PM oficializa aposentadoria de coronel preso por feminicídio

Geraldo Leite Rosa NetoReprodução/Arquivo Investigação Criminal

A Polícia Militar (PM) de São Paulo oficializou a aposentadoria do tenente-coronel Geraldo Leite Rosa Neto, preso desde março sob suspeita de matar a própria esposa, a soldado Gisele Alves Santana, de 32 anos. A confirmação consta em despacho publicado pela São Paulo Previdência (SPPrev) no Diário Oficial desta quarta-feira (10). Com a medida, Geraldo permanece na condição de policial militar inativo e mantém o direito à remuneração da carreira. Antes da prisão, em fevereiro deste ano, ele recebeu R$ 28,9 mil brutos, segundo dados do Portal da Transparência do governo paulista.

A passagem para a reserva já havia sido publicada anteriormente pela corporação, mas agora foi formalizada no sistema previdenciário estadual. Geraldo foi transferido para a reserva a pedido, conforme registro publicado pela Polícia Militar. A medida administrativa não interfere na ação penal que apura a morte da esposa.

Prisão por morte da esposa

O oficial está preso preventivamente desde março. A Polícia Civil concluiu o inquérito apontando indícios de feminicídio e fraude processual no caso.

Geraldo Neto e Gisele Alves eram casados há dois anosReprodução/Instagram

Gisele Alves Santana foi encontrada baleada no apartamento onde morava com o marido, na região do Brás, no centro de São Paulo. Inicialmente, o caso foi tratado como suicídio.

A investigação mudou de rumo após a análise de laudos periciais. Peritos apontaram lesões no pescoço e no rosto da policial, além de inconsistências no relato apresentado pelo tenente-coronel.

Um dos pontos questionados foi a versão de que ele estaria tomando banho quando ouviu o disparo. Socorristas relataram aos investigadores que o oficial estava seco quando chegaram ao local.

A apuração também identificou vestígios de sangue em uma toalha recolhida no imóvel. Segundo o inquérito, o banho teria ocorrido após a vítima ser socorrida.

Imagens de câmeras e depoimentos de testemunhas ainda levantaram suspeitas sobre uma possível alteração da cena após a morte da policial.

Geraldo nega as acusações e sustenta que a esposa tirou a própria vida.

O que muda

Com a inclusão na folha da SPPrev, Geraldo passa oficialmente à condição de policial militar inativo e continua recebendo remuneração proporcional ao tempo de serviço prestado.

Tenente-coronel é denunciado por mais crimesGisele Alves Santana/Instagram

A aposentadoria, no entanto, não impede o andamento do processo criminal.

Caso seja condenado, ele ainda poderá perder o posto e a patente em procedimento próprio da Justiça Militar.

Denúncia de assédio

No último mês, o iG noticiou que uma soldado da PM denunciou supostos episódios de assédio sexual e moral.

A policial afirmou à Corregedoria que recebeu mensagens enviadas por Geraldo entre junho de 2025 e março de 2026. Prints divulgados mostram convites para um relacionamento, declarações afetivas e pedidos para que os dois formassem uma família.

Segundo a denúncia, as investidas continuaram mesmo após a morte de Gisele.

A soldado afirmou que recusou repetidamente as aproximações e pediu ao oficial que mantivesse apenas uma relação profissional.

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