governos que estavam travadas passaram a fluir.
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