‘Convocação de Neymar mudou tudo’: comércio popular comemora alta nas vendas para a Copa


Com Neymar convocado, comércio popular comemora alta nas vendas para a Copa
A poucos dias do início da Copa do Mundo, comerciantes da região da Rua 25 de Março, coração do comércio popular de São Paulo, demonstram grande otimismo com as vendas.
Os itens em verde e amarelo, que tomam vitrines e corredores nas lojas da região, passaram a ser ainda mais procurados após a convocação da seleção feita por Carlo Ancelotti em 18 de maio.
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O motivo principal, na visão de muitos comerciantes, é o mesmo: a inclusão de Neymar na lista de 26 jogadores que vão representar o Brasil.
“Quando anunciaram que ele ia jogar, as vendas de camisetas da seleção dispararam”, diz Kauan, vendedor na região.
Do lado dos consumidores, o cenário é de empolgação e disposição para gastar um pouco mais do que na Copa de 2022. E isso se deve não só à presença do jogador do Santos.
“Neste ano, estou consumindo mais itens”, diz ao g1 o empresário Fabiano Mota. Em passeio por São Paulo, o carioca comprou camisetas da seleção para ele e toda a família na Rua 25 de Março. “Acredito que o hexa será nosso. Não tem como não se animar.”
O comerciante Pierre Sfeir, dono da loja Festas e Fantasias, uma das mais movimentadas da região, confirma o cenário positivo.
“O público está bem mais empolgado do que na última Copa. Naquela época, tínhamos acabado de sair de uma pandemia. Todos estavam muito tristes”, lembra.
Sfeir destaca que, neste ano, as vendas “explodiram” após a convocação. “O público veio às compras logo no dia seguinte. Estamos muito contentes. Tomara que continue até 19 de julho”, afirma.
Comércio popular comemora alta nas vendas para a Copa.
André Catto/g1
Impactos da guerra
A expectativa pelo hexacampeonato e o clima do Mundial fizeram, inclusive, com que muitos torcedores não se importassem com a alta dos preços de diversos itens relacionados à competição.
Os produtos estão cerca de 15% mais altos do que na Copa passada, afirma Pierre.
Segundo ele, parte do aumento ocorreu recentemente, impulsionado pela valorização do petróleo em meio à guerra no Oriente Médio. Entre os itens afetados estão os de plástico, fabricados a partir de derivados da commodity.
O encarecimento do petróleo também pressionou o preço do diesel, elevando os custos de transporte e, consequentemente, de diversos outros itens.
“Mas são produtos populares, coisas baratas, para as pessoas brincarem. Não precisa de investimento muito alto”, pondera Pierre.
O comerciante afirma que o que mais tem saído na loja é um kit de R$ 47 com 12 itens, incluindo óculos personalizados, bandeira, corneta, confete, maquiagem em verde e amarelo e bastão inflável.
Animada para assistir aos jogos com a família e os amigos, a psicóloga Leila Limp decidiu investir mais em artigos da Copa desta vez.
“Estou fazendo compras de R$ 100 a R$ 150. Tem guardanapo, chaveiro, palitinho com bandeirinha para tira-gosto. Muita coisa bacana. Vale a pena”, diz.
Victor Villarreal (esq.), Fabiano Mota (centro) e Vanessa Andrade (dir.) fazem compras de itens da Copa e de festa junina na região da Rua 25 de Março.
André Vinco/g1
Camisas mais caras
As réplicas das camisetas da seleção vendidas pelos comerciantes da Rua 25 de Março também ficaram mais caras em relação a 2022.
A reportagem do g1 encontrou modelos à venda por preços que variam de R$ 80 a R$ 320. Segundo os vendedores, são três principais categorias.
A mais barata, conhecida como “primeira linha”, custa R$ 80.
Já a chamada “camisa tailandesa”, apontada pelos comerciantes como de melhor qualidade, é vendida por R$ 160.
A versão considerada superior, a “tailandesa modelo jogador”, foi encontrada por R$ 320.
Os comerciantes afirmam que, além da empolgação dos torcedores, a alta procura é impulsionada pelos preços das peças oficiais, como a camisa de jogador, encontrada por cerca de R$ 750.
Não à toa, a poucos dias do início da Copa, as réplicas das camisetas da seleção são os produtos mais encontrados nas barracas de rua da região.
As tradicionais vuvuzelas, por sua vez, são encontradas principalmente dentro das lojas, com preços a partir de R$ 6. “Quanto mais perto da Copa, mais as ruas ficam tomadas por diferentes produtos”, relatou um vendedor ao g1.
E o fator eleição?
Em 2022, a Copa foi disputada em novembro — e o apelo comercial era outro.
Vanessa Andrade, que comercializa réplicas de camisetas da seleção, acredita que as vendas seguirão bem neste ano. Ela pondera, porém, que o movimento durou mais tempo na última edição.
“A última Copa foi depois da eleição. Então, as vendas acabaram começando antes, por causa da disputa entre Bolsonaro e Lula”, lembra. “Muitos compravam para as manifestações.”
Conforme mostrou o g1, comerciantes relataram em 2022 que as camisetas azuis e pretas vendiam mais do que as amarelas em razão da polarização no país. Neste ano, porém, essa preocupação parece ter ficado para trás.
A comerciante Vanessa Andrade também observa que as vendas dispararam nos últimos dias, após a lista de Ancelotti.
“A convocação do tal do Neymar mudou tudo. Foi aí que o movimento começou a aquecer”, diz.
‘Copa junina’
Na região da Rua 25 de Março, itens de Copa do Mundo dividem espaço com produtos de festa junina.
André Vinco/g1
Não é só a Copa que ocupa as prateleiras e atrai a atenção do público. Os itens de festa junina também ganham espaço nas lojas e ajudam a impulsionar o faturamento.
A gerente de conta Valéria Guimarães aproveitou para fazer compras para as duas celebrações.
“Vai ter festa junina com clima de Copa. Então, vamos enfeitar com chapéu e artigos do Mundial”, diz.
Pierre, da loja Festas e Fantasias, afirma que, quando a Copa do Mundo coincide com as festas de São João, o faturamento costuma aumentar entre 20% e 30%.
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