
Família vive apreensão após desaparecimento de tocantinense voluntário na guerra da Ucrâni
Joana Maria Martins vive um momento de angústia depois de receber a notícia de que seu filho, Eliseu Delis Pereira Martins, morreu durante a guerra na Ucrânia. Conforme o Itamaraty, as autoridades ucranianas notificaram que o brasileiro se encontra no quadro de “desaparecido em combate”.
Segundo a família, em março de 2026, o tocantinense saiu da Bélgica e foi para a Polônia depois de ver uma proposta para ser voluntário no conflito. A mãe explicou que a oferta dizia que os voluntários receberiam um bom salário e isso teria motivado o filho.
“Eles informavam que era a reconstrução da cidade, que o salário era bom e que tinha operador de drone, tinha vaga para quem queria cozinhar, momento nenhum eles mencionaram frente de guerra. Quando foi no dia 4 de março desse ano, ele comprou a passagem. Quando ele chegou lá, ele falou: ‘Mãe, eu vou fazer um treinamento de 60 dias para poder participar da linha de frente'”, contou ao g1.
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O tocantinense, natural de Miracema do Tocantins, estava na Europa desde janeiro de 2025 e decidiu se inscrever para atuar na guerra em dezembro do mesmo ano. Eliseu só foi para a Ucrânia em março de 2026. A mãe contou que tentou alertar o filho sobre o perigo do trabalho, mas foi informada por Eliseu, que após se apresentar para os serviços, não tinha como escolher a função em que iria atuar.
“Eu falei: você não vai, não. E ele: ‘Mãe, a gente vem para cá e é uma coisa… Quando a gente chega aqui, é outra. Eu não posso escolher, eu simplesmente sou mandado e eu tenho que fazer isso”.
Eliseu Delis Pereira Martins, em serviço na Ucrânia.
Joana Maria Martins/Arquivo pessoal
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Joana falou com o filho pela última vez no dia 13 de abril, por videochamada. Conforme a mãe, ela soube da morte de Eliseu pelas redes sociais. No dia 29 de abril, ao procurar informações sobre o filho, recebeu a confirmação da morte dele por meio de outro brasileiro que atua na Ucrânia. “Me ligou para falar que ele [Eliseu] tinha tombado”.
Segundo a mãe, ela não tem informações sobre o dia em que Eliseu morreu e onde está o corpo. A família entrou em contato com o Itamaraty, mas não teve resposta sobre o caso até esta quarta-feira (6).
Joana falou com o filho pela última vez no dia 13 de abril, por videochamada. Conforme a mãe, ela soube da morte de Eliseu pelas redes sociais. No dia 29 de abril, ao procurar informações sobre o filho, recebeu a confirmação da morte dele por meio de obrasileiro que atua na Ucrânia. ssistência consular e com as autoridades ucranianas.
O Ministério ainda disse que, nos casos em que as autoridades ucranianas reportam o falecimento ou desaparecimento de um brasileiro em combate, a Divisão de Comunidades Brasileiras e Assistência Consular do Itamaraty, comunica os familiares e encaminha um documento formulado pelo governo ucraniano a respeito das providências que deverão ser tomadas.
Joana Maria Martins e o filho Eliseu Delis Pereira Martins
Joana Maria Martins/Arquivo pessoal
Eliseu era morador de Palmas e deixou duas filhas. Sem respostas sobre o paradeiro do filho, a mãe tenta lidar com a dor.
“Eu acordo pensando nele, porque ele me ligava todas as vezes, ele me ligava quatro, cinco vezes ao dia. Hoje eu não recebo mais ligação do meu filho. A última vez que ele me ligou, eu vi a tristeza nos olhos dele. Hoje eu sou uma mãe que chora dia e noite”, disse.
Guerra na Ucrânia
A guerra entre Ucrânia e Rússia completou quatro anos em fevereiro de 2026. O conflito começou após o exército russo tomar o controle de regiões estratégicas do leste ucraniano. De acordo com o Centro de Estudos Estratégicos e Internacionais, a Rússia controla 120 mil km² do território ucraniano atualmente.
Durante os quatro anos, os dois países firmaram e violaram acordos de cessar-fogo. O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, também se envolveu no conflito e tentou pôr fim à guerra por meio de negociações.
Nota do Ministério das Relações Exteriores
Informa-se que o governo brasileiro, por meio da Embaixada do Brasil em Kiev, foi notificado pelas autoridades ucranianas acerca do status de “desaparecido em combate” do nacional brasileiro mencionado. O Itamaraty está em contato com a família do brasileiro, a quem presta assistência consular, e com as autoridades ucranianas.
Em casos em que as autoridades ucranianas reportam o falecimento comprovado ou o desaparecimento em combate de um brasileiro, a Embaixada do Brasil em Kiev, em coordenação com a Divisão de Comunidades Brasileiras e Assistência Consular do Itamaraty, em Brasília, comunica os familiares no Brasil a respeito do ocorrido e encaminha documento formulado pelo governo ucraniano a respeito de providências a serem tomadas pela família junto àquele governo.
O Ministério das Relações Exteriores, por meio das Embaixadas do Brasil em Moscou e em Kiev, permanece à disposição para prestar assistência consular ao nacional brasileiro.
O atendimento consular prestado pelo estado brasileiro é feito a partir de contato do cidadão interessado ou, a depender do caso, de sua família. A atuação consular do Brasil pauta-se pela legislação internacional e nacional.
Note-se que a prestação de assistência consular em situações que envolvem nacionais engajados em forças armadas de terceiros países apresenta especificidades, inerentes às obrigações contraídas no ato de alistamento e às circunstâncias no terreno de operações.
Em atendimento ao direito à privacidade e em observância ao disposto na Lei de Acesso à Informação e no decreto 7.724/2012, o Ministério das Relações Exteriores não divulga informações pessoais de cidadãos que requisitam serviços consulares e tampouco fornece detalhes sobre a assistência prestada a brasileiros.
Informa-se que o Ministério das Relações Exteriores publicou alerta recente sobre a participação de combatentes brasileiros em conflitos armados em terceiros países.
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