Boletim Focus mostra alta nas projeções de inflação e juros para 2026

BOLETIM FOCUS

O Boletim Focus, divulgado pelo Banco Central nesta segunda-feira (18), mostrou nova revisão nas expectativas do mercado para a inflação e os juros em 2026. A mediana das projeções para o IPCA subiu de 4,91% para 4,92%, enquanto a estimativa para a Selic avançou de 13,00% para 13,25% ao ano.

O relatório reúne as projeções de instituições financeiras para os principais indicadores da economia brasileira. Além disso, o levantamento mostrou estabilidade na previsão para o crescimento do PIB em 2026, mantida em 1,85%.

Quais foram as principais mudanças do Boletim Focus?

Entre os principais destaques do Boletim Focus, a projeção para o IPCA de 2026 passou de 4,91% para 4,92%. Há quatro semanas, a estimativa estava em 4,80%. O dado indica que o mercado segue vendo uma inflação acima do centro da meta no curto prazo.

A expectativa para a taxa Selic também foi revisada para cima. A mediana para 2026 saiu de 13,00% para 13,25% ao ano. Há quatro semanas, a projeção também estava em 13,00%. A mudança reforça a leitura de que o mercado ainda trabalha com juros elevados por mais tempo.

Enquanto isso, a estimativa para o PIB de 2026 permaneceu em 1,85%. O número mostra uma expectativa de crescimento moderado da atividade econômica, em um cenário ainda marcado por juros altos e inflação resistente.

Dólar, IGP-M e preços administrados

No câmbio, o mercado manteve a previsão para o dólar em R$ 5,20 no fim de 2026. Há quatro semanas, a estimativa era de R$ 5,30. Para 2027, a projeção ficou em R$ 5,27, abaixo dos R$ 5,30 previstos uma semana antes.

Já o IGP-M para 2026 subiu de 5,60% para 5,63%. Há quatro semanas, a projeção estava em 4,66%. Para 2027, a mediana permaneceu em 4,00%.

Por outro lado, a expectativa para o IPCA de preços administrados em 2026 caiu de 5,01% para 4,93%. Há quatro semanas, a estimativa era de 4,90%.

Contas externas e cenário fiscal

Nas contas externas, a projeção para o déficit em conta corrente em 2026 ficou em US$ 59,70 bilhões, ante US$ 60,50 bilhões na semana anterior. A estimativa para a balança comercial subiu de US$ 75 bilhões para US$ 75,53 bilhões.

O investimento direto no país foi mantido em US$ 75 bilhões para 2026. Para 2027, a previsão ficou em US$ 77,80 bilhões, enquanto para 2028 e 2029 a mediana segue em US$ 80 bilhões.

No campo fiscal, o mercado manteve a projeção para a dívida líquida do setor público em 69,90% do PIB em 2026. Para 2027, a estimativa subiu para 73,50% do PIB. Em 2028, a previsão está em 76,38%, e em 2029, em 79,00% do PIB.

Boletim Focus reforça cenário de juros altos?

O conjunto das projeções do Boletim Focus indica que o mercado segue cauteloso com a trajetória da inflação. A alta na estimativa para o IPCA e para a Selic em 2026 sugere que as instituições financeiras ainda veem espaço limitado para uma flexibilização monetária mais rápida.

Além disso, a manutenção de projeções elevadas para a dívida pública nos próximos anos mostra que o cenário fiscal continua no radar dos analistas. Para o investidor, esse quadro tende a manter a atenção sobre juros futuros, câmbio, Bolsa e ativos de renda fixa.

Para economista, mercado já pode ter absorvido impacto geopolítico na inflação

Na avaliação da economista Fernanda Mansano, o Boletim Focus desta semana mostra que o mercado praticamente manteve estável a projeção de inflação, com o IPCA passando de 4,91% para 4,92%. Segundo a especialista, esse movimento indica que os analistas já podem ter incorporado aos cenários os impactos do conflito geopolítico sobre os preços, especialmente no segmento de energia.

Por outro lado, o ponto de maior atenção foi a revisão da Selic, com alta de 0,25 ponto percentual na expectativa para 2026. Para Fernanda, esse ajuste pode sinalizar que o mercado passou a considerar uma postura mais cautelosa do Banco Central, inclusive com possibilidade de manutenção dos juros na próxima reunião do Copom.

“Caso haja algum corte, o movimento pode ficar concentrado no último trimestre do ano. Já as projeções para câmbio e PIB ficaram praticamente estáveis, sem grandes novidades na leitura semanal”, avalia.

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