
Anvisa retira da pauta de reunião desta quarta julgamento do recurso da Ypê
A Diretoria Colegiada da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) retirou da pauta desta quarta-feira (13) o julgamento do recurso apresentado pela Química Amparo, fabricante dos produtos da marca Ypê, contra a resolução que determinou a suspensão da fabricação e o recolhimento de lotes de detergente lava-louças, sabão líquido para roupas e desinfetante.
De acordo com o diretor-presidente da Anvisa, Leandro Pinheiro Safatle, o tema retornará para avaliação do colegiado na próxima sexta-feira (15). Ao g1, a Anvisa informou que marcou a reunião para as 9h30.
Safatle explicou que, durante inspeção conjunta realizada pela Anvisa, pela vigilância sanitária do estado de São Paulo e pela vigilância municipal de Amparo, foram identificadas 76 irregularidades na unidade da empresa.
As falhas apontam problemas graves relacionados à qualidade microbiológica, com identificação de contaminação em mais de 100 lotes, além de ineficiência no controle de materiais embalados.
“A Anvisa e a empresa estão realizando reuniões técnicas para mitigação do risco sanitário identificado. A empresa apresentou os investimentos já realizados, intensificou os esforços para adequação das irregularidades e se comprometeu a apresentar medidas para a correção dessas ações amanhã, dia 14 de maio de 2026, com vistas ao cumprimento das determinações sanitárias destinadas à correção das não conformidades identificadas”, disse o diretor-presidente da Anvisa.
Safatle reiterou a recomendação para que os consumidores NÃO utilizem os produtos dos lotes informados e procurem o serviço de atendimento ao consumidor da empresa para orientações.
Imagens mostram inspeção sanitária realizada na fábrica da Ypê
Reprodução/TV Globo
Reunião na terça-feira em Brasília
Na terça, a equipe da Anvisa recebeu representantes da empresa para apresentação das ações em andamento destinadas a corrigir falhas nas linhas de produção de detergentes lava-louças, sabões líquidos para roupas e desinfetantes líquidos.
De acordo com a Anvisa, a empresa informou que está “intensificando os trabalhos” para executar 239 ações corretivas na fábrica localizada em Amparo (SP), com o objetivo de atender às exigências da vigilância sanitária.
As medidas levam em consideração inspeções realizadas nos anos de 2024 e 2025.
A decisão foi tomada a partir de uma avaliação técnica de risco sanitário conduzida pela Anvisa em articulação com o Sistema Nacional de Vigilância Sanitária, após inspeção conjunta com o Centro de Vigilância Sanitária de São Paulo e a Vigilância Sanitária de Amparo, no interior paulista, onde fica a unidade da Química Amparo.
Durante a última inspeção, segundo a Anvisa, foram constatados descumprimentos relevantes em etapas críticas do processo produtivo, incluindo falhas nos sistemas de garantia da qualidade, produção e controle de qualidade.
Os problemas identificados comprometem o atendimento aos requisitos das chamadas Boas Práticas de Fabricação de saneantes e indicam risco à segurança sanitária dos produtos, com possibilidade de contaminação microbiológica — a presença indesejada de microrganismos que podem causar doenças.
📝ENTENDA: As Boas Práticas de Fabricação (BPF) da Anvisa são um conjunto de normas, princípios e procedimentos técnicos obrigatórios que garantem a segurança, qualidade e eficácia de produtos como medicamentos, alimentos, cosméticos e saneantes.
➡️ Após a publicação da resolução, a empresa apresentou um recurso administrativo com pedido de efeito suspensivo, o que paralisa as obrigações impostas pela Anvisa até que a Diretoria Colegiada delibere sobre o caso.
Em nota divulgada no dia 8 de maio, a agência informou que mantém a avaliação técnica de risco e orientou os consumidores a NÃO utilizarem os produtos atingidos pela medida, mesmo durante o período em que o recolhimento está suspenso.
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