Número de alunos com Transtorno do Espectro Autista aumentou mais de 50% na UnB


Fachada da UnB, em imagem de arquivo
Fabio Rodrigues Pozzebom/Agência Brasil
Segundo dados da Diretoria de Acessibilidade (DACES) da Universidade de Brasília (UnB), a quantidade de alunos com Transtorno do Espectro Autista (TEA) aumentou 55,7% de 2024 a 2026, ao passar de 355 para 553 estudantes.
Em relação a 2023, os números revelam um crescimento de 153,6% desse público nos últimos três anos.
O total de alunos com deficiência e transtornos registrados também aumentou. Os números subiram de 636 em 2024 para 912 em 2026. Os alunos com TEA representam 60,6% desse crescimento.
🔎 Os dados da DACES levam em conta os estudantes que se cadastraram na diretoria. Esse processo ocorre voluntariamente.
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A decana de assuntos comunitários da UnB, Camila Areda, atribui esses números à consolidação da política de cotas. Ela acredita que graças às ações afirmativas, as pessoas com deficiência se sentem mais seguras em usufruir de seus direitos e cobrá-los.
“Aos poucos a comunidade também vai ficando sabendo, vai se sentindo também possível de se candidatar para o vestibular, já que tem outros exemplos, às vezes na família, de colegas ou outro exemplo do colégio que veio”, diz Camila Areda.
Além disso, Camila destaca que a população está tendo mais acesso a diagnósticos que antes não eram feitos com tanta frequência.
Pedro Lucas Costa, estudante de doutorado autista e coordenador do Núcleo de Autismo e Neurodiversidade da UnB
arquivo pessoal
Para Pedro Lucas Costa, estudante de doutorado autista e coordenador do Núcleo de Autismo e Neurodiversidade da UnB, o aumento de alunos com TEA na comunidade acadêmica provoca necessidades de transformações positivas nas dinâmicas de ensino.
“Essas necessidades dos alunos quando bem organizadas pelo seu professor, quando bem planejadas, quando bem mediadas, quando bem trabalhadas — evidentemente oferecendo as condições de formação e as condições materiais de execução — isso amplia a a qualidade do ensino, não só para estudante autista, mas também para todos os estudantes da sala de aula”, fala Pedro.
Ações de inclusão da universidade
Os estudantes da UnB podem fazer um cadastro na DACES para receber orientações e auxílios no ambiente acadêmico. As iniciativas incluem:
adaptações pedagógicas e físicas;
programas de tutorias;
disponibilização de transcritores;
editais de auxílio financeiro para aquisição de tecnologia assistiva.
Decana de assuntos comunitários da UnB, Camila Areda
arquivo pessoal
A decana de assuntos comunitários da universidade ressalta que todas as ações são pensadas para a inclusão dos alunos com deficiência no ambiente acadêmico. Pedidos que vão contra esse princípio — como realizar aulas virtuais ou deixar de fazer o estágio obrigatório — não são viáveis.
“A gente não pode tirar ele [estudante com deficiência] desse local. A gente tem que proporcionar com que ele tenha ferramentas. E claro que ele não vai ser forçado a isso, mas ele vai ser auxiliado a ir se adaptando”, explica ela.
Além do apoio institucional, os alunos podem contar com outras iniciativas da própria comunidade acadêmica. O Núcleo de Autismo e Neurodiversidade da UnB, por exemplo, é um projeto de extensão que presta atendimentos pedagógicos e promove encontros para que a comunidade autista possa construir laços.
Encontro promovido pelo Núcleo de Autismo e Neurodiversidade da UnB
Divulgação / Acervo pessoal
Experiência dos alunos
Pedro Lucas Costa afirma que sua experiência na universidade tem sido acolhedora. “Enquanto experiência pessoal, posso dizer que a minha experiência pessoal foi muito boa. Está sendo muito boa, porque eu tenho uma orientadora extremamente calorosa, extremamente atenciosa. Tive professores nas disciplinas que eu fiz durante o doutorado que foram incríveis”, ressalta ele.
Entretanto, ele destaca que essa é uma vivência pessoal e não condiz com a realidade de todos os estudantes autistas.
“Enquanto experiência de responsável por esse atendimento educacional especializado pelo núcleo aos estudantes autistas da Universidade de Brasília, aí eu observo muito que esses estudantes encontram diversas barreiras, principalmente atitudinais. E eu atribuo essas barreiras atitudinais a uma fragilidade de formação pedagógicas dos professores universitários”, compartilha o aluno.
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