
O julgamento do caso Henry Borel entrou no quarto dia nesta quinta-feira (28). A sessão foi retomada por volta das 9h, no 2º Tribunal do Júri da Capital, no Rio de Janeiro, e contou com o depoimento de Kaylane Pereira, filha de uma ex-namorada do ex-vereador.
A jovem afirma ter sofrido agressões do ex-vereador Jairo Souza Santos Júnior, o Dr. Jairinho, quando era criança.
No depoimento desta quinta-feira, Kaylane afirmou se sentir culpada, pois, se tivesse contado as agressões antes, poderia ter evitado a morte de Henry.
A jovem também acredita que o ex-vereador já a levou para um motel.
Ela também afirmou que, durante esses encontros, o ex-vereador a agredia e chegou a afundá-la repetidas vezes em uma piscina.
Kaylane é filha de Natasha, uma ex-namorada de Jairinho. Em 2021, o Ministério Público já denunciou o então vereador por supostamente torturar a menina quando ela tinha cerca de 5 anos.
Comportamento de abuso
Durante o júri desta quarta-feira (27), o psiquiatra Rafael Bernardon Robeiro, contratado pela acusação, prestou depoimento.
Ele traçou, com base em entrevistas e análise de todo o processo, um perfil psicológico e psiquiátrico dos réus.
Para o médico psiquiatra, Jairinho possui características de um psicopata. Além disso, durante questionamentos do Ministério Público, ele afirmou que Henry apresentava comportamentos de quem sofria abuso.
Ele também disse que a mãe, Monique Medeiros da Costa e Silva, tinha uma postura de acobertamento diante das violências sofridas pelo filho.
O julgamento
O julgamento de Jairo Souza Santos Júnior e Monique Medeiros da Costa e Silva, acusados da morte do menino Henry Borel, de quatro anos, começou nesta última segunda-feira (25) no II Tribunal do Júri da Capital (RJ). Os dois respondem pelos crimes de homicídio, tortura e coação de testemunhas.
A condenação de Jairinho e Monique depende dos jurados, pessoas escolhidas para compor o Conselho de Sentença. Conforme o cronograma do julgamento, as testemunhas de acusação serão ouvidas no primeiro momento, entre elas o pai de Henry, Leniel Borel.
Ao todo, 26 testemunhas serão ouvidas. Em seguida, haverá escuta de peritos, acareações e, por último, o interrogatório dos acusados.
Relembre o caso
Henry Borel, na época com 4 anos, foi levado pela mãe, Monique, e pelo padrasto, Jairinho, para um hospital da Barra da Tijuca, na Zona Sudoeste do Rio, na madrugada de 8 de março de 2021, com manchas roxas em várias partes do corpo.
Imagens divulgadas posteriormente mostram o menino sendo carregado já sem vida no elevador do prédio em que Monique morava com Jairinho. Segundo o laudo de necropsia, Henry sofreu 23 lesões na madrugada em que morreu.

