Planeta a 100 anos-luz pode ser coberto por oceanos gigantes

Ilustração de exoplaneta, como o TOI-1452 bReprodução/NASA

Astrônomos voltaram suas atenções para um planeta localizado a cerca de 100 anos-luz da Terra após análises indicarem que ele pode esconder enormes oceanos sob sua superfície. Chamado de TOI-1452 b, o exoplaneta foi identificado pelo satélite TESS e confirmado em 2022 por observatórios no Canadá e no Havaí.

O principal mistério em torno do planeta está em sua densidade considerada baixa para um corpo rochoso desse tamanho, característica que levanta a possibilidade de grandes quantidades de água líquida ou de camadas de gelo formadas sob pressão extrema.

Os primeiros sinais do planeta apareceram quando o TESS detectou pequenas quedas no brilho da estrela TOI-1452. Isso acontece quando um planeta passa na frente da estrela e bloqueia parte da luz vista pelos telescópios.

Mesmo assim, os pesquisadores precisaram confirmar a descoberta porque havia outra estrela muito próxima, praticamente “colada” à principal nas imagens do satélite, o que poderia gerar confusão nos dados.

Ilustração do satélite TESS (Transiting Exoplanet Survey) da NASAReprodução/NASA’s Goddard Space Flight Center

Para separar os dois pontos de luz e descobrir de onde vinha o sinal, os cientistas usaram telescópios em solo, como o Observatório do Mont-Mégantic, no Canadá, além de instrumentos instalados no Havaí.

As análises ajudaram a descartar a possibilidade de um erro causado por estrelas que orbitam juntas e simulam o comportamento de um planeta.

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Mundo pode esconder oceanos profundos

Os dados mostram que o TOI-1452 b possui cerca de 1,6 vez o tamanho da Terra e aproximadamente 4,8 vezes sua massa. Ainda assim, sua densidade é considerada baixa para um planeta rochoso desse porte, sugerindo que ele seja formado por materiais mais leves.

Os cientistas trabalham com três principais hipóteses para explicar a estrutura do planeta. A mais provável é que ele seja um “mundo oceânico”, com entre 22% e 27% de sua massa composta por água.

Representação de exoplaneta do tipo super-TerraReprodução/Nasa

Outra possibilidade é a de um planeta rochoso com menos ferro que a Terra. Também existe a hipótese de ele ter uma atmosfera muito fina formada por hidrogênio e hélio.

Segundo os pesquisadores, a temperatura estimada para o planeta poderia permitir a existência de água líquida, dependendo da quantidade de luz refletida por sua superfície e atmosfera.

James Webb pode ajudar a desvendar mistério

O sistema onde o TOI-1452 b está localizado fica em uma região favorável para observações frequentes do telescópio espacial James Webb Space Telescope ao longo do ano. Por isso, o planeta passou a ser considerado um dos principais candidatos para estudos mais detalhados sobre atmosferas de mundos fora do Sistema Solar.

A expectativa dos cientistas é que futuras observações consigam identificar os gases presentes ao redor do planeta e revelem se ele realmente possui oceanos profundos ou se sua baixa densidade tem outra explicação.

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