Após chamar vereadora de ‘japonesinha do Paraguai’, morador é denunciado pelo MP por injúria racial em Tatuí


‘Japonesinha do paraguai’:vereadora denuncia morador ao MP após ter sido ofendida em Tatuí
O Ministério Público de São Paulo (MP-SP) apresentou uma denúncia criminal contra um morador de Tatuí (SP) acusado de ofender e perseguir a vereadora Cíntia Yamamoto Soares (PP).
Segundo a parlamentar, as ofensas ocorreram durante sessões da Câmara dos Vereadores e também em aplicativos de mensagens. Em um dos episódios, o homem foi expulso do plenário pela Guarda Municipal.
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O g1 teve acesso a um dos áudios gravados e enviados pelo homem na rede social. Nele, o morador chama a vereadora de “japonesinha do Paraguai” e a acusa de cometer peculato.
🔎 O crime de peculato ocorre quando há desvio ou apropriação, por parte de um funcionário público, de um bem a que ele tenha acesso por causa do cargo que ocupa, mediante abuso de confiança.
À reportagem, a parlamentar afirma confiar na Justiça e diz que, nesse caso, devem ser aplicadas punições de caráter pedagógico para evitar que crimes dessa natureza aconteçam novamente.
“É inadmissível este tipo de comportamento, principalmente por se tratar de violência política de gênero, no qual um indivíduo, sem qualquer motivo aparente, somente por integrar um grupo político diverso, venha atrapalhar, ofender e tentar me silenciar, somente por ser mulher, e estar cobrando melhorias e fiscalizando o Executivo”, aponta Cíntia.
Vereadora denunciou o morador após ter sido alvo de diversas ofensas durante sessões e nas redes sociais
Reprodução/Câmara de Tatuí
À Polícia Civil, Cíntia relatou que Wellington comparece frequentemente à Câmara e, em diversas ocasiões, teria ofendido a vereadora e a acusado de cometer crimes. A parlamentar ressaltou ao órgão que o homem não tem provas das acusações e que as falas estariam compromentedo a imagem pública dela.
Conforme nota do MP, no dia 4 de maio, o homem foi citado e o advogado responsável ofereceu a defesa prévia. Após análise dos documentos, a denúncia foi mantida e encaminhada para audiência de instrução e julgamento, que será no dia 27 de julho.
No inquérito, o MP aponta que o homem caluniou a vereadora em razão de suas funções públicas e também a ofendeu por sua raça.
No processo, o MP aponta que o homem cometeu crime de injúria devido à raça da vereadora
Reprodução
Segundo a acusação, ele teria cometido:
Calúnia contra a vereadora Cíntia, ou seja, teria atribuído falsamente a ela um fato definido como crime;
Injúria, que é ofender a honra ou a dignidade de alguém;
Injúria racial, por supostamente ter ofendido a vítima em razão de sua raça.
Conforme o Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo (TJ-SP), a denúncia foi aceita em 2 de março deste ano. De acordo com Cíntia, após a denúncia ao MP, Wellington retornou poucas vezes à Câmara de Vereadores.
“Acredito que parou justamente porque o processo caminhou”, analisa.
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Ainda conforme a vereadora, o homem não demonstra descontentamento com o trabalho desempenhado por outros parlamentares.
“Atacava somente a mim. Se fosse contrariado por algum posicionamento da população que estava assistindo à sessão, perdia a cabeça e atacava. O foco, infelizmente, parece que sou eu.”
Em grupo de mensagens, homem se refere à vereadora como ‘japonesinha do Paraguai’
Reprodução
O que diz a defesa
A defesa de Wellington Pires de Miranda negou a prática criminosa e informou que já foi apresentada uma resposta à acusação. Eles sustentam que o caso exige exame técnico e contextualizado do material digital apresentado.
“Qualquer conclusão antes da instrução e da análise judicial das provas seria precipitada”, informa a nota.
Vereadora integra a Câmara de Tatuí (P)
Câmara de Tatuí/Divulgação
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*Colaborou sob supervisão de Larissa Pandori
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