
Um plano para recompensar cidadãos que denunciarem empresas responsáveis pela contratação de trabalhadores estrangeiros em situação irregular entrará em vigor no dia 11 de maio, em Ibaraki, província localizada ao nordeste de Tóquio. Após a região registrar, em 2024, o maior volume de trabalhadores estrangeiros ilegais entre as 47 províncias do país, o governo local decidiu que passará a denunciar os empregadores à polícia após a verificação das informações. A província oferecerá o valor de 10 mil ienes, cerca de 63 dólares, caso a denúncia resulte na abertura de um processo judicial.
Segundo o brasileiro Akira Kinjo, de 40 anos, que atua no setor de recursos humanos de uma empresa que contrata estrangeiros na região, a província de Ibaraki tem investido recursos consideráveis para atrair mão de obra estrangeira devido ao baixo índice de natalidade e à escassez de trabalhadores, destinando investimentos inclusive para a educação e adaptação dos filhos desses imigrantes nas escolas japonesas. Por outro lado, o elevado índice de estrangeiros em situação irregular gerou preocupação nas autoridades locais.
“Na minha opinião, medidas devem sim ser tomadas para manter o controle, mas devem ser executadas com cuidado para não prejudicar pessoas que trabalham corretamente de acordo com as leis”, declarou Kinjo.
As denúncias serão restritas a empresas que contratam trabalhadores estrangeiros ilegalmente. A prefeitura planeja divulgar diretrizes específicas, incluindo a orientação de não basear as denúncias unicamente na aparência ou na nacionalidade dos indivíduos.
De acordo com a agência de notícias Kyodo, o sistema tem gerado controvérsia desde o seu anúncio em fevereiro. Uma associação de advogados local e um grupo cívico de apoio a residentes estrangeiros afirmam que a medida fomenta a discriminação e a divisão social.
“A maior preocupação é com a generalização e o preconceito. Como as denúncias são voltadas apenas para as empresas que contratam trabalhadores estrangeiros, temo que possamos ter várias falsas denúncias pelo simples fato de termos funcionários estrangeiros”, alertou Akira Kinjo.
