Justiça determina 60% da frota em circulação durante greve em Divinópolis


Greve paralisa transporte público e nenhum ônibus sai da garagem em Divinópolis
A Justiça do Trabalho determinou que 60% da frota do transporte coletivo de Divinópolis seja mantida em circulação durante a greve dos motoristas, iniciada na madrugada desta sexta-feira (17). A decisão liminar prevê multa diária de R$ 30 mil em caso de descumprimento.
A decisão foi tomada pelo Tribunal Regional do Trabalho da 3ª Região (TRT-MG), depois que a greve afetou o transporte público. A cidade chegou a ter apenas 20% dos ônibus em circulação, prejudicando cerca de 70 mil pessoas.
Segundo o magistrado, a interrupção total do transporte coletivo “acarreta grave perturbação à ordem pública e ao direito de locomoção da coletividade”, o que justificou a intervenção para garantir o funcionamento mínimo do sistema.
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Decisão aponta irregularidades no movimento
Na decisão, o TRT destacou que o movimento, da forma como foi iniciado, não observou integralmente os requisitos da Lei de Greve (Lei nº 7.783/1989), o que agravou os impactos à população.
O tribunal também reforçou que serviços essenciais, como o transporte público, devem garantir atendimento mínimo para evitar prejuízos à coletividade.
A Prefeitura de Divinópolis informou que foi incluída no processo como terceira interessada e ficará responsável por fiscalizar o cumprimento da decisão judicial.
A administração municipal anunciou medidas emergenciais, como a liberação de vans e micro-ônibus para reforçar o transporte, além da contratação de serviços temporários para atender principalmente áreas essenciais, como saúde e segurança.
A prefeita Janete Aparecida Silva acompanha a situação e cobrou providências do consórcio responsável pela operação do sistema.
Tarifa mais cara e estado de emergência
Em meio à crise, o município também decretou situação de emergência no transporte público e autorizou o reajuste da tarifa. A passagem passará de R$ 4,15 para R$ 6,00 em dinheiro (alta de 44,5%) e para R$ 5,50 no cartão (aumento de 32,5%), a partir de 1º de maio.
Segundo a Prefeitura, o sistema enfrenta desequilíbrio financeiro, com custo real da passagem acima de R$ 6,50 e prejuízo acumulado superior a R$ 10 milhões apenas em 2026.
Greve e crise no sistema
A paralisação envolve cerca de 280 trabalhadores ligados ao Sindicato dos Trabalhadores em Transportes Rodoviários (Sintrrodiv), e ocorre após impasse nas negociações com o consórcio responsável pelo serviço.
Entre as principais reivindicações da categoria estão o aumento do salário para R$ 4 mil (atualmente em torno de R$ 3 mil), reajuste do ticket alimentação para R$ 1 mil, redução da jornada de trabalho e incorporação de benefícios ao salário.
Sem acordo formal apresentado pelas empresas, os motoristas mantiveram a greve, que provocou a interrupção da circulação dos ônibus nas primeiras horas do dia.
Greve dos motoristas de transporte coletivo em Divinópolis
Prefeitura de Divinópolis/Divulgação
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