
Morador do local mostrou as águas de cor barrenta do Rio Tarauacá, no Jordão, com as águas contaminadas
Arquivo pessoal
A cidade de Tarauacá, no interior do Acre, teve a situação de emergência reconhecida pelo governo federal por conta do derramamento de óleo diesel em 24 de abril, no Rio Tarauacá, após o naufrágio de uma balsa. A portaria foi publicada no Diário Oficial da União (DOU) desta terça-feira (5).
A medida considera os impactos provocados por causa do derramamento de produtos químicos no manancial. Conforme o decreto assinado pelo prefeito Rodrigo Damasceno (Podemos), foi considerada a estimativa entre 50 e 15 mil litros que podem ter sido derramados no rio.
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Com o reconhecimento, o município passa a poder solicitar recursos da União para ações de assistência à população afetada, como envio de ajuda humanitária e recuperação de áreas atingidas. Além da compra de cestas básicas, água mineral e refeição para trabalhadores e voluntários.
À época, em um vídeo gravado por um morador do município era possível ver manchas avermelhadas do óleo. “Estamos muito tristes pois o óleo está poluindo a água, é uma situação triste para as famílias que moram aqui, relatou o indígena Dua Txana.
Jordão e Tarauacá decretaram emergência após derramamento de oléo diesel no rio Tarauacá
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De acordo com o decreto, após a balsa tombar com o combustível, o incidente foi classificado como desastre e gerou riscos à saúde pública e à fauna aquática da região. Apesar do incidente ter ocorrido no Jordão, o produto químico desceu pelo rio e chegou a Tarauacá.
Embora também tenha decretado emergência, o município de Jordão ainda não teve a medida reconhecida. “Combustível destinava-se à geração de energia elétrica nas localidades atendidas. Desastre foi classificado como Contaminação de Recursos Hídricos”, diz o decreto deste município.
Transportadora multada
A Transportadora RI Ltda. foi multada em R$ 3 milhões por conta do derramamento do óleo no Rio Tarauacá. A sanção foi aplicada pelo Instituto de Meio Ambiente do Acre (Imac), que classificou o caso como poluição hídrica, risco à biota aquática e prejuízos diretos às populações ribeirinhas.
O g1 entrou em contato com a Transportadora RI LTDA, responsável pelo carregamento, e aguarda retorno. Segundo o Imac, o derramamento provocou o desabastecimento de água potável no Jordão, e constatou ainda a ausência de equipamentos e medidas adequadas de resposta emergencial para mitigação dos danos.
No último dia 30, a Secretaria de Meio Ambiente (Sema) informou que a embarcação foi retirada do rio pela própria empresa e que não havia mais derramamento de óleo. Equipes da pasta fizeram a coleta e análise de amostras de água do manancial para monitorar qual foi o nível de contaminação.
Caso também é acompanhado pela Secretaria de Saúde (Sesacre) e a Secretaria Povos Indígenas (Sepi), representante da Capitania Fluvial da Amazônia Ocidental, e o Ministério Público do Acre (MP-AC) que instaurou inquérito para apurar o caso.
Irresponsabilidade
Em entrevista à Rede Amazônica Acre, a pesquisadora e especialista em Saúde Pública e Meio Ambiente da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), Sandra Hacon, explicou que a forma de armazenamento do óleo na balsa foi feito de forma errada.
“Era necessário suspender o consumo da água e peixe desse rio à população. O órgão ambiental também precisa de um estudo para saber até onde esse óleo vai atingir, no curso do rio”, disse.
A especialista garantiu que a presença do óleo acaba tirando o oxigênio da água e, com isso, matando os animais. “É uma contaminação química, pois esse óleo tem enxofre, nitrogênio e outros elementos tóxicos para o organismo humano e biodiversidade”, relatou.
Devido à população da região utilizar o rio da beber água e cozinhar, Sandra destacou que não deveria ser permitido a passagem de materiais tóxicos na região. “Esse armazenamento feito assim, em uma balsa, jamais deveria ser permitido. É uma irresponsabilidade com a população”, pontuou.
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