
Cartão que mãe biológica guardava com uma foto dela bebê em um caderno de poesia, sonhava em encontrar a filha.
Arquivo Pessoal
Daniely Coelho Rozalino, moradora de Cordeiro, na Região Serrana do Rio, viveu neste ano um reencontro que transformou sua história.
Adotada ainda bebê, de forma informal, ela conseguiu descobrir suas origens biológicas após 48 anos de buscas e recebeu, pela primeira vez, uma foto tirada na maternidade logo após seu nascimento, imagem que havia sido guardada pela mãe biológica durante toda a vida.
A descoberta revelou uma coincidência surpreendente: embora tenha crescido acreditando que suas origens estavam distantes, por ter nascido em uma maternidade na cidade do Rio de Janeiro.
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Pais adotivos, tinham perdido um filho e adotaram Daniely
Arquivo Pessoal
Sua família biológica sempre esteve muito mais perto do que imaginava, com parentes vivendo na própria região e até pessoas com quem ela conviveu ao longo da vida sem saber que compartilhavam laços de sangue.
Segundo a família, os pais adotivos haviam perdido uma gestação anterior e não podiam ter filhos biológicos. Após receberem a informação de que havia uma bebê disponível no Rio de Janeiro, viajaram de ônibus até a capital para buscá-la e a levaram para Cordeiro.
A adoção ocorreu de maneira informal, prática popularmente conhecida como “adoção à brasileira”, comum em décadas passadas, mas sem registros oficiais detalhados sobre a origem da criança.
Mesmo recebendo amor e acolhimento da família adotiva, a moradora sempre conviveu com dúvidas sobre sua história.
“Eu descobri que era adotada aos 15 anos, e foi aí que mudou a minha história. Até então, eu achava que era filha biológica deles, mas sentia que havia algo diferente. Quando soube, comecei minha busca”, contou Danielly Coelho.
Daniely Coelho Rozalino, com sua família adotiva ainda criança
Arquivo Pessoal
Chamada de vídeo com sua família biológica
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Mãe biológica nunca deixou de procurar
A investigação revelou que a mãe biológica foi obrigada pelo próprio pai a entregar a filha logo após o nascimento, ainda na maternidade. Antes da separação, a mulher registrou à mão, em um cartão com fotografia oficial da maternidade, o nome que gostaria de dar à bebê: Patrícia.
Durante décadas, ela guardou essa foto em um caderno de poesias, mantendo viva a esperança de reencontrar a filha.
A irmã biológica,Ingrid Bianca Freitas, contou que já havia perdido as esperanças de encontrar a irmã após a morte da mãe, mas a descoberta transformou completamente sua vida.
“A realidade desse encontro ainda não aconteceu, mas está chegando e eu estou muito ansiosa. Quando a mamãe faleceu, encontrei as coisas dela, o cartão da maternidade e aquela lembrança guardada. Eu já não tinha mais esperança. A vida surpreende a gente com coisas inexplicáveis, e receber essa notícia foi uma das melhores coisas que me aconteceu.”, afirmou.
Familiares relataram que ela procurava constantemente pela menina, inclusive fazendo buscas em bairros do Rio de Janeiro, especialmente em Realengo, onde acreditava que a criança pudesse estar.
O ponto de virada aconteceu quando a filha de Danielly iniciou uma investigação genealógica detalhada, utilizando exames de DNA e plataformas especializadas, como o Genera e o GEDmatch. A partir dos resultados, ela passou a montar árvores genealógicas e investigar famílias do interior fluminense.
O processo foi complexo devido ao grande número de casamentos entre parentes em algumas regiões, o que dificultava identificar diretamente os pais biológicos.
Mesmo assim, a investigação levou à descoberta de que a família materna tinha fortes raízes justamente na região de Cordeiro e Santa Rita da Floresta.
Dia das Mães com novo significado
A descoberta aconteceu às vésperas do Dia das Mães, tornando a data ainda mais simbólica.
Embora a mãe biológica já tenha falecido, Danielly agora reconstrói sua história ao lado de irmãos, sobrinhos e outros familiares recém-descobertos.
“Minha irmã me mostrou a foto de quando eu era bebê, e eu nunca tinha visto uma imagem minha daquela época. Saber que minha mãe guardou essa foto durante toda a vida foi o momento mais emocionante da minha história”, disse.
“Esse Dia das Mães representa um recomeço. Infelizmente não vou poder conhecer minha mãe, mas ouvir sua história e saber que ela nunca me esqueceu ajuda a preencher essa ausência”.
Para a família, o reencontro encerra décadas de perguntas e inaugura uma nova fase marcada pela reconstrução de laços e pela descoberta de uma identidade que, mesmo desconhecida, sempre esteve muito próxima.
