Operação contra jogos ilegais desmonta esquema bilionário em SP

Polícia Civil de São PauloDivulgação/Polícia Civil de São Paulo

Uma operação da Polícia Civil em conjunto com o Ministério Público de São Paulo (MP-SP) foi deflagrada, nesta quinta-feira (28), com objetivo de desarticular uma organização criminosa ligada à jogos ilegais e lavagem de dinheiro. Foram bloqueados R$ 5,2 bilhões em bens e ativos financeiros ligados aos alvos da investigação.

As apurações mostraram que os suspeitos mantinham plataformas de apostas, com jogos proibidos no país, incluindo modalidades exploradas virtualmente e bastante divulgadas nas redes sociais. As autoridades ainda informaram que o grupo usava uma estrutura empresarial, o que aparentava ser regular. A idéia desse sistema era disfarçar a ilegalidade das operações clandestinas.

Editora de livros era peça importante no esquema 

Dentro dessa engrenagem, as autoridades identificaram que uma editora de livros era peça central para a operação do esquema. A ASX Participações e Tecnologia Ltda atuou como núcleo administrativo e financeiro da fraude, segundo as investigações. A empresa ainda teria sido usada para converter o dinheiro vivo em ativos financeiros e ainda fornecer máquinas de cartão.

A editora ainda prestava suporte a duas casas de apostas, a Aposte Fácil que aparentava operar de forma legal, até com uma suposta autorização emitida pela Loteria do Estado do Rio de Janeiro. E a Black Vegas, site de apostas hospedado no exterior, que ofertava jogos proibidos como o “Jogo do Bicho” e “Tigrinho”.

A Secretaria de Segurança Pública de São Paulo informou que as apurações indicaram que a organização movimentava grandes quantias em dinheiro vivo, posteriormente pulverizadas em depósitos fracionados distribuídos entre diversas contas bancárias. O objetivo era dificultar o rastreamento da origem dos recursos e ocultar os verdadeiros beneficiários das movimentações financeiras.

Ainda foi exposto que parte do grupo era responsável pela exploração dos jogos ilegais e o restante ficava responsável pela lavagem do dinheiro, coordenando repasses, o quanto seria usado em espécie e a quantia que seria enviada para contas bancárias. De acordo com as autoridades, ainda foi identificado indícios de conexões entre integrantes do esquema e pessoas ligadas ao crime organizado.

As investigações foram conduzidas pela 3ª Delegacia de Fraudes Financeiras e Econômicas do Deic e pelo Grupo de Atuação Especial de Persecução Patrimonial (Gaepp). Ao todo, dois mandados de busca e outros cinco de prisão preventiva são cumpridos nesta quinta-feira, na capital paulista e região metropolitana.

A Operação Falsa Las Vegas nasceu após os desdobramentos da Operação Falso Mercúrio, na oportunidade, as autoridades investigavam crimes financeiros, e chegaram a bloquear R$ 6 bilhões em contas de pessoas e empresas ligadas investigadas por supostos vínculos com o crime organizado.

A reportagem do iG entrou em contato com a ASX Participações e Tecnologia Ltda, mas, até o momento da divulgação desta matéria, não obteve retorno. O espaço segue aberto para o esclarecimento dos fatos.

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