Manifestantes fazem ato contra a PEC da Blindagem e Projeto da Anistia, no Recife
Manifestantes se reuniram na Rua da Aurora, no bairro de Santo Amaro, área central do Recife, neste domingo (21), em um ato contra a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) da Blindagem e o Projeto de Lei (PL) que prevê anistia a condenados pelos atos 8 de janeiro no Brasil. A capital pernambucana está entre as cidades que foram às ruas contra as propostas em pauta no Congresso Nacional (veja vídeo acima).
A mobilização, que teve um caráter político-cultural no Recife, foi organizado pela União dos Estudantes de Pernambuco (UEP), com apoio das frentes Brasil Popular e Povo Sem Medo. Vários atos foram realizados no Brasil, em capitais como São Paulo, Rio de Janeiro, Belo Horizonte, entre outras.
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Concentrados em frente ao colégio Ginásio Pernambucano, os manifestantes saíram em caminhada por volta das 15h40, passando pela Rua João Lira, Parque 13 de Maio e a Ponte Princesa Isabel. Segundo os organizadores, o encerramento da manifestação é Marco Zero, no Bairro do Recife, e cerca de 50 mil pessoas participaram do protesto.
João Mamede, presidente da UEP, contou em entrevista ao g1 que a escolha da Rua da Aurora foi simbólica e estratégica, por seu valor histórico e cultural.
“Esse ato está sendo convocado pela Frente Brasil Popular e pela Frente Povo Sem Medo, nacionalmente, que são as principais articulações de movimentos sociais do país. (…) Estamos organizando o ato na Rua da Aurora, porque é simbólico. É um ato que tem uma dimensão cultural importantíssima. Então, Batucada do Eu Acho É Pouco, o Dragão vem aí também do Eu Acho É Pouco. Atrações de cultura popular que vão se apresentar no trio. A ideia é que seja um ato político-cultural, que traga um pouco da irreverência também, da identidade do nosso povo, mas que consiga apresentar o que está no centro para nós, dentro da disputa política nesse momento”, contou.
Ainda segundo ele, a manifestação tem como foco principal o posicionamento contra dois projetos em tramitação no Congresso: a PEC da Blindagem, que prevê impunidade a parlamentares que cometerem crimes, e o projeto de anistia aos envolvidos nos ataques de 8 de janeiro de 2023.
“É um rechaço total ao PEC da blindagem, da bandidagem, como tem sido dito, que prevê esse absurdo para parlamentares que cometerem crime. A gente entende que é um pacto desse setor antirrepublicano do centrão, com o setor antidemocrático da extrema-direita, para impor uma série de atrasos. E a segunda questão é o PL da anistia, que está avançando na Câmara, ainda que seja pra reduzir pena dos condenados golpistas e a gente acha que isso é um absurdo”, contou.
Luciana Veras, integrante do bloco carnavalesco “Eu Acho É Pouco”, que levou cerca de 20 integrantes da tradicional batucada que desfila nas ladeiras de Olinda, destacou o compromisso histórico e político do grupo.
“O ‘Eu Acho é Pouco’ foi fundado em 1977. O Brasil vivia uma ditadura militar. Então, é um bloco de esquerda, um bloco que nasceu, que foi forjado na luta pela democracia. Quando foram anunciados os atos para o dia 21, quando aquela primeira convocatória circulou, a gente já sabia que ia sair. Então procuramos o diálogo com as entidades, que a gente já sabia que também estariam nos atos, os partidos políticos, as instituições como a frente popular daqui. E aí participamos da construção coletiva do dia de hoje”, contou.
Para Luciana, o protesto foi uma resposta direta ao cenário político da semana. “Hoje é um dia em que o Brasil dá uma resposta ao que foi essa semana. O Brasil não é refém do congresso. Se esse congresso é inimigo do povo, é inimigo da nação, o Brasil está saindo às ruas para mostrar que é contra a anistia, que é contra a blindagem, que é contra a PEC da bandidagem, que é a favor do fim da escala seis por um, que é a favor da isenção de Imposto de Renda, como é que o congresso não pauta imposto de renda para pautar a anistia?”, contou.
