A transformação digital ganhou mais velocidade com a inteligência artificial, mas isso não significa o fim do software. Pelo contrário. Para Dennis Hershzkowicz, CEO da TOTVS, a tecnologia tende a ampliar o mercado e fortalecer o papel das soluções corporativas dentro das empresas.
Durante participação no programa Business, da BM&C News, o executivo disse ainda que o software vai além de linhas de código e está ligado à execução de processos complexos dentro das organizações. “O business de software não é linha de código. Linha de código é um insumo”, destacou.
Hershzkowicz explicou que a atual revolução tecnológica segue um padrão já observado em outras ondas de inovação, como a internet e a computação em nuvem. Segundo ele, a transformação começa nas camadas mais baixas — infraestrutura, chips e modelos de linguagem — antes de chegar à aplicação prática nas empresas. “Quem vai efetivamente consumir toda essa infraestrutura sendo criada é a camada de aplicação, que é exatamente onde o mundo de software vive”, disse. Para o CEO, sem essa camada, os investimentos em inteligência artificial não se sustentam.
IA ainda não chegou plenamente às empresas
Apesar do avanço da tecnologia, o executivo avalia que a adoção corporativa ainda está em estágio inicial. “O consumo de inteligência artificial ainda não chegou no CNPJ. Ele ainda está no CPF”, afirmou, indicando que o uso ainda é mais individual do que integrado aos processos empresariais.
Essa percepção, segundo ele, ajuda a explicar a desconexão entre a narrativa de mercado e a realidade operacional das empresas. “Existe uma desconexão gigantesca entre a narrativa e o consumo exato de inteligência artificial”, disse.
Software não será commodity
Na avaliação de Hershzkowicz, especialmente no segmento de software de gestão, não há risco de comoditização, mesmo com o avanço da IA. “No contexto do software de gestão, eu não tenho a menor dúvida que não existe a menor chance de haver comoditização desse produto”, afirmou.
Ele destacou que soluções corporativas exigem confiabilidade, escala e complexidade que não são facilmente replicáveis apenas com ferramentas de inteligência artificial. O CEO reforçou que a TOTVS enxerga a inteligência artificial como uma ferramenta de potencialização do trabalho humano. “A gente vê a inteligência artificial como um grande potencializador das pessoas”, disse.
A companhia, inclusive, incorporou esse conceito à sua cultura interna. “A nossa crença é IH + IA, inteligência humana mais inteligência artificial”, afirmou. Segundo ele, tarefas mais críticas exigem essa combinação. “A IA vai fazer aquilo que ela tem de melhor, mas o julgamento e o bom senso continuam sendo humanos.”
Impacto no emprego ainda é limitado
Sobre o mercado de trabalho, Hershzkowicz ponderou que ainda não há evidências concretas de substituição em larga escala por IA. “A gente não vê esse impacto hoje sendo um impacto que está mexendo o ponteiro”, disse.
Ele atribui parte dos cortes recentes em empresas de tecnologia ao excesso de contratações no pós-pandemia, e não diretamente à inteligência artificial.
Nova frente de crescimento com IA
A TOTVS vê na inteligência artificial uma oportunidade estratégica de expansão. Com o lançamento do LYNN, seu modelo de IA B2B, a empresa passa a atuar também na automação de tarefas dentro das organizações.
“A inteligência artificial aumenta o nosso mercado endereçável”, afirmou. Segundo ele, a criação de agentes inteligentes representa um novo campo de atuação. “Esse é um mercado completamente novo para uma empresa como a TOTVS.”
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