Ancelotti titular? Frase com ‘drible’ de português viraliza e sugere técnico como opção; entenda


Carlo Ancelotti durante entrevista coletiva nos EUA em 25 de março de 2026
Pilar Olivares/Reuters
Depois do empate contra o Marrocos na estreia da Copa do Mundo, tudo o que o torcedor brasileiro quer é uma vitória tranquila no jogo contra o Haiti, na próxima sexta-feira (19). E, para isso, muitos insistem que o atacante Endrick é uma boa opção.
Ainda que seja pedido de parte da torcida, a alternativa parece enfrentar certa resistência do técnico Carlo Ancelotti e, o que muitos veem como birra do italiano, viralizou nas redes sociais – mas de um jeito bem brasileiro, com direito a um verdadeiro drible da língua portuguesa.
Veja na reprodução abaixo:
Publicação ironiza resistência de Ancelotti a Endrick.
Reprodução
O post espirituoso funciona justamente pela ambiguidade da colocação do pronome “ele” na frase, somada ao contexto do técnico brasileiro até então não ter optado por Endrick como titular.
Ou seja, ao invés de o trio ofensivo do Brasil ser composto por Vini Jr., Raphinha e Endrick, como daria sugere a frase na primeira leitura, contaria com a presença de Ancelotti.
Entenda o que diz a língua portuguesa
As regras da língua portuguesa indicam que esse é um clássico caso de ambiguidade.
Thiago Braga, autor de Língua Portuguesa do Sistema de Ensino pH, analisa que na oração “Ancelotti disse a Endrick que ele será titular contra o Haiti”, o pronome “ele” é um elemento anafórico, ou seja, depende de um termo anterior para ganhar sentido (o antecedente).
“O problema é que a frase oferece dois antecedentes possíveis, ambos masculinos e singulares: Ancelotti e Endrick. Como nada na estrutura sintática obriga uma leitura ou outra, o ‘ele’ fica com referência indeterminada”, explica o professor.
Ainda que a frase não esteja errada e, em uma leitura chamada de pragmática, o “ele” remete a Endrick, do ponto de vista gramatical, o pronome também pode se referir a Ancelotti.
“O autor explora justamente essa brecha: ao puxar o ‘ele’ para Ancelotti, chega à conclusão absurda de que o treinador comporia o trio de ataque com Vini Jr. e Raphinha”, comenta Braga.
O professor ainda acrescenta que há uma tendência de o pronome se ligar ao antecedente mais próximo, o que nesse caso reforçaria a leitura como se referindo ao Endrick. Mas isso não é uma regra rígida.
Somente a proximidade não desfaz a ambiguidade construída, apenas sugere uma interpretação preferencial e por isso a frase vira piada.
Para melhorar a clareza da oração, segundo o professor, seria necessário reformular a frase e optar por algo como: “Ancelotti disse a Endrick que o atacante será titular.”
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