
O polo norte magnético da Terra continua se deslocando em direção à Rússia, e cientistas acabam de divulgar uma atualização considerada essencial para manter a precisão dos sistemas de navegação usados em todo o mundo. A nova versão do Modelo Magnético Mundial (WMM, na sigla em inglês) mostra que o polo está agora mais próximo da Sibéria do que estava há cinco anos e segue avançando nessa direção. As informações são da CNN.
Diferentemente do Polo Norte geográfico, cuja posição permanece fixa no Oceano Ártico, o polo magnético é definido pelo campo magnético terrestre, que está em constante movimento devido à dinâmica do núcleo do planeta. Esse deslocamento ocorre naturalmente, mas o comportamento observado nas últimas décadas chamou a atenção dos pesquisadores por sua velocidade incomum.
O Modelo Magnético Mundial é desenvolvido em conjunto pelo Serviço Geológico Britânico (BGS) e pela Administração Nacional Oceânica e Atmosférica dos Estados Unidos (NOAA). A ferramenta é utilizada por aviões, navios, sistemas militares e diversos equipamentos de navegação para determinar com precisão a direção do norte magnético.

Segundo os cientistas, a atualização é necessária porque o modelo utiliza previsões baseadas na trajetória recente do polo. À medida que o tempo passa, a margem de erro aumenta. Por isso, uma revisão completa é realizada a cada cinco anos para recalibrar os sistemas e gerar novas projeções.
Em dezembro, os pesquisadores divulgaram duas versões do modelo: uma convencional, voltada para a maioria dos usuários, e outra de alta resolução, muito mais detalhada. Apesar da disponibilidade da versão avançada, especialistas explicam que a maior parte dos dispositivos GPS utilizados pelo público não possui capacidade para aproveitar essa melhoria adicional.
Para setores estratégicos, no entanto, a atualização é fundamental. Grandes companhias aéreas precisarão atualizar os softwares de navegação de suas frotas, enquanto países integrantes da OTAN deverão adaptar inúmeros sistemas militares que dependem de referências magnéticas precisas.
Os especialistas comparam o processo à atualização de um smartphone. Embora versões mais modernas ofereçam recursos aprimorados, nem sempre é necessário substituir o aparelho inteiro para continuar utilizando os serviços normalmente.
A nova revisão também confirmou que as previsões anteriores estavam bastante corretas. Os pesquisadores verificaram que a posição estimada para o polo magnético em 2025 ficou muito próxima da realidade observada atualmente, reforçando a confiabilidade dos modelos científicos.

Uma jornada iniciada no Canadá
O polo norte magnético foi identificado pela primeira vez em 1831 pelo explorador britânico Sir James Clark Ross, no norte do Canadá. Desde então, ele vem migrando gradualmente em direção à Sibéria.
Durante cerca de quatro séculos, seu deslocamento foi relativamente lento, normalmente inferior a 10 quilômetros por ano. No entanto, a partir da década de 1990, ocorreu uma aceleração sem precedentes. A velocidade saltou de aproximadamente 15 quilômetros anuais para cerca de 55 quilômetros por ano.
Já por volta de 2015, os pesquisadores registraram outro fenômeno inesperado: uma desaceleração significativa. A velocidade caiu para cerca de 35 quilômetros anuais, obrigando os cientistas a anteciparem uma atualização extraordinária do modelo em 2019.
Embora o movimento atual ainda seja em direção à Rússia, os especialistas afirmam que o ritmo pode continuar diminuindo ou até voltar a acelerar no futuro. Como o campo magnético é gerado pelo fluxo de metais líquidos no núcleo terrestre, prever seu comportamento exato continua sendo um grande desafio científico.
O risco de uma inversão magnética da Terra
Além do deslocamento contínuo, os pesquisadores lembram que o campo magnético da Terra já passou por mudanças muito mais drásticas ao longo da história geológica. Em determinados períodos, sua polaridade foi completamente invertida, fazendo com que os polos magnéticos norte e sul trocassem de posição.
Essas inversões ocorrem, em média, uma vez a cada milhão de anos, embora os intervalos possam variar enormemente. A última grande reversão aconteceu entre 750 mil e 780 mil anos atrás.
Os cientistas destacam que a vida na Terra já sobreviveu a diversas inversões magnéticas, mas nunca houve uma delas em uma época com tecnologias modernas de navegação, comunicação por satélite e redes elétricas globais. Caso um fenômeno desse tipo comece a ocorrer novamente, a transição provavelmente levará séculos ou até milhares de anos, oferecendo tempo suficiente para que engenheiros e cientistas adaptem os sistemas tecnológicos do planeta.
Por enquanto, a principal preocupação é acompanhar o deslocamento contínuo do polo magnético e garantir que os equipamentos de navegação continuem apontando na direção correta.
