
À esquerda, Quartel do Comando-Geral da PMPI; à direita, policial civil Alexsandro Cavalcante Ferreira, morto a tiros em 2023
Montagem/g1
O cabo da Polícia Militar do Piauí, Valério de Sousa Caldas Neto, foi expulso da PM após processo interno da corporação. Ele é réu pelo crime de homicídio qualificado contra o policial civil Alexsandro Cavalcante Ferreira, morto a tiros em 12 de setembro de 2023, em Parnaíba.
A medida foi tomada por um Conselho de Disciplina da PM em 28 de outubro de 2025, mas publicada na edição de terça-feira (26) do Diário Oficial do Estado (DOE) do Piauí. A decisão foi classificada como “coisa julgada administrativa”, ou seja, quando não cabe mais recursos dentro da polícia.
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No entanto, a decisão não impede Valério de recorrer à Justiça nem impede a própria PM de revisar o ato se houver erro ou ilegalidade. O g1 tenta contato com a defesa do cabo para comentar a expulsão.
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O Conselho de Disciplina que avaliou a conduta de Valério concluiu que as provas do caso e o processo interno mostraram que o policial cometeu “faltas graves” e que a conduta dele afetou a imagem e a disciplina da Polícia Militar.
A PM afirmou ainda que a lei permite que ele fosse punido administrativamente, mesmo sem condenação criminal, e que o processo seguiu as regras, sem prejuízo real à defesa — ainda que tenha havido atraso.
“[O cabo] abdicou das normas e da doutrina de segurança praticando as transgressões disciplinares de que foi acusado, além de não ter atuado para minimizar as consequências de seus atos”, diz um trecho da decisão.
Com a expulsão, Valério perde o vínculo com a Polícia Militar e sai da folha de pagamento da corporação. Ele também perde o porte de arma e deve devolver uniforme, documentos e equipamentos.
Policial disse que vítima apontou arma
O agora ex-policial militar afirmou que, durante a madrugada de 12 de setembro de 2023, avistou Alexsandro andando sozinho na rua com um capuz. Ele achou a atividade suspeita e resolveu seguir o rapaz.
Durante depoimento, Valério alegou que abordou o policial civil em uma rua. Segundo o cabo, a vítima teria andado em sua direção e apontado uma arma durante a abordagem e, por este motivo, atirou duas vezes contra ele.
O PM relatou também que não conhecia a vítima e nem sabia que ele era policial civil. Após os disparos, o suspeito contou que pegou a arma de Alexsandro, voltou para casa e ligou para seu supervisor.
Alexsandro foi encontrado morto em uma rua próximo de onde morava, no residencial Caminhos da Alvorada. Alex, como era conhecido, estava lotado na Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher (Deam) de Parnaíba.
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