
O empresário Fernando Sampaio de Souza e Silva, dono da empresa Outsider Tours preso na última sexta-feira (26), foi denunciado pelo Ministério Público e se tornou réu na Justiça de Sergipe após mais um caso de fraude na venda de ingressos e pacotes para eventos esportivos.
De acordo com a denúncia do MP de Sergipe, obtida com exclusividade pelo RJ2, Fernando e o amigo e sócio, Armando Raymundo Neto, causaram um prejuízo de R$ 14,7 mil para duas vítimas. O crime foi cometido, segundo a denúncia, “com prévio ardil de não honrar os contratos”.
Armando, que também se tornou réu e já é considerado foragido pela Justiça, é dono da empresa Turisport, também citada em vários processos por estelionato por fraude na venda de pacotes de eventos esportivos.
Os torcedores compraram pacotes para a final da Libertadores de 2025, em Lima, entre Flamengo e Palmeiras, e fizeram o pagamento via pix ou boletos bancários.
Armando Neto, dono da empresa Turisport, e Fernando Sampaio, da Outsider
Reprodução/Facebook
A partir daí, o caso era bastante semelhante a outros denunciados pelo g1 Rio e pela TV Globo: à medida que as partidas decisivas se aproximavam, Fernando e Armando eram procurados pelas vítimas sobre os vouchers de viagem, que nunca eram entregues.
Depois, os dois paravam de atender às vítimas e desapareciam com o dinheiro recebido, sem dar novas informações e nem efetuar qualquer ressarcimento pelo prejuízo causado.
Dono da empresa de turismo Outsider Tours é preso em Santa Catarina
Em uma das ações judiciais recentes, Fernando tentou fazer acordo com o MPRJ para não ser processado, mas o benefício foi negado pela justiça.
O argumento foi que, somente no Rio de Janeiro, ele é alvo de mais de quarenta inquéritos por vender pacotes e não entregar.
Uma operação da Delegacia do Consumidor cumpriu 9 mandados contra Fernando e Armando Raymundo Neto em abril.
Prisão mantida
Na sexta-feira, a Polícia Federal prendeu Fernando com um mandado de prisão da Justiça do Sergipe quando ele chegava no aeroporto internacional do Galeão. O empresário vinha de Balneário Camboriú, onde passou a morar no final do ano passado.
A prisão preventiva de Fernando foi mantida após audiência de custódia na Justiça do Rio. Fernando estava preso na unidade prisional de Benfica, na Zona Norte do Rio, até esta terça-feira (30), quando foi transferido para um presídio em Japeri, na Baixada Fluminense.
Em uma operação de maio da Polícia Civil, Fernando e Armando foram alvos de busca e apreensão.
Na denúncia do MP do Rio, o promotor pediu a suspensão das atividades comerciais de todas as empresas ligadas a Fernando, e que as páginas em redes sociais e na internet sejam tiradas do ar. O objetivo é impedir que novas vítimas sejam lesadas.
Histórico de estelionatos e golpes
Como sócio de diferentes empresas de turismo, além da Outsider, Fernando Sampaio responde a mais de 600 processos em todo o país desde 2019.
Em janeiro de 2026, após mais casos nas finais de Liga dos Campeões de 2024 e 2025 e na última final da Taça Libertadores da América, Fernando foi preso em Santa Catarina com um mandado da Justiça do Pará. Em abril, foi solto após realizar o pagamento do prejuízo para as vítimas.
Atualmente, Fernando responde a um processo criminal na Justiça do Rio de Janeiro por estelionato, crime pelo qual foi indiciado ano passado 2 vezes.
Em nota, a defesa informou que teve acesso à denúncia, mas que ainda não conseguiu obter a decisão que decretou a prisão preventiva de Fernando, que é réu primário, segundo seus advogados.
A defesa afirmou ainda que o crime pelo qual ele é acusado foi cometido sem violência ou grave ameaça, e que a acusação será submetida ao devido processo legal. (veja a nota completa ao fim da reportagem).
Fernando Sampaio é sócio da Outsider Turismo Ltda
Reprodução
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Alvos de mais de 600 processos
Em 2025, a Polícia Civil indiciou 2 vezes Fernando Sampaio, por estelionato. Ele e suas empresas são alvos de mais de 600 processos e registros de ocorrência em todo o Brasil.
Outras investigações estão em andamento em delegacias especializadas do Rio, além de uma investigação na Polícia Civil de São Paulo após um prejuízo de R$ 1,2 milhão para uma empresa paulista. Uma agência de turismo da Bahia cobra R$ 5,9 milhões de Fernando na Justiça Cível.
