
O Governo Federal afirmou neste domingo (15) que empresários da cidade de Limeira, no interior de São Paulo, defenderam a reabertura da Ponte do Esqueleto após o local ter sido bloqueado em 2024. A declaração foi dada em meio à repercussão da morte da personal trainer Maria Eduarda Rodrigues de Freitas, de 21 anos, que caiu de cerca de 40 metros durante um salto de rope jump realizado na estrutura.

Segundo a Secretaria de Patrimônio da União (SPU), ligada ao Ministério da Gestão e da Inovação em Serviços Públicos (MGI), o fechamento da ponte chegou a ser discutido na Câmara Municipal e empresários da cidade teriam pedido a retomada do acesso ao espaço, conhecido por atrair praticantes de esportes radicais.
Em nota, o Governo Federal informou que nunca autorizou qualquer atividade esportiva na Ponte do Esqueleto e ressaltou que a estrutura pertence a um trecho ferroviário que nunca foi concluído. A SPU também declarou que o imóvel só foi oficialmente incorporado ao patrimônio federal em 2026, embora desde 2024 já buscasse apoio das prefeituras da região para restringir o acesso ao local.
Prefeitura promete processar União
A manifestação do Governo Federal acontece um dia após a Prefeitura de Limeira anunciar que pretende processar a União por omissão. A administração municipal afirma que vinha cobrando providências desde o início de 2025 para evitar acidentes no local.
De acordo com a prefeitura, a responsabilidade pela fiscalização, manutenção e controle de acesso da ponte seria exclusivamente federal. O Executivo municipal afirma que enviou ofícios aos órgãos responsáveis alertando sobre os riscos da área e sobre a realização frequente de atividades de aventura sem regulamentação.
O prefeito Murilo Félix afirmou que a falta de medidas concretas acabou contribuindo para mais uma tragédia na cidade.
“Infelizmente, a omissão federal acaba de resultar em mais uma tragédia em Limeira”, declarou.
A administração municipal também informou que vai colaborar com as investigações conduzidas pela Polícia Civil.
Jovem morreu após salto sem corda
Maria Eduarda Rodrigues de Freitas participava de uma atividade organizada pela empresa Entre Cordas na manhã de sábado (13), quando foi lançada da ponte sem os equipamentos de segurança presos ao corpo, segundo relato de testemunhas.

A jovem caiu de uma altura aproximada de 40 metros e morreu ainda no local. Equipes de resgate confirmaram o óbito devido aos múltiplos traumas provocados pela queda.

Seis pessoas chegaram a ser detidas após o acidente. Três integrantes do grupo responsável pela atividade tiveram a prisão preventiva decretada. A Polícia Civil investiga o caso como homicídio culposo, quando não há intenção de matar, mas existe negligência ou imperícia.
O advogado dos investigados classificou o episódio como uma “triste fatalidade” e afirmou que os envolvidos realizavam a prática esportiva havia anos sem histórico de acidentes.
Frase publicada antes do acidente chamou atenção
Pouco antes do salto, Maria Eduarda publicou imagens nas redes sociais mostrando os preparativos para a atividade. Em uma das postagens, a jovem escreveu: “Quem foi o doido que deixou eu vir pular de uma ponte???”.

As imagens mostravam o local da atividade, pulseiras entregues aos participantes e integrantes da empresa realizando saltos com equipamentos de segurança.
Moradora de Jandira, na Região Metropolitana de São Paulo, Maria Eduarda havia contratado a experiência para a manhã de sábado. Minutos depois das publicações, aconteceu o acidente fatal.
