
Era dezembro de 1950 e Lupita Chávez, do Novo México, aparecia em um jornal dos Estados Unidos cobrando do governo o paradeiro de seu filho de 19 anos, o sargento do exército, Celestino Chaves Junior. Ele foi um dos 7600 soldados dos Estados Unidos desaparecidos durante a guerra da Coréia.
Na mesma reportagem, Lupita diz que a última vez que havia entrado em contato com seu filho foi em 27 de novembro de 1950, quando recebeu uma carta em que ele disse.
“Se algo acontecer comigo, mãe, por favor, não chore”.
Talvez Chavez já soubesse sobre a posição perigosa em que estava.
Infelizmente, Lupita não viveu para enterrar seu querido filho; seu corpo foi identificado apenas em 15 de abril deste ano, de acordo com a DPAA (Agência de Contabilização de Prisioneiros de Guerra e Desaparecidos em Combate dos Estados Unidos). Ou seja, 75 anos após sua morte.
Somente depois de sua identificação, a DPAA compartilhou os detalhes do serviço do sargento Celestino Chavez Jr.
A guerra da Coreia ocorreu entre 1950 e 1953, entre a República Democrática da Coreia, hoje Coreia do Norte, com apoio da China e da União Soviética, e a Coreia do Sul, que possuía o suporte das forças aliadas do bloco capitalista, lideradas pelos EUA.
Mais de 30.000 americanos morreram e mais de 100.000 ficaram feridos.
Chavez fazia parte do 15º batalhão de artilharia antiaérea de armas automáticas, da 7ª divisão de Infantaria dos EUA. Ele foi ferido em uma dura batalha perto do Reservatório de Janqjin na província de Hamgyong do Sul, localizado atualmente na Coreia do Norte.
Apesar de ferido o jovem sargento se recusou a ser evacuado, dizendo que não havia outro homem para substituí-lo em sua posição, o comunicado que acompanhou sua condecoração póstuma dizia
“Ele permaneceu voluntariamente em seu posto e, apesar do ferimento, continuou disparando a arma”, acrescenta o comunicado. “Quando o ataque inimigo foi interrompido pelo fogo preciso e intenso, o cabo Chavez, enfraquecido pela perda de sangue, desmaiou e caiu do suporte do canhão M-19 ao chão.”
Logo após a batalha ele foi evacuado para um posto de atendimento em 30 de novembro de 1950, mas seu comboio foi emboscado pelas forças norte-coreanas, Chavez foi declarado desaparecido em 2 de dezembro daquele mesmo ano.
Desde então o governo dos EUA não havia encontrado nenhuma pista de seu paradeiro, mesmo depois do fim da guerra em 27 de julho de 1953, sua morte foi declarada em 31 de dezembro de 1953.
Postumamente, Celestino recebeu algumas condecorações, como a estrela de prata por continuar em seu posto mesmo ferido no ataque de 30 de novembro, além disso ele recebeu um coração púrpura e medalha de serviço da Coreia com duas estrelas de serviço de bronze.
Depois de mais de 60 anos, no ano de 2018, durante uma cúpula com Donald Trump, e em um gesto de aproximação diplomática com os EUA, a Coreia do Norte entregou 55 caixas que supostamente continham os restos mortais de dezenas de soldados dos Estados Unidos que morreram na Guerra em seu território.
Os restos foram levados a um laboratório da DPAA para identificação usando análise antropológica, bem como evidências circunstanciais e materiais. Esta agencia investiga casos de prisioneiros de guerra ou desaparecidos em diversos conflitos em que os Eua já se envolveram como a Guerra do Vietnã, Guerra das Coreias e Segunda Guerra Mundial. Esse trabalho é muito importante, pois traz respostas para famílias que esperam décadas para saber o real destino de seus entes queridos.
A agência usa técnicas de ponta para identificação, como análise de DNA e estudos forenses, além de pesquisa de arquivos militares e registros históricos. Além de um trabalho científico, também é um trabalho minucioso de análise da História.
Celestino Chavez Jr foi identificado graças a essas pesquisas, ele finalmente recebeu sepultamento merecido e com honras militares completas em sua cidade natal, Gallup, Novo México, em 15 de abril de 2026, dando fim a esse mistério que durou mais de sete décadas.
