
Um vídeo gravado por Brenda Larissa Maia, de 32 anos, dentro da Unidade de Pronto Atendimento (UPA) de Ribeirão das Neves, em Minas Gerais, mostra salas e consultórios vazios horas antes da morte da paciente.
Nas imagens, Brenda circula pela unidade durante a madrugada, aponta para portas, salas sem atendimento e equipamentos dentro de consultórios. Ela reclama da ausência de profissionais e da demora para receber assistência médica.
A morte de uma mulher de 32 anos em uma UPA de Ribeirão das Neves (MG) é investigada após vídeos relatarem demora no atendimento.
Brenda Larissa Maia procurou a unidade com dores no peito e morreu horas depois. A Polícia Civil apura o caso. pic.twitter.com/nem4T3Ltdu
— iG (@iG) June 9, 2026
Pouco tempo depois da gravação, a paciente morreu dentro da UPA. A Polícia Civil abriu inquérito para apurar as circunstâncias do caso. A família afirma que houve negligência.
Brenda havia procurado a unidade na tarde de sábado (07), por volta das 14h30, com dores no peito. Segundo familiares, ela passou pela triagem, permaneceu por várias horas aguardando atendimento e relatou piora do quadro ao longo da noite.
Vídeo mostra salas sem atendimento
A gravação foi feita por volta de 1h30. No vídeo, Brenda caminha por corredores da UPA e mostra consultórios sem profissionais.
Em um dos trechos, ela afirma que a unidade estava com “todas as salas vazias”. Em outro momento, aponta para ambientes internos e questiona a falta de atendimento.
As imagens passaram a circular nas redes sociais depois da confirmação da morte.
Segundo a família, o vídeo reforça a suspeita de que Brenda não recebeu o atendimento necessário no momento em que seu quadro de saúde piorava.
Paciente relatou piora à família
De acordo com o boletim de ocorrência registrado pela mãe da vítima, Sônia de Oliveira da Silva, Brenda tinha histórico de fibromialgia e cardiopatia.

Ainda conforme o registro, por volta das 22h, a paciente avisou aos familiares que não se sentia bem. Durante a permanência na unidade, ela recebeu oxigenoterapia, procedimento usado para fornecer oxigênio suplementar.
Antes de gravar o vídeo, Brenda também trocou mensagens com a mãe. Em uma delas, relatou queda na saturação mesmo com o uso de oxigênio.
Ela ainda pediu que a família não autorizasse ventilação mecânica caso fosse procurada pela equipe médica.
Para os parentes, a conversa teve tom de despedida.
Família diz que Brenda saiu em busca de ajuda Segundo reportagem do g1, Hudson Lucas Maia, irmão de Brenda, afirmou que a paciente deixou o local onde estava internada para procurar atendimento após não encontrar profissionais de saúde.
Ainda de acordo com o relato da família ao portal, testemunhas disseram que Brenda caminhou pelos corredores, gravou os vídeos e caiu pouco depois.
Os familiares afirmam que essas informações não foram repassadas inicialmente pela unidade.
Causa da morte é questionada
A família também relata divergências nas informações recebidas após o óbito.
Segundo a mãe de Brenda, um médico teria apontado inicialmente suspeita de embolia pulmonar. Depois que os parentes mostraram os vídeos gravados pela paciente, a informação teria sido alterada, sem detalhamento sobre o novo registro.
Os parentes também dizem ter recebido orientações contraditórias sobre a remoção do corpo.
Diante das dúvidas, a família acionou a Polícia Militar e registrou boletim de ocorrência.
Polícia Civil investiga
A Polícia Civil instaurou inquérito para apurar o caso. Os laudos periciais deverão ajudar a apontar a causa da morte e a reconstruir o que ocorreu dentro da unidade.
O iG procurou a Prefeitura de Ribeirão das Neves e a Secretaria Municipal de Saúde para pedir posicionamento sobre o atendimento prestado à paciente, a escala médica da UPA durante a madrugada e a apuração interna do caso.
Até a publicação desta reportagem, não havia retorno.
Brenda Larissa Maia foi sepultada nesta terça-feira (09) em Santa Luzia, cidade da Região Metropolitana de Belo Horizonte.
