
O ministro da Defesa de Israel, Israel Katz, afirmou que não vai retirar as tropas do Líbano, mesmo após o cessar-fogo anunciado pelo Irã e pelos Estados Unidos. A declaração foi feita nesta segunda-feira (15).
O acordo entre o Irã e os EUA envolve Israel e o Líbano.
Ainda de acordo com o ministro, as tropas israelenses vão ficar por tempo indeterminado em uma “zona de segurança” no Líbano, na Síria e em Gaza.
Ele também afirmou que toda a infraestrutura terrorista será destruída para proteger as fronteiras de Israel e ameaçou retaliar o Irã, caso eles ataquem.
Em outra declaração, o ministro da Segurança Nacional de Israel, Itamar Ben-Gvir, criticou o acordo entre os Estados Unidos e o Irã. Segundo o ministro, Israel é um país independente, soberano, e o tratado de Trump não obriga os israelenses.
O primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, ainda não se posicionou publicamente após a divulgação do acordo.
Ataques
Momentos depois de o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump (Republicanos), anunciar o acordo de cessar-fogo com o Irã, foi registrado um ataque de Israel no sul do Líbano.
Um bombardeio, feito com um drone, atingiu um carro na cidade de Kfar Tebnit na manhã desta segunda-feira (15).
Segundo a Agência Nacional de Notícias (NNA) do Líbano, há pessoas feridas.
Outros disparos israelenses também atingiram a mesma região. Segundo a agência estatal libanesa, os ataques ocorreram em Kfar Tebnit e na cidade vizinha de Nabatieh al-Fawqa.
Anúncio do acordo
O acordo foi anunciado neste último domingo (14) por mediadores internacionais. Ele é visto como um primeiro passo para a negociação de uma paz duradoura e para o eventual encerramento da guerra.
Em comunicado, o Conselho Supremo de Segurança Nacional do Irã informou ter concluído um memorando de entendimento sob a liderança do aiatolá Mojtaba Khamenei. Segundo o órgão, o documento estabelece as bases para a implementação do acordo.
De acordo com a imprensa estatal iraniana, o memorando prevê a interrupção imediata dos confrontos em todas as frentes, incluindo o Líbano, além do fim do bloqueio naval imposto pelo governo americano ao país.
A reportagem revelou ainda que a agência oficial de notícias do Irã chegou a divulgar o que descreveu como 14 pontos do entendimento. Até o momento, o texto integral do memorando não foi tornado público nem confirmado oficialmente pelas partes envolvidas.
Nos Estados Unidos, a Casa Branca tratou o acordo como uma vitória de Trump, enquanto o governo iraniano classificou o entendimento como um triunfo do regime. A reação da comunidade internacional, porém, foi de cautela.
O secretário-geral da ONU, António Guterres, afirmou que o anúncio representa um passo importante rumo a uma solução diplomática para o conflito.
A formalização do pacto foi anunciada pelo primeiro-ministro do Paquistão, Shehbaz Sharif, um dos mediadores das negociações. Segundo ele, a cerimônia oficial de assinatura está prevista para sexta-feira (19), na Suíça, após uma rodada final de reuniões para definir os últimos detalhes do entendimento.
