JPMorgan reforça Sabesp como principal aposta no setor e eleva preço-alvo para R$ 200

O JPMorgan reiterou a Sabesp como sua principal recomendação no setor de utilidades, elevando o preço-alvo da ação para R$ 200 até o fim de 2026. A nova estimativa representa uma revisão significativa em relação aos R$ 152 anteriores, reforçando a visão positiva do banco para a companhia.

A recomendação segue como overweight — equivalente à compra — e posiciona a empresa entre as melhores oportunidades dentro da cobertura do banco, especialmente em termos de retorno real esperado.

Tese combina fundamentos, técnica e opcionalidade

Segundo o JPMorgan, a atratividade da Sabesp se apoia em três pilares principais: fundamentos operacionais sólidos, fatores técnicos favoráveis e opcionalidade de crescimento.

O banco também revisou para cima suas estimativas de resultado, elevando em cerca de 6% as projeções de Ebitda para 2026 e 2027, nível que já supera o consenso do mercado.

Dentro da cobertura da instituição, a companhia está entre as poucas capazes de entregar crescimento de Ebitda acima de 15% ao ano por um período de cinco anos, sem depender de variáveis externas não controláveis — um diferencial relevante no setor.

Capex deixa de ser risco e vira motor de valor

Um dos pontos centrais da revisão positiva é a mudança de percepção sobre o plano de investimentos da empresa. O que antes era visto como risco — devido ao aumento expressivo do capex — passou a ser interpretado como vetor de geração de valor.

Após a privatização, o plano de investimentos anual da Sabesp foi ampliado de cerca de US$ 1 bilhão para US$ 3 bilhões, com perspectiva de novos aumentos no futuro. Para o banco, esse movimento sinaliza confiança da gestão na execução e na expansão da companhia.

Com isso, a expectativa é de que a base de ativos regulatórios da empresa dobre em cinco anos, alcançando aproximadamente US$ 40 bilhões até 2030.

Privatização e crescimento sustentam narrativa

A tese positiva também está diretamente ligada ao novo momento da companhia após sua privatização, concluída em 2024. A mudança de controle trouxe maior foco em eficiência operacional, expansão e disciplina de capital, além de abrir espaço para crescimento via aquisições.

Além do crescimento orgânico, o JPMorgan destaca que a Sabesp ainda possui opcionalidade relevante para expansão inorgânica, o que pode ampliar ainda mais o potencial de valorização das ações ao longo dos próximos anos.

Fluxo estrangeiro e juros reforçam cenário

Do ponto de vista técnico, o banco vê a companhia como uma das principais beneficiárias de dois vetores macro: entrada de capital estrangeiro e queda das taxas de juros.

Esses fatores tendem a favorecer empresas de perfil mais previsível e regulado, como utilities, especialmente em um ambiente de maior apetite por risco em mercados emergentes.

Leitura do mercado

A revisão do JPMorgan reforça uma mudança mais ampla de percepção sobre a Sabesp: de uma empresa marcada por incertezas operacionais e regulatórias para uma plataforma de crescimento previsível e escalável.

O preço-alvo de R$ 200 embute não apenas melhora operacional, mas também uma reprecificação estrutural da companhia no mercado — sustentada por execução, expansão e maior confiança do investidor institucional.

Em um cenário de juros em queda e fluxo global favorável, a Sabesp passa a ocupar um espaço raro na bolsa brasileira: o de uma utility com perfil defensivo, mas com potencial relevante de crescimento.

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