O gigante do fundo do mar, quase duas vezes maior que uma baleia azul, que cientistas filmaram em forma de espiral na Austrália

No escuro do mar profundo, cientistas registraram uma criatura tão longa que parece impossível caber na mesma escala dos animais conhecidos. O sifonóforo de 47 metros, filmado nos Cânions Ningaloo, na Austrália, é uma colônia viva formada por milhões de clones.

Como o gigante do mar foi filmado na Austrália?

A descoberta foi anunciada em 6 de abril de 2020 pelo Instituto Schmidt Ocean. O registro ocorreu a 630 metros de profundidade, durante uma expedição do navio de pesquisa R/V Falkor nos Cânions Ningaloo.

O animal apareceu em formato de espiral, flutuando na coluna d’água como uma fita viva. O que chamou atenção não foi apenas o tamanho, mas o fato de essa estrutura superar qualquer animal conhecido na superfície em comprimento registrado.

O registro foi feito a 630 metros de profundidade pelo navio de pesquisa R/V Falkor, revelando um espécime em formato de espiral que supera o tamanho de qualquer animal conhecido na superfície

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Por que esse animal do mar parece maior que uma baleia azul?

A comparação com a baleia azul ajuda a entender a escala. Esse mamífero costuma atingir cerca de 25 metros de comprimento, enquanto o maior exemplar registrado chegou a 29,9 metros, segundo dados científicos confirmados.

O sifonóforo observado na Austrália chegou a 47 metros, quase duas vezes o tamanho médio de uma baleia azul. Segundo dados científicos confirmados, essa diferença torna o registro um dos mais impressionantes já feitos nas profundezas.

Como milhões de clones formam uma criatura só?

Apesar da aparência de um único animal, o sifonóforo é uma colônia de milhões de clones, chamados zooides. Cada parte tem uma função própria, mas todas permanecem conectadas e dependem umas das outras para sobreviver.

A tabela abaixo mostra como essa divisão de tarefas transforma a colônia em uma estrutura funcional:

Tipo de zooide na colônia Função principal no organismo Importância para a sobrevivência
Zooides de locomoção Movimentam a água para o nado Permitem o deslocamento da espiral
Zooides digestivos Digere o alimento capturado Distribuem energia para toda a colônia
Zooides reprodutivos Produzem óvulos e esperma Garantem a continuidade da espécie

Como a luz vermelha ajuda esse gigante do mar a caçar?

O corpo do sifonóforo é gelatinoso, translúcido e adaptado à escuridão. Enquanto muitos seres abissais emitem brilho azul ou verde, espécies do grupo Apolemia podem produzir uma luz vermelha rara.

Essa bioluminescência ajuda a atrair presas em um ambiente onde perseguir alimento exige energia demais. De acordo com o portal Phys.org, a expedição também revelou dezenas de novas espécies nos cânions submarinos Cape Range e Cloates.

Por que a espiral no mar funciona como uma armadilha?

Durante o registro feito pelo veículo operado remotamente ROV SuBastian, o sifonóforo estava em uma postura de alimentação em espiral. Essa forma cria uma espécie de parede viva na água, com tentáculos posicionados para prender pequenos peixes e crustáceos.

A formação era tão organizada que os cientistas usaram lasers para medir o anel externo, com cerca de 15 metros de diâmetro. Para visualizar essa escala, o canal Você Sabia?, com mais de 47 milhões de inscritos, mostra imagens reais do animal e explica por que ele chamou tanta atenção:

O que os robôs revelam no fundo do mar?

A descoberta só foi possível porque robôs submarinos conseguem operar onde a pressão esmagaria qualquer mergulhador. O uso de veículos ROV equipados com lasers permitiu confirmar o tamanho do sifonóforo sem tocar em seu corpo frágil.

A Dr.ª Nerida Wilson e a equipe de pesquisa conseguiram observar uma criatura que provavelmente passaria despercebida sem tecnologia de exploração profunda. Em um ambiente tão pouco acessível, cada imagem registrada funciona como uma janela rara para formas de vida ainda pouco conhecidas.

O oceano ainda esconde gigantes difíceis de imaginar

O sifonóforo dos Cânions Ningaloo mostra que o maior animal de uma região nem sempre se parece com aquilo que esperamos. Ele não tem ossos, não nada como uma baleia e não vive como um predador tradicional, mas alcança um tamanho que desafia qualquer comparação simples.

Esse gigante do mar profundo reforça uma ideia essencial para a ciência: as maiores surpresas da vida talvez ainda estejam em áreas quase intocadas. Quanto mais os robôs avançam no abismo, mais o oceano revela formas de sobrevivência que não cabem nas imagens comuns da natureza.

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