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Cartazes reforçam o ato
Cartazes reforçaram as reivindicações durante o protesto. Norma Bravo, psicóloga mexicana que vive no Recife há mais de 15 anos, participou do ato com amigos e segurava um cartaz com os dizeres “Democracia sem anistia”. Para ela, o Congresso Nacional vem legislando contra os interesses da população.
“Temos que lutar pela democracia. Nós estamos diante de um congresso que está legislando contra o povo. Nós estamos diante de um congresso que está ultrapassando o que está escrito na Constituição, então eles estão trabalhando contra o Brasil, contra democracia. (…) Eles legislarem a seu favor num momento que nós precisamos como nação definir outras coisas que são prioritárias como não à escala 6×1, a taxação dos super ricos, porque nesse momento defender uma PEC que só favorece o congresso”, disse a psicóloga.
Outros manifestantes também levaram expressões artísticas e pessoais para o protesto. Day Valença, estudante de enfermagem da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), contou que se inspirou no cantor Ney Matogrosso para montar a representação da sua manifestação neste domingo.
“A referência de Ney aconteceu porque sou um fã do artista. Ele respingou sobre o que aconteceu no passado, a ditadura, e o filme dele atual foi o que fez me fazer essa referência para poder vir hoje”, contou. Day também carregou um cartaz escrito “Se correr o bicho pega. Sem anistia”, em referência a música interpretada pelo cantor do Mato Grosso do Sul.
O figurinista Evandro Viana, da cidade de Olinda, no Grande Recife, levou um figurino especial, que ele já havia utilizado durante o carnaval reforçando seu voto contrário a anistia.
“Essa roupa ela existe há dois dias. Eu já venho falando dessa não anistia no baile dos super-heróis [bloco carnavalesco Enquanto Isso na Sala da Justiça]. No ano passado ela ganhou mais força, a gente ganhou o concurso das Virgens do Bairro Novo [bloco carnavalesco de Olinda], e este ano mais ainda. A importância de estar aqui hoje é vital para qualquer cidadão decente do nosso país porque não podemos admitir que políticos dessa qualidade permaneçam no poder”, falou.
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Manifestantes se reuniram na Rua da Aurora, no bairro de Santo Amaro, área central do Recife, neste domingo (21), em um ato contra a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) da Blindagem e o Projeto de Lei (PL) que prevê anistia a condenados pelos atos 8 de janeiro no Brasil. A capital pernambucana está entre as cidades que foram às ruas contra as propostas em pauta no Congresso Nacional (veja vídeo acima).
A mobilização, que teve um caráter político-cultural no Recife, foi organizado pela União dos Estudantes de Pernambuco (UEP), com apoio das frentes Brasil Popular e Povo Sem Medo. Vários atos foram realizados no Brasil, em capitais como São Paulo, Rio de Janeiro, Belo Horizonte, entre outras.
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Concentrados em frente ao colégio Ginásio Pernambucano, os manifestantes saíram em caminhada por volta das 15h40, passando pela Rua João Lira, Parque 13 de Maio e a Ponte Princesa Isabel. Segundo os organizadores, o encerramento da manifestação é Marco Zero, no Bairro do Recife, e cerca de 50 mil pessoas participaram do protesto.
João Mamede, presidente da UEP, contou em entrevista ao g1 que a escolha da Rua da Aurora foi simbólica e estratégica, por seu valor histórico e cultural.
“Esse ato está sendo convocado pela Frente Brasil Popular e pela Frente Povo Sem Medo, nacionalmente, que são as principais articulações de movimentos sociais do país. (…) Estamos organizando o ato na Rua da Aurora, porque é simbólico. É um ato que tem uma dimensão cultural importantíssima. Então, Batucada do Eu Acho É Pouco, o Dragão vem aí também do Eu Acho É Pouco. Atrações de cultura popular que vão se apresentar no trio. A ideia é que seja um ato político-cultural, que traga um pouco da irreverência também, da identidade do nosso povo, mas que consiga apresentar o que está no centro para nós, dentro da disputa política nesse momento”, contou.
