Justiça toma nova decisão sobre o caso Vanessa Lara em Minas Gerais
“Não dá pra ficar feliz, mas a liminar mostra que nossa mobilização está surtindo efeito”, diz Matheus Oliveira, irmão de Vanessa Lara de Oliveira Silva, ao comentar a decisão da Justiça que determinou que a concessionária Way-262, empresa responsável pela manutenção da BR-262, pague pensão mensal à mãe da jovem encontrada morta às margens da rodovia em fevereiro deste ano, em Juatuba, na Região Metropolitana de Belo Horizonte. Cabe recurso.
Para a família, que é de Pará de Minas, no Centro-Oeste de MG, a medida reconhece que falhas na segurança e na manutenção às margens estrada contribuíram para o crime.
A Justiça determinou pensão mensal de R$ 1.562,09 à mãe da vítima de feminicídio, cujo corpo foi localizado às margens da rodovia, em um trecho tomado pelo matagal e próximo a um ponto de ônibus. Ela estava sem roupas e apresentava sinais de violência sexual e estrangulamento (relembre o caso abaixo).
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Na decisão, o juiz Leonidas Amaral Pinto apontou falha grave na manutenção da rodovia. Segundo a sentença, a vegetação densa no local obrigava pedestres a usarem um caminho improvisado, aumentando o risco à segurança.
O magistrado destacou ainda que a Prefeitura de Juatuba já havia solicitado a limpeza da área em janeiro, alertando para o perigo, mas a concessionária Way-262, responsável pela rodovia, não tomou providências.
O processo tramita em segredo de Justiça. A concessionária ainda será citada e poderá se manifestar ao longo da ação. O g1 entrou em conta com a Way-262, mas não obteve retorno até a última atualização desta reportagem.
Irmão de Vanessa comenta a decisão da Justiça
Matheus e Vanessa Lara de Oliveira
Reprodução/Redes Sociais
O pagamento deverá ser feito até o 5º dia útil de cada mês. Em caso de descumprimento, foi fixada multa diária de R$ 1 mil, limitada inicialmente a R$ 50 mil.
“Se tivesse existido respeito à segurança pública, o que aconteceu com minha irmã talvez não tivesse acontecido. O criminoso tem que ser culpado, claro, mas existem coisas que contribuíram para isso, e o mato alto foi uma delas”, afirmou.
Segundo Matheus, a família continuará cobrando providências para evitar que outras pessoas enfrentem a mesma situação.
“Adolescentes passam por lá todos os dias. Eu não queria que outra família passasse pelo que estamos passando”, disse.
Ele também afirmou que pretende acompanhar o caso até o fim.
“Tudo que tiver contribuído para isso queremos que seja responsabilizado. Se algo de ruim tivesse acontecido com um de nós, minha irmã iria até o fim. Então, eu vou até o fim por ela”, completou.
Relembre o caso
Vanessa Lara estava desaparecida desde que saiu de Pará de Minas de ônibus para trabalhar em Juatuba
Reprodução/Redes sociais
Vanessa Lara de Oliveira Silva, de 23 anos, foi encontrada morta em Juatuba, na Grande BH, em 10 de fevereiro deste ano. A estudante tinha desaparecido ao sair do trabalho, na tarde do dia anterior, quando conversou com a família pela última vez e parou de receber ligações.
O suspeito do crime foi identificado como Ítalo Jefersson da Silva, de 43 anos. Segundo o registro da Polícia Militar, parentes do homem disseram que ele chegou em casa sujo de barro, com lesões e arranhões no corpo e marcas de sangue nas roupas no dia do crime.
Ítalo foi preso em 12 de fevereiro, em Carmo do Cajuru, a 115 quilômetros da capital mineira. Conforme a Secretaria de Estado de Justiça e Segurança Pública (Sejusp), ele tinha passagens pelo sistema prisional desde 2003 e, em dezembro, havia conseguido a progressão do regime fechado para o semiaberto domiciliar.
Ítalo Jefersson da Silva, de 43 anos, preso suspeito de matar Vanessa Lara em Juatuba
Polícia Militar/Divulgação
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