
Vídeo mostra encontro entre chefe de investigadores e acusado de planejar matar promotor
O Ministério Público (MP) investiga se Maurício Aparecido de Oliveira, ex-chefe dos investigadores da Delegacia de Investigações Sobre Entorpecentes (Dise) de Campinas (SP), colaborou com integrantes do Primeiro Comando da Capital (PCC) e repassou informações privilegiadas.
Maurício está entre os presos na Operação Infiltrados, deflagrada nesta terça-feira (9) pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco). Segundo a investigação, ele se reuniu com um empresário apontado como responsável por lavar dinheiro para membros da facção.
O encontro ocorreu cerca de uma semana antes da Operação Pronta Resposta, que desarticulou um plano para matar um promotor de Justiça do Gaeco. Vídeos e mensagens obtidos pelos investigadores mostram a articulação e a realização da reunião (assista acima).
“Esse chefe dos investigadores manteve um contato clandestino com um empresário ligado ao PCC. Aliás, na ocasião, ele [empresário] era o principal suspeito da execução de um plano para matar um promotor de Justiça deste Gaeco. Plano este frustrado exatamente uma semana depois desse encontro clandestino”, detalhou o promotor Marcos Rioli.
O g1 tenta localizar a defesa do policial civil.
O que falta esclarecer
Durante entrevista coletiva, Rioli afirmou que um dos principais objetivos da investigação é descobrir:
se o encontro tinha relação com a tentativa de extorsão;
se tratava de uma nova ação criminosa; ou
se havia conexão com o plano de atentado contra o promotor.
“O motivo do encontro deverá – e assim a gente espera – ser esclarecido por eles, se quiserem. Se não quiserem, a investigação prossegue e a gente vai identificar exatamente do que se trata”, afirmou.
Ainda de acordo com o promotor, a análise dos materiais apreendidos durante a operação, incluindo celulares e documentos, deverá ajudar a esclarecer a finalidade dos contatos.
Operação Infiltrados
A Operação Infiltrados cumpriu 10 mandados de busca e apreensão e três mandados de prisão temporária em Campinas e Cardoso, no interior paulista.
Além do ex-chefe dos investigadores, foram presos o ex-estagiário do Ministério Público apontado como responsável pela tentativa de extorsão e um ex-policial civil suspeito de atuar como intermediário entre investigados.
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A Infiltrados é um desdobramento de duas operações deflagradas no ano passado:
Operação Pronta Resposta: deflagrada em agosto, apurou a atuação de organização criminosa ligada ao PCC que, dentre outros crimes, estaria planejando um atentado contra a vida do promotor de Justiça do Gaeco Amauri Silveira Filho.
Operação Off White: deflagrada em 30 de outubro de 2025 – realizada para desmantelar um esquema de lavagem de dinheiro ligado a dois dos traficantes mais procurados do Brasil. Entre eles, um dos principal chefes em liberdade do PCC: Sérgio Luiz de Freitas (Mijão ou Xixi).
Por envolverem suspeitos integrantes da Polícia Civil e da Polícia Penal, além do 1º BAEP, participaram da operação as Corregedorias da Polícia Civil e da Polícia Penal, e a Comissão de Prerrogativas da OAB, especificamente para as buscas em escritório de advocacia.
Em nota, o MP afirmou que “todos os fatos estão sob apuração no Gaeco e o apoio das Polícias Militar, Civil e Penal demonstra que as instituições estão trabalhando em conjunto para a depuração de seus quadros, garantindo que a sociedade sempre tenha à disposição um serviço público eficiente, contínuo e transparente”.
Operação prende ex-estagiário do MP de SP, ex-chefe de investigadores e ex-policial civil suspeitos de serem infiltrados do PCC
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