Ainda segundo ele, a manifestação tem como foco principal o posicionamento contra dois projetos em tramitação no Congresso: a PEC da Blindagem, que prevê impunidade a parlamentares que cometerem crimes, e o projeto de anistia aos envolvidos nos ataques de 8 de janeiro de 2023.
“É um rechaço total ao PEC da blindagem, da bandidagem, como tem sido dito, que prevê esse absurdo para parlamentares que cometerem crime. A gente entende que é um pacto desse setor antirrepublicano do centrão, com o setor antidemocrático da extrema-direita, para impor uma série de atrasos. E a segunda questão é o PL da anistia, que está avançando na Câmara, ainda que seja pra reduzir pena dos condenados golpistas e a gente acha que isso é um absurdo”, contou.
Luciana Veras, integrante do bloco carnavalesco “Eu Acho É Pouco”, que levou cerca de 20 integrantes da tradicional batucada que desfila nas ladeiras de Olinda, destacou o compromisso histórico e político do grupo.
“O ‘Eu Acho é Pouco’ foi fundado em 1977. O Brasil vivia uma ditadura militar. Então, é um bloco de esquerda, um bloco que nasceu, que foi forjado na luta pela democracia. Quando foram anunciados os atos para o dia 21, quando aquela primeira convocatória circulou, a gente já sabia que ia sair. Então procuramos o diálogo com as entidades, que a gente já sabia que também estariam nos atos, os partidos políticos, as instituições como a frente popular daqui. E aí participamos da construção coletiva do dia de hoje”, contou.
Para Luciana, o protesto foi uma resposta direta ao cenário político da semana. “Hoje é um dia em que o Brasil dá uma resposta ao que foi essa semana. O Brasil não é refém do congresso. Se esse congresso é inimigo do povo, é inimigo da nação, o Brasil está saindo às ruas para mostrar que é contra a anistia, que é contra a blindagem, que é contra a PEC da bandidagem, que é a favor do fim da escala seis por um, que é a favor da isenção de Imposto de Renda, como é que o congresso não pauta imposto de renda para pautar a anistia?”, contou.
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Cartazes reforçam o ato
Cartazes reforçaram as reivindicações durante o protesto. Norma Bravo, psicóloga mexicana que vive no Recife há mais de 15 anos, participou do ato com amigos e segurava um cartaz com os dizeres “Democracia sem anistia”. Para ela, o Congresso Nacional vem legislando contra os interesses da população.
“Temos que lutar pela democracia. Nós estamos diante de um congresso que está legislando contra o povo. Nós estamos diante de um congresso que está ultrapassando o que está escrito na Constituição, então eles estão trabalhando contra o Brasil, contra democracia. (…) Eles legislarem a seu favor num momento que nós precisamos como nação definir outras coisas que são prioritárias como não à escala 6×1, a taxação dos super ricos, porque nesse momento defender uma PEC que só favorece o congresso”, disse a psicóloga.
Outros manifestantes também levaram expressões artísticas e pessoais para o protesto. Day Valença, estudante de enfermagem da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), contou que se inspirou no cantor Ney Matogrosso para montar a representação da sua manifestação neste domingo.
“A referência de Ney aconteceu porque sou um fã do artista. Ele respingou sobre o que aconteceu no passado, a ditadura, e o filme dele atual foi o que fez me fazer essa referência para poder vir hoje”, contou. Day também carregou um cartaz escrito “Se correr o bicho pega. Sem anistia”, em referência a música interpretada pelo cantor do Mato Grosso do Sul.
O figurinista Evandro Viana, da cidade de Olinda, no Grande Recife, levou um figurino especial, que ele já havia utilizado durante o carnaval reforçando seu voto contrário a anistia.
“Essa roupa ela existe há dois dias. Eu já venho falando dessa não anistia no baile dos super-heróis [bloco carnavalesco Enquanto Isso na Sala da Justiça]. No ano passado ela ganhou mais força, a gente ganhou o concurso das Virgens do Bairro Novo [bloco carnavalesco de Olinda], e este ano mais ainda. A importância de estar aqui hoje é vital para qualquer cidadão decente do nosso país porque não podemos admitir que políticos dessa qualidade permaneçam no poder”, falou.
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