Empresário enfrenta ‘mal da montanha’, encara ‘trilha de boi’ e leva bandeira de cidade do interior de SP ao Campo Base do Everest


Ituano leva bandeira da cidade ao Campo Base do Everest no Nepal
Ventos congelantes, altitudes inimagináveis, animais assustadores e temperaturas negativas. Esse foi o cenário enfrentado pelo morador de Itu (SP) Léo Godoy, que alcançou, na segunda-feira (13), o Campo Base do Monte Everest, no Nepal, a uma altitude de 5.364 metros.
A conquista, que exigiu 11 dias de caminhada em um dos terrenos mais inóspitos do planeta, foi celebrada com um gesto de orgulho regional: o hasteamento da bandeira de Itu e a exibição da camisa do Ituano, time tradicional da cidade, no topo da trilha.
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Ao g1, o aventureiro relatou que o desafio simboliza como a determinação pode levar o cidadão comum a lugares extraordinários.
Segundo Léo, a jornada teve início em Lukla, cidade no nordeste do Nepal, situada a 2.860 metros de altitude e ponto de partida famoso por abrigar o aeroporto mais perigoso do mundo devido à pista curta e cercada por abismos.
Ituano escala mais de 5 km de altura no Monte Everest carregando bandeira da cidade
Reprodução/Redes sociais
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A partir dali, foram oito dias de ascensão gradual para aclimatação e três dias de descida. No trajeto, Léo enfrentou a Geleira Khumbu e paisagens dominadas por gelo e rocha, onde o corpo humano passa a lutar contra a falta de oxigênio.
Para Léo, o maior adversário não foi nenhum abismo, mas as reações fisiológicas do próprio corpo à altitude. O aventureiro enfrentou sintomas severos do chamado “mal das montanhas”, que atinge grande parte dos alpinistas que ultrapassam os 4 mil metros acima do nível do mar.
“As coisas mais perigosas começam pela alta altitude. Dá dor de cabeça, falta de ar, ânsia de vômito. Eu tomei um remédio dois dias antes de começar. Para alguns dá certo, para outros, não”, explica.
Ituano escala mais de 5 km de altura no Monte Everest carregando bandeira da cidade
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A gravidade do desafio foi confirmada por episódios trágicos presenciados durante a expedição. Dos quatro integrantes da equipe de Léo, um precisou desistir e retornar antes de concluir o trajeto por complicações de saúde.
Em outra expedição, uma alpinista acabou morrendo. “Foi uma fatalidade. O médico mandou ela descer, ela ‘teimou’, continuou subindo e não resistiu”, relembra.
Ituano escala mais de 5 km de altura no Monte Everest carregando bandeira da cidade
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Privações e rotina a -20°C
A vida no Himalaia impõe uma rotina de privações que vai muito além do esforço físico. Os alojamentos ao longo da trilha oferecem o mínimo necessário para a sobrevivência, sem qualquer sistema de aquecimento nos quartos.
“Os quartos são pequenininhos e não têm aquecedor. A água mineral que eu colocava no quarto à noite, quando acordava de manhã estava completamente congelada. O que salvava eram os equipamentos: o saco de dormir mantinha a temperatura a 20°C e as roupas eram todas em camadas especiais. Dentro do saco de dormir, o frio não passava, mas, fora dele, a situação era extrema”, relembra.
Ituano escala mais de 5 km de altura no Monte Everest carregando bandeira da cidade
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A alimentação também se tornou um obstáculo à medida que a altitude aumentava. Com o sistema digestivo debilitado pela falta de oxigênio, o paladar do ituano rejeitou a culinária local.
“A comida do Nepal tem muito curry, e o brasileiro não está acostumado. Depois de alguns dias, a ânsia de vômito é constante. Eu tive que mudar a alimentação, passei a comer basicamente ovo cozido com sal e muita maçã, que é o que eu conseguia manter no estômago.”
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Yaks, mulas e a ‘trilha de boi’
Outro detalhe curioso da expedição é a logística de transporte no Himalaia. Sem estradas, tudo o que é consumido no acampamento base — de cilindros de gás a alimentos — é carregado por animais. Encontros tensos com os yaks, os búfalos peludos da região, se tornaram comuns durante a escalada.
“Lá em cima tem os yaks, que carregam as cargas até os 5,3 mil metros. É um terreno de muita pedra e gelo, em trilhas estreitas. Quando vêm 10 ou 20 yaks de uma vez, você tem que se afastar rápido, porque eles são ‘chifrudos’ e passam por cima mesmo. Os guias nos deixam bem alertas. Mais abaixo, são as mulas que fazem esse serviço. São centenas delas subindo e descendo o tempo todo, e o cuidado tem que ser o mesmo”, detalha.
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Ao chegar ao objetivo final, Léo Godoy não apenas registrou a paisagem, mas fez questão de marcar a presença de suas origens. Torcedor do Ituano, ele vestiu a camisa do clube e hasteou a bandeira de Itu no alojamento do acampamento base.
“Levei a camisa do Ituano, porque, além de eu ser torcedor, eu quis prestigiar o Ituano, e levei também a bandeira de Itu. Hasteei a bandeira no alojamento e foi engraçado, porque no alojamento não tem a bandeira do Brasil, mas tem a de Itu”, celebra.
“Eu fiz isso primeiro porque gosto do desafio, mas segundo para inspirar as pessoas. Quero mostrar que é possível, sim, pensar fora da casinha. Quis mostrar principalmente para os meus filhos que a gente pode realizar coisas grandes se tiver coragem de sair da zona de conforto. Se eu conseguir inspirar qualquer pessoa com essa história, já vou ficar muito feliz”, completa.
Após a conclusão da descida, o empresário seguiu para Kathmandu, capital do Nepal, de onde planeja o retorno ao Brasil.
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*Colaborou sob supervisão de Gabriela Almeida
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