“Mapa do tesouro” mostra onde podem estar as terras raras

Regiões mais antigas dos continentes podem esconder depósitos de terras rarasIvan Bandura/Unsplash

Um estudo publicado nesta terça-feira (26) na revista científica Nature Geoscience revelou um mapa com as regiões da Terra com maior chance de concentrar depósitos de terras raras, minerais usados na fabricação de celulares, carros elétricos e turbinas de energia eólica.

Para montar o mapa, os pesquisadores analisaram cerca de nove mil amostras de rochas e imagens do interior do planeta criadas a partir de ondas geradas por terremotos.

Segundo os cientistas, esses depósitos costumam aparecer nas bordas das partes mais antigas e mais grossas dos continentes. A pesquisa aponta que os depósitos de terras raras estão fortemente ligados aos carbonatitos, rochas formadas a partir de magmas ricos em gás carbônico. Nessas áreas, a camada rígida que forma a parte externa da Terra, chamada litosfera, é mais espessa, o que favorece a formação de rochas ligadas às terras raras.

Mapa mostra as regiões da Terra com maior potencial para concentrar terras rarasReprodução/Nature Geoscience

A equipe estudou rochas formadas pelo resfriamento do magma, material extremamente quente presente no interior da Terra. Essas rochas possuem grande quantidade de gás carbônico. Durante muito tempo, elas eram consideradas apenas uma curiosidade da geologia, mas passaram a chamar atenção nos últimos anos por concentrarem minerais importantes para a indústria moderna.

Para descobrir onde essas rochas estão localizadas, os pesquisadores usaram ondas sísmicas geradas por terremotos para criar imagens do interior da Terra.

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Relação entre profundidade e formação dos minerais

Os pesquisadores descobriram que as rochas com maior potencial para concentrar terras raras aparecem apenas em regiões muito específicas da litosfera, “principalmente ao longo das bordas íngremes da litosfera mais espessa e antiga da Terra”, disse Gibson.

Segundo o estudo, a grande espessura da litosfera mantém as rochas do interior da Terra sob alta pressão e temperaturas mais baixas. Isso reduz a quantidade de magma produzida e faz com que pequenas quantidades desse material fiquem presas em grandes profundidades. Com o tempo, elas esfriam lentamente e formam rochas ricas em gás carbônico.

Milhões de anos depois, novos movimentos e mudanças naturais da Terra podem aquecer essas rochas novamente. Esse processo aumenta a concentração dos elementos raros até formar depósitos considerados valiosos para mineração.

O estudo também encontrou esse tipo de rocha em áreas próximas das partes mais antigas dos continentes, como no sul da África e no leste da América do Sul. Segundo os pesquisadores, essas regiões têm magma ligado à formação de rochas ricas nesses minerais.

Agora, os cientistas pretendem ampliar a pesquisa para estudar rochas com mais de 200 milhões de anos, ligadas a algumas das maiores minas de terras raras do mundo. Entre elas estão Bayan Obo, na China, Mountain Pass, nos Estados Unidos, e Mount Weld, na Austrália.

O que são terras raras

Segundo a Agência Nacional de Mineração, as terras raras são um grupo de elementos químicos, conhecidos como lantanídeos, além de ítrio e escândio, com propriedades semelhantes e alta importância tecnológica.

Esses elementos estão presentes em mais de 250 tipos de minerais, como a monazita e a bastnasita, e são usados em ligas metálicas, catalisadores, lasers, supercondutores e ímãs.

Em 2023, a produção mundial de terras raras chegou a 375,9 mil toneladas, sendo a China responsável por 67,8% do total, seguida por Myanmar (11,4%), Estados Unidos (11,1%) e Austrália (4,3%).

O Brasil tem 11,4 milhões de toneladas em reservas provadas e prováveis, segundo dados da ANM e do Serviço Geológico dos Estados Unidos (USGS).

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