
No último sábado, dia 25 de abril, estive no CEU Paraisópolis para a final do 3º Torneio de Futsal Feminino – Troféu Cida Raiz. Quem conhece a Cida sabe que ela é uma força da natureza. Uma liderança que não apenas habita a segunda maior favela do Brasil, mas que a transforma diariamente através do esporte e da dignidade. Estar ali, no coração da comunidade, me fez refletir sobre algo que muitas vezes se perde no barulho da política: o real significado de “ajudar”.
Ouvi a Cida contar para as meninas (e para quem quiser ouvir, já que o vídeo está nas minhas redes sociais) sobre como este torneio começou. Ela lembrou de quando não tinha um centavo para as premiações e me procurou. Naquele momento, minha resposta foi simples: eu daria os troféus. Ela me perguntou se seria por meio de alguma empresa ou verba oficial. Eu disse: “Não, Cida. É do meu bolso. É pessoal”.
O Poder do Possível
Muitas vezes, a narrativa do ajudar é confundida com o assistencialismo grandioso ou com a obrigação de resolver todos os problemas do mundo sozinho. Mas a verdade, que aprendi em anos de vida pública, é que o apoio mais eficaz é aquele que faz o todo acontecer. A Cida já estava lá na frente, fazendo o trabalho duro, tirando meninas da rota do tráfico e da gravidez precoce. O meu papel foi apenas colocar a peça que faltava naquele momento: o reconhecimento material do esforço delas através de um troféu.
Isso nos ensina uma lição valiosa sobre gestão e sobre a vida: ajudar é fazer o que é possível dentro de um propósito maior. Não precisamos ser os protagonistas de todas as causas, mas precisamos ser o incentivo que mantém a chama dos outros acesa.
Bondade não é obrigação de dizer sim
Aqui entra um ponto fundamental para quem ocupa cargos de liderança ou tem visibilidade. Existe uma pressão constante para que a pessoa boa seja aquela que abraça tudo e diz sim para todos. Mas, na política e na vida, a bondade sem limites vira irresponsabilidade.
Ser um incentivador do esporte e das boas causas não me torna obrigado a atender a todos os pedidos que chegam. Existem regras, existem limites e, principalmente, existem ocasiões. Uma pessoa boa não é a que se anula para agradar a todos, mas a que escolhe com sabedoria onde sua semente dará melhores frutos. Ter a coragem de dizer não quando necessário é o que permite que o seu sim tenha valor real, como teve para a Cida Raiz.
O Exemplo e a consciência
Como cristão, entendo que a influência que Deus me deu é um talento que deve ser multiplicado. Sei que tenho privilégios e que minha voz chega onde muitas não alcançam. Por muito tempo, guardei essas ações para mim, achando que o que a mão direita faz, a esquerda não precisa saber. Mas hoje entendo que deixar de falar é deixar de ser exemplo. Se os bons não mostrarem o caminho, quem o fará?
A política, para mim, é o exercício de colocar a cabeça no travesseiro todas as noites e dormir em paz, sabendo que agi com justiça e que respeitei os meus limites e os da lei. O que pega no final do dia não é o aplauso da multidão, mas a certeza de que aquele gesto simples — um troféu desenhado e entregue com carinho — repercutirá por anos na vida de uma jovem que, através do esporte, enxergou um futuro novo.
É assim na vida, é assim na política: a gente não é bom quando agrada; a gente é bom quando edifica.
