
A Casa da Criança Armanda Malvina de Mendonça, fundada pelo empresário Oswaldo Ribeiro de Mendonça, atua há quase 50 anos na educação, acolhimento e proteção das crianças de Ipuã
Crédito: Divulgação.
A história da Casa da Criança Armanda Malvina de Mendonça, em Ipuã, começa com uma cena que revela uma urgência social. Em 1978, ao caminhar por uma região periférica da cidade, o empresário Oswaldo Ribeiro de Mendonça deparou-se com a realidade de mães trabalhadoras que não tinham com quem deixar seus filhos. Segundo relato institucional encaminhado pela organização da Mostra, uma criança pequena foi encontrada sozinha em casa, amarrada aos pés de uma mesa, com um prato de comida ao lado, enquanto a mãe precisava trabalhar.
A situação, marcada pela vulnerabilidade e pela ausência de rede de apoio, mobilizou uma resposta concreta. Em 16 de março de 1978, Oswaldo Ribeiro de Mendonça entregou à comunidade a primeira creche de Ipuã, a Casa da Criança Armanda Malvina de Mendonça, criada para oferecer proteção, cuidado, alimentação, acesso ao brincar, convivência e educação a crianças pequenas, independentemente de sua condição social.
A Casa da Criança nasceu da decisão de transformar indignação em cuidado. Quase cinco décadas depois, essa visão permanece como eixo da instituição. O que começou como uma resposta assistencial a uma necessidade urgente da comunidade tornou-se uma experiência consolidada de educação infantil, promoção de direitos e desenvolvimento integral. A continuidade desse legado passa pela atuação de Josimara Ribeiro de Mendonça, presidente da Casa da Criança.
Atendendo 120 crianças, de diferentes realidades sociais, a instituição atua no desenvolvimento físico, mental, moral, cultural, social e educacional
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A Casa da Criança foi fundada para ser um lugar seguro. No início, atendia crianças de 0 a 5 anos em situação de extrema pobreza, respondendo principalmente à necessidade das famílias trabalhadoras. Com o passar do tempo, porém, a instituição ampliou sua compreensão sobre a infância. Sem abandonar a proteção, passou a incorporar uma visão mais ampla, na qual cuidar também significa educar, escutar, observar, formar vínculos, apoiar famílias e criar condições para que a criança se desenvolva plenamente.
Essa passagem da assistência para a educação integral é um dos pontos centrais da trajetória institucional. A própria Casa da Criança se define publicamente como um espaço de educação, cuidados e promoção de direitos, voltado ao desenvolvimento de crianças pequenas residentes em Ipuã. Atualmente, a instituição atende 120 crianças e afirma assegurar o desenvolvimento físico, mental, moral, cultural, social e educacional das crianças assistidas.
Essa evolução não altera a origem da Casa. Ao contrário, atualiza a intenção de Oswaldo Ribeiro de Mendonça. Se, em 1978, a prioridade era garantir que as crianças tivessem um lugar seguro para ficar, hoje o compromisso se amplia para assegurar que esse lugar seja também um ambiente de aprendizagem, cultura, vínculo, proteção social e direitos.
A trajetória recente da Casa da Criança está diretamente ligada à atuação de Josimara Ribeiro de Mendonça. Tendo assumido a presidência em 2002, conduziu um ciclo de investimentos em gestão, política pedagógica e capacitação.
Esse período foi marcado por avanços estruturais e metodológicos. A Casa da Criança ampliou o número de crianças atendidas de 80 para 120, com a construção de uma nova sala de aula; reformou ambientes; fortaleceu a política didático-pedagógica; incentivou a formação de educadores; e estruturou uma equipe composta por profissionais de educação infantil, coordenação pedagógica e administrativa, nutrição, assistência social, fonoaudiologia e demais áreas de apoio.
Em janeiro de 2024, Josimara voltou à presidência da Casa da Criança, reafirmando a ligação da Casa da Criança com a visão de seu fundador, em um momento em que a organização já não pode ser definida apenas por sua origem, mas por sua capacidade de planejamento, gestão, sustentabilidade, articulação de rede e qualificação pedagógica.
A atuação de Josimara deve ser compreendida nesse ponto de equilíbrio. De um lado, ela carrega a memória familiar de uma obra criada por Oswaldo Ribeiro de Mendonça para responder a uma necessidade real da comunidade. De outro, atua como liderança que introduz parâmetros contemporâneos de gestão social: formação de equipe, mobilização de parceiros, sustentabilidade institucional, valorização dos ambientes, aproximação com referências pedagógicas e defesa da primeira infância como prioridade pública.
Josimara Ribeiro de Mendonça, filha do fundador, segue o legado deixado por ele e tem atuação marcada por avanços estruturais, estratégicos e metodológicos | A atuação de Josimara Ribeiro de Mendonça evidencia que a ambição de Oswaldo Ribeiro de Mendonça segue viva, transformando a infância diante das demandas do nosso tempo
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Essa combinação ajuda a explicar por que a Casa da Criança permanece ativa, reconhecida e socialmente necessária.
“Crianças são nossa maior riqueza e temos que ter cuidado com o que oferecemos a elas. Formar um ser humano desde a infância consiste em decidir pelo outro no momento em que o outro não tem maturidade para decidir sozinho. Pais e mães são os primeiros responsáveis por essa criança e logo em seguida, a creche. É muita responsabilidade. Por isso, para uma boa gestão, contamos com o apoio de todos os funcionários e educadores desta Casa da Criança.
Devemos cuidar para oferecer o melhor às crianças: as primeiras informações sobre o mundo, os afetos. Esse ambiente exige cuidado, responsabilidade de cada adulto para oferecer um mundo saudável, que estimule e coloque a tecnologia como ferramenta e não protagonista. Cuidar é uma experiência de amor, a autoridade se estabelece através de um vínculo forte. Temos que proteger nossas crianças. Essa continuará sendo a nossa meta”, destaca.
Um legado em movimento
A força da Casa da Criança está em não tratar seu legado como algo concluído. A obra de Oswaldo Ribeiro de Mendonça permanece viva porque continua sendo atualizada diante das necessidades da infância. A liderança de Josimara Ribeiro de Mendonça, filha de Oswaldo, evidencia essa continuidade.
Ao longo de quase cinco décadas, a Casa da Criança tornou-se parte da memória afetiva e social de Ipuã. Mais de uma geração passou por seus espaços. Crianças atendidas no passado hoje são mães, pais, trabalhadores, cidadãos e, em alguns casos, famílias que confiam novamente seus filhos à instituição. Esse ciclo mostra que a Casa não é apenas um equipamento social. É uma construção comunitária.
A continuidade está na permanência de um princípio: uma cidade que cuida de suas crianças investe em seu próprio futuro. A chegada da Mostra Mosaico a Ipuã integra esse movimento de ampliação cultural e pedagógica vivido pela instituição em articulação com a RedSOLARE Brasil.
