
Brasileiro sempre gostou de reclamar do país. Antes era dentro de casa. Depois evoluiu pro palanque. Depois pras redes sociais.
Eduardo Bolsonaro atualizou isso. Internacionalizou a reclamação. Foi reclamar do Brasil direto pra um governo estrangeiro. Daqui a pouco pede pro Elon Musk asilo em Marte.
Antigamente, político tentava convencer o eleitor. Agora tenta convencer outro país.
E o vídeo mais comentado do processo nem foi gravado em segredo. Eduardo mesmo postou agradecendo o Trump por revogar visto de ministro do STF, terminando com:
Tinha mesmo
Quatro anos e dois meses de prisão por coação no curso do processo. Por unanimidade.
A defesa disse que ele não tem poder de decisão sobre a política externa dos EUA, que não integra o governo americano, que não exerce função pública lá.
Isso não é defesa. É a acusação, só que resumida.
Porque o crime nunca foi ele ter cargo no governo americano. O crime foi articular sanção, tarifa e visto cancelado em troca da soltura do pai.
Como o próprio Moraes resumiu durante o julgamento:
Independente da opinião que se tenha sobre o ministro, foi exatamente isso que Eduardo fez. Lobby.
E lobista contra o próprio país é, no mínimo, um título curioso pra quem se apresenta como patriota.
Ele provoca constantemente a instituição de justiça do Brasil. Depois abandona o mandato enquanto articula uma sanção internacional contra o próprio país. E quando começa o processo de punição, rotula isso de perseguição.
Isso não é estratégia política. É aquele garoto que dá um tapa na careca do colega maior, achando que não vai dar em nada só porque tem um outro amigo com porta-aviões.
Eduardo não apareceu nos interrogatórios do processo. Foi citado por edital. E mesmo assim, a defesa teve a audácia de tentar imunidade parlamentar.
Como, se o mandato dele já tinha sido cassado? É tipo ex-funcionário tentando entrar na empresa com o crachá vencido.
Depois da condenação, Eduardo disse que “o real objetivo deste julgamento é tirar meu nome das eleições.”
Estranho, porque o objetivo de toda essa articulação nunca foi a eleição dele. Era livrar o pai.
Não conseguiu proteger nem o pai, nem ele mesmo.
