
O ministro da Integração e do Desenvolvimento Regional, Waldez Góes, afirmou nesta quinta-feira (18) que o Governo Federal está mobilizado para enfrentar os impactos do El Niño, fenômeno climático que já influencia as condições do tempo no Brasil e deve continuar produzindo efeitos nos próximos meses. Segundo o ministro, órgãos de monitoramento e defesa civil estão em alerta permanente para responder a possíveis situações de emergência.
O El Niño é um fenômeno climático provocado pelo aquecimento anormal das águas superficiais do Oceano Pacífico Equatorial. Segundo o Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), essa alteração interfere na circulação dos ventos e modifica os padrões de chuva e temperatura em diversas partes do mundo, incluindo o Brasil.
Durante entrevista ao programa “Bom Dia, Ministro”, Góes destacou que o país acumulou experiência após enfrentar eventos extremos recentes, como as enchentes no Rio Grande do Sul, a seca histórica na Região Norte e episódios de tempestades severas em diferentes estados, como a tragédia na Zona da Mata mineira em fevereiro deste ano.
“O Brasil está, sim, mais preparado. A vigilância está permanente, os órgãos mobilizados, os planos de contingência já estão em curso”, afirmou.
Fenômeno pode aumentar eventos extremos
Meteorologistas alertam que o El Niño pode ganhar ainda mais força nos próximos meses. De acordo com análise da MetSul Meteorologia, um novo aquecimento das águas do Pacífico tem potencial para intensificar o evento durante o inverno no Hemisfério Sul e até levá-lo à categoria de Super El Niño, condição associada a impactos climáticos mais expressivos.

Os efeitos variam conforme a região do país. No Norte, a tendência é de redução das chuvas, aumento do calor e maior risco de queimadas. Já no Nordeste, o fenômeno costuma favorecer períodos mais prolongados de estiagem, o que pode afetar reservatórios e prejudicar a produção agrícola.
No Centro-Oeste e no Sudeste, os modelos climáticos apontam para a possibilidade de chuvas acima da média em diversas áreas, além de períodos com temperaturas mais baixas durante parte do outono e do inverno.
O Sul do Brasil, por sua vez, costuma concentrar os impactos mais intensos. Historicamente, episódios de El Niño estão associados ao aumento das precipitações e à maior ocorrência de eventos extremos, como temporais, enchentes, vendavais, granizo e até tornados. Por isso, órgãos de monitoramento e defesa civil mantêm acompanhamento constante da evolução do fenômeno para antecipar riscos e orientar medidas de prevenção.
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Governo monta sala de situação
Embora as previsões meteorológicas tenham evoluído nos últimos anos, Góes ressaltou que fenômenos climáticos extremos nem sempre podem ser previstos com total precisão.
Segundo ele, as mudanças climáticas têm contribuído para aumentar a frequência e a intensidade de eventos severos, tornando o cenário mais desafiador para os órgãos responsáveis pela prevenção e resposta a desastres.
Para acompanhar a evolução do fenômeno, o governo mantém uma sala de situação que reúne diferentes órgãos federais.
De acordo com Waldez Góes, cerca de 20 ministérios participam das ações de monitoramento e preparação. Entre os órgãos envolvidos estão a Defesa Civil Nacional, o Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden), o Inmet e o Inpe.
As equipes realizam reuniões frequentes com estados e municípios para acompanhar previsões meteorológicas, identificar áreas de risco e planejar respostas rápidas em caso de desastres.

Como o governo atua em emergências
De acordo com Waldez Góes, após o reconhecimento oficial de uma situação de emergência ou calamidade pública, diferentes estruturas do Governo Federal podem ser acionadas para prestar assistência às regiões afetadas.
As medidas incluem envio de ajuda humanitária, liberação de recursos, apoio logístico, reconstrução de estruturas danificadas e atuação das Forças Armadas quando necessário.
O ministro afirmou que o governo mantém equipes preparadas para responder rapidamente a situações provocadas por secas severas, enchentes, deslizamentos, tempestades e outros eventos climáticos extremos.
Segundo ele, o objetivo é reduzir impactos à população e acelerar a recuperação das áreas atingidas.