Outsider Tours inapta; ‘braço’ permanece ativo
Em novembro do ano passado, o CNPJ da Outsider Turismo LTDA, que tem o nome fantasia Outsider Tours, já era tratado como de uma empresa inapta.
O motivo citado no documento, obtido pela reportagem do g1 e da TV Globo, é que existe um inadimplemento da empresa em processos na Justiça do Trabalho.
Diversos clientes que ganharam processos contra a Outsider Tours na Justiça disseram que não conseguem citar a empresa ou Fernando. O suposto endereço da empresa era na Rua do Passeio, no Centro do Rio.
Para suas operações, Fernando ainda utilizava outras empresas:
Outsider Tour SP LTDA, localizada no Brooklin, em São Paulo;
AIT Operadora de Turismo LTDA, localizada na Barra da Tijuca, Zona Sudoeste do Rio
High Light Consolidadora Viagens e Turismo LTDA, na Rua do Passeio, no Centro do Rio;
Turisport Turismo LTDA, localizada na rua da Quitanda, no Centro do Rio.
Arena Consultoria Esportiva, localizada em Ipanema, na Zona Sul do Rio
Infinito Viagens Turismo Eventos Limitada, na Rua do Passeio, no Centro do Rio
Armando Neto, dono da empresa Turisport, e Fernando Sampaio, da Outsider
Reprodução/Facebook
A Turisport pertence a um ex-funcionário de Fernando na Outsider: Armando Raymundo Neto, que aparecia em diversas fotos em redes sociais com Fernando.
O PIX da Outsider Tours para pagamento de pacotes turísticos é o da empresa Turisport. Antes de ser preso, Fernando diz que a Turisport tinha se tornado um “braço” da Outsider:
“Hoje a gente recebe pela Turisport. É uma empresa que é o braço de esporte da Outsider. Inclusive, o nome fantasia é Outsider já há bastante tempo. A gente recebe hoje no pix outsiders tours.com o CNPJ da Turisport”, afirmou ele em outubro do ano passado.
Na Receita Federal, a Turisport, que utiliza o nome fantasia Outsider, permanece ativa.
A empresa Arena Consultoria Esportiva pertence a Letícia Coppi da Silva, com quem Fernando teve um filho. A empresa foi aberta em março do ano passado. Segundo investigações da Polícia Civil do Rio, ela é usada para receber pagamentos pela Outsider.
Comprovante de pagamento feito para a empresa Turisport
Reprodução
Nota de defesa do empresário
“A defesa técnica de Fernando Sampaio de Souza e Silva, representada pelos advogados Felipe Raúl Haas e Fernando Martins Xavier de Almeida, informa que já obteve acesso à denúncia oferecida pelo Ministério Público e a parte dos autos da ação penal em trâmite perante a Justiça do Estado de Sergipe.
Entretanto, até o presente momento, a defesa permanece sem acesso à decisão que decretou a prisão preventiva de Fernando Sampaio, uma vez que referido pronunciamento judicial segue submetido a sigilo. Essa circunstância impede o conhecimento dos fundamentos concretos que justificaram a medida cautelar e compromete o pleno exercício do contraditório e da ampla defesa em relação à própria decisão constritiva.
A denúncia imputa a Fernando Sampaio, em síntese, a suposta prática do crime de estelionato simples, delito cometido sem violência ou grave ameaça. Trata-se de acusação que será integralmente submetida ao devido processo legal, com ampla produção de provas e efetivo contraditório, inexistindo qualquer juízo definitivo de responsabilidade.
Cumpre destacar, ainda, que Fernando Sampaio é tecnicamente primário e responde por imputação que, pelas suas características e pela ausência de violência ou grave ameaça, possui fundamentação concreta, individualizada e compatível com os requisitos legais para justificar a excepcional imposição da prisão preventiva.
A prisão cautelar constitui medida de natureza excepcional e somente pode ser decretada quando estritamente presentes os requisitos previstos na legislação processual penal. A defesa realizará rigorosa análise da legalidade da decisão tão logo lhe seja assegurado acesso aos seus fundamentos, adotando todas as medidas judiciais cabíveis para resguardar os direitos e garantias constitucionais do seu constituinte.
Por respeito ao processo, ao sigilo judicial incidente sobre parte dos autos e à própria Justiça, a defesa não fará comentários adicionais sobre o mérito da acusação neste momento.
Felipe Raúl Haas
OAB/RS 107.991
Fernando Martins Xavier de Almeida
OAB/RJ 238.785”
