
O T-62 é uma lenda da Guerra Fria que redefiniu as regras do combate blindado. Este tanque soviético foi o primeiro veículo terrestre a introduzir um canhão de alma lisa, uma inovação de 115 mm que revolucionou a capacidade de perfuração de couraças e mudou o design de blindados em todo o mundo.
Por que o canhão de alma lisa superou os canhões raiados?
Até a introdução desta tecnologia, os tanques utilizavam canhões com “raias” (ranhuras espirais no interior do cano) que faziam o projétil girar para manter a estabilidade no ar. No entanto, esse giro diminuía a eficiência dos novos projéteis HEAT (alto-explosivo antitanque), que dependiam de um jato de metal derretido para perfurar o alvo.
O canhão de alma lisa do T-62 não possuía essas ranhuras, permitindo disparar projéteis a velocidades hipersônicas sem que eles girassem. Segundo os arquivos de inteligência desclassificados da CIA (Central Intelligence Agency), essa tecnologia garantiu aos soviéticos uma vantagem tática brutal, capaz de perfurar a blindagem de qualquer tanque da OTAN da época.

Quais foram as inovações no design do projétil APFSDS?
Com o cano liso, a estabilidade do disparo teve que mudar. A solução foi o projétil APFSDS (Penetrador de Energia Cinética Estabilizado por Aletas). Esse projétil parecia um dardo de metal pesado (geralmente tungstênio) que não explodia, mas usava pura velocidade e massa para atravessar a blindagem inimiga como uma agulha quente em manteiga.
Para compreender a ruptura tecnológica que o blindado soviético impôs no campo de batalha, elaboramos a comparação abaixo com os armamentos ocidentais contemporâneos:
| Tecnologia do Canhão | T-62 (Soviético – 115 mm Alma Lisa) | M60 Patton (Americano – 105 mm Raiado) |
| Munição Principal | APFSDS (Dardo estabilizado por aletas) | Projéteis tradicionais perfurantes |
| Velocidade do Projétil | Extrema (Maximizada pela ausência de atrito no cano) | Alta, mas limitada pelas ranhuras internas |
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Como o design compacto favoreceu a sobrevivência do tanque?
Seguindo a doutrina soviética, o blindado possuía um perfil extremamente baixo. A torre redonda em forma de “frigideira” tornava o veículo um alvo difícil de ser atingido à distância, além de desviar projéteis que não acertassem o aço no ângulo perfeito de 90 graus.
Abaixo, detalhamos os parâmetros técnicos que tornaram este blindado uma força temida globalmente:
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Armamento Inovador: Canhão U-5TS de 115 mm (Primeiro alma lisa do mundo).
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Ejeção de Cápsulas: Sistema mecânico automático que ejetava cápsulas vazias por uma portinhola na torre traseira.
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Blindagem Frontal: Aço fundido espesso e inclinado.
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Tripulação: 4 homens (comandante, atirador, municiador e motorista).
Por que a ejeção automática de cápsulas causava problemas?
Para compensar o espaço restrito dentro da torre, o tanque foi equipado com um mecanismo que capturava a cápsula de pólvora recém-disparada e a ejetava automaticamente para fora do veículo. Embora inovador, o sistema era perigoso; se mal alinhado, a cápsula quente ricocheteava dentro da cabine apertada.
Além disso, o carregamento do canhão pesado exigia que a arma fosse travada em um ângulo específico, o que impedia a mira contínua durante o processo de recarga, deixando o tanque momentaneamente vulnerável em combates em movimento.
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Qual o legado deste blindado no cenário militar moderno?
O canhão de alma lisa provou ser tão superior que, décadas depois, praticamente todos os tanques modernos do mundo (incluindo o M1 Abrams americano e o Leopard 2 alemão) adotaram a tecnologia lisa de 120 mm, abandonando os canos raiados para combate antitanque.
Para a engenharia bélica, o T-62 é o “pai” dos canhões modernos. Ele demonstrou que, no brutal jogo de xadrez da guerra mecanizada, a física da velocidade e do design de projéteis sempre vencerá a simples espessura do aço.
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