
O Supremo Tribunal Federal (STF) está apurando denúncias de supostas irregularidades na destinação de emendas parlamentares a empresas da produtora artística responsável pelo filme sobre a vida do ex-presidente Jair Bolsonaro, a obra Dark Horse.
De acordo com despacho a que o iG teve acesso nesta quinta-feira(14), a denúncia foi feita pela deputada federal Tabata Amaral (PSB), que acusa o também deputado federal Mário Frias (PL) de ter destinado recursos públicos para um conjunto de empresas e entidades relacionadas à produtora de Karina Ferreira da Gama, responsável pelo longa-metragem.
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Há mais de um mês, de acordo com a Agência Brasil, oficiais de justiça tentam cumprir uma determinação do ministro Flávio Dino, do STF, e intimar Frias a prestar esclarecimentos sobre as supostas irregularidades.
Em 21 de março, o ministro Flávio Dino deu cinco dias para o parlamentar responder à denúncia.
Segundo os autos da Arguição de Descumprimento de Preceito Fundamental (ADPF) nº 854, a oficial de Justiça Federal encarregada de intimar Frias esteve no gabinete do deputado, na Câmara dos Deputados, em Brasília, em ao menos três ocasiões entre março e abril.
Em todas as vezes, foi atendida por assessores parlamentares que informaram que Frias estaria em São Paulo, em compromissos de campanha, e que não demonstraram “interesse em informar a agenda do parlamentar”.
“Alvo de ataques”
Em suas redes sociais, Frias, que é produtor executivo do filme, negou que tenha envolvimento de dinheiro público na produção.
Disse que desde o anúncio do projeto, o filme Dark Horse vem sendo “alvo reiterado de ataques direcionados não apenas à produção do filme, mas também à sua própria viabilidade e futura exibição”.
Segundo ele, “há uma tentativa permanente de descredibilizar a obra perante a opinião pública, investidores e parceiros do setor audiovisual, muitas vezes por motivações claramente políticas e ideológicas”.
E concluiu que o projeto segue firme, estruturado e respaldado por profissionais experientes da indústria cinematográfica internacional.
O iG também tentou contato com a ONG presidida pela produtora Karina Ferreira da Gama e que , segundo a denúncia de Tábata, teria recebido a emenda, mas não obteve resposta, até o momento. O espaço segue aberto.
Polêmica
A polêmica envolvendo a cinebiografia de Jair Bolsonaro foi gerada reportagem publicada pelo site The Intercept Brasil, nesta quarta-feira (13), revelando que o senador e pré-candidato a Presidência pelo PL, Flávio Bolsonaro, pediu ao dono do Banco Master, Daniel Vorcaro, que está preso por conta de investigação de fraude financeira, que destinasse cerca de R$ 134 milhões para custear o filme Dark Horse. Deste total, Vorcaro teria liberado ao menos R$ 61 milhões.
Áudios divulgados revelam que o senador e o banqueiro trocaram mensagens.
