
O que começou como a realização de um sonho profissional terminou em frustração para dezenas de estudantes da cidade de Campinas, em São Paulo. Alunas do Instituto Educacional Novo Nível descobriram que o curso técnico de enfermagem que frequentavam não possuía autorização da Secretaria Estadual da Educação e, por isso, não tem validade para emissão de diplomas.
O caso é investigado pela Polícia Civil como suspeita de estelionato. As estudantes afirmam ter investido anos de dedicação, além de milhares de reais, em uma formação que acreditavam ser regular.
A recepcionista hospitalar Alliny Delfino da Nóbrega conta que gastou cerca de R$ 11 mil ao longo do curso. A desconfiança começou quando a entrega dos certificados passou a ser constantemente adiada.
Tempo, dinheiro e expectativas perdidas
A situação abalou não apenas os planos profissionais das estudantes, mas também a vida pessoal de muitas delas. Alliny afirma que precisou abrir mão de momentos importantes com a família para concluir a formação.
Outra aluna, que preferiu não se identificar, afirmou à policia ter sido uma das primeiras a desconfiar da irregularidade. Segundo ela, além dos estudos, o período de estágio realizado também acabou comprometido.
De acordo com as investigações, uma das estudantes descobriu o problema ao tentar obter registro no conselho de classe após concluir a formação.
Polícia apura suspeita de estelionato
Na manhã desta quarta-feira (27), a Polícia Civil cumpriu mandados de busca e apreensão no instituto e determinou o bloqueio de valores em contas ligadas à escola. A medida busca garantir uma possível reparação financeira às vítimas.
Segundo o delegado Luiz Fernando Marucci, a investigação teve início após o registro de um boletim de ocorrência por uma estudante no 11º Distrito Policial de Campinas. Até o momento, sete denúncias foram formalizadas, mas a suspeita é de que o número de vítimas seja maior.
A polícia trabalha com a hipótese de que a instituição operava desde 2022 sem autorização para oferecer o curso. No mês passado, a Diretoria de Ensino da Região Campinas Oeste negou o pedido de funcionamento por falta de documentação e por considerar inadequadas as condições do imóvel utilizado.
O advogado do instituto afirma que as denúncias são “infundadas” e atribui o caso a uma suposta falha administrativa. Segundo ele, a escola teria iniciado as atividades amparada por uma brecha legal e nenhum aluno chegou a se formar.
Já a Secretaria Estadual da Educação contestou essa versão. Em nota, a pasta classificou a alegação como falsa e informou que o instituto foi notificado para encerrar imediatamente as atividades por funcionar sem autorização e sem apresentar “condições mínimas” de estrutura.
A secretaria também reforçou que o curso oferecido não possui reconhecimento válido para emissão de diplomas e informou que o caso foi encaminhado ao Ministério Público.
