Uma estrutura de concreto do tamanho de um prédio de 10 andares sendo empurrada mar adentro e afundada sobre o leito oceânico, não é cena de filme. É rotina na costa oeste de Singapura, onde o megaporto Tuas Port avança com uma engenharia que transforma o próprio mar em terreno sólido para abrigar a maior operação portuária do planeta.
O que é o Tuas Port e por que Singapura precisa de um novo porto?
Singapura já é um dos maiores centros de transbordo de contêineres do mundo, mas suas terminais históricas estão espalhadas por locais diferentes e atingindo o limite de capacidade. O plano é concentrar tudo em um único complexo: o Tuas Port, projetado para movimentar até 65 milhões de TEUs por ano quando estiver plenamente operacional na década de 2040.
O projeto é dividido em quatro fases. A primeira foi concluída em 2021, e os dois primeiros berços começaram a operar em dezembro daquele ano. A segunda fase, a maior em extensão de terra reclamada, avança com 387 hectares de terreno arrancado do mar.

Como funcionam os caixões de concreto que formam a muralha marítima?
Os caixões, chamados de caissons, são blocos ocos de concreto pré-fabricados no próprio canteiro de obras. Cada um mede aproximadamente 28 metros de altura, pesa cerca de 15.000 toneladas e equivale em peso a 8.000 carros. Depois de prontos, são flutuados até a posição definitiva e afundados sobre uma base de rocha preparada no leito marinho.
Alinhados lado a lado, eles formam uma muralha contínua que isola o interior do mar aberto. A área interna é então aterrada com material dragado para criar terreno sólido onde os berços, pátios e equipamentos do porto serão instalados.
Quantos caixões já foram fabricados e qual a extensão da muralha?
Na primeira fase, foram fabricados e instalados 221 caixões para formar 8,6 km de muralha marítima. Na segunda fase, a Autoridade Marítima e Portuária de Singapura completou a fabricação de todos os 227 caixões em abril de 2022, formando 9,1 km adicionais de parede costeira.
Somadas as duas fases, a obra produziu 448 caixões e mais de 17 km de muralha submarina, criando 681 hectares de terra que simplesmente não existia antes. Os números colocam essa construção entre as maiores obras de reclamação de terra já executadas no mundo.

O que torna esse porto diferente dos terminais convencionais?
Além da escala, o Tuas Port foi projetado desde o início como um porto automatizado e digital. A operação prevê veículos autônomos guiados por inteligência artificial, guindastes controlados remotamente e um gêmeo digital que replica cada processo em tempo real para otimizar decisões logísticas.
As principais inovações planejadas para o complexo incluem:
- Veículos autônomos (AGVs) com sensores Lidar e modelos preditivos baseados em IA
- Guindastes automatizados operados a distância, sem operador na cabine
- Conectividade 5G dedicada para operações de missão crítica e baixa latência
- Gêmeo digital que integra dados de sensores, câmeras e radares em tempo real
- Berços com profundidade de 23 metros, preparados para meganavios acima de 450 metros
No vídeo a seguir, o perfil do MPA Singapore, com mais de 4 mil inscritos, mostra um pouco sobre esse porto:
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Quando o megaporto ficará pronto e qual será sua capacidade total?
A conclusão total está prevista para a década de 2040. Até lá, as operações das terminais antigas de Tanjong Pagar, Keppel e Brani serão transferidas para Tuas até 2027, e as de Pasir Panjang serão consolidadas na sequência. Quando todas as fases estiverem operacionais, o porto terá capacidade para movimentar 65 milhões de TEUs anuais, o equivalente a 65 milhões de contêineres de 20 pés.
Para colocar em perspectiva, o porto de Xangai, atualmente o maior do mundo em volume, movimentou cerca de 49 milhões de TEUs em 2023. O Tuas Port pretende superar esse número com folga e manter Singapura na liderança da logística marítima global por décadas.

O que a liberação dos terrenos antigos significa para Singapura?
A transferência de todas as operações para Tuas não é apenas uma questão portuária. As terminais antigas ocupam terrenos costeiros valiosos no centro e no sul da ilha. Com a mudança, Singapura planeja transformar essas áreas no chamado Greater Southern Waterfront, um megaprojeto urbano que deve criar novos bairros residenciais, comerciais e de lazer ao longo da costa.
É uma reorganização logística que libera terras estratégicas para expansão urbana em um país onde cada metro quadrado conta. O megaporto resolve dois problemas ao mesmo tempo: garante a competitividade portuária para as próximas décadas e devolve à cidade espaços que estavam ocupados por contêineres desde os anos 1970.
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