
Corridas de cavalo são suspensas no jóquei
As corridas de cavalos no Jóquei Clube de Goiás, em Goiânia, foram suspensas pelo Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) após uma vistoria técnica identificar uma série de irregularidades administrativas, fiscais e de gestão na instituição. Segundo reportagem da TV Anhanguera, as auditorias realizadas pelo órgão federal nos últimos anos apontaram problemas considerados graves para a manutenção das atividades hípicas.
Em nota à TV, o Jóquei Clube de Goiás informou que está realizando uma análise técnica e jurídica da decisão. A instituição afirmou ainda que está adotando as medidas cabíveis para esclarecer os fatos e permanece à disposição dos órgãos competentes para prestar todos os esclarecimentos necessários.
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Entre as irregularidades identificadas está a ausência de uma diretoria formalmente constituída. De acordo com o Mapa, o clube está sem comando oficial desde 2021. Os auditores também constataram que o Cadastro Nacional de Pessoa Jurídica (CNPJ) da instituição está inapto junto à Receita Federal.
A fiscalização apontou ainda falhas na gestão administrativa, como a ausência de prestação de contas e problemas na comunicação institucional. Outro fator levado em consideração foi o histórico de reprovação em auditorias realizadas nos últimos anos. Segundo o ministério, as irregularidades vêm sendo registradas de forma recorrente sem que todas as exigências para regularização tenham sido cumpridas.
Para o órgão federal, o conjunto de problemas impede a autorização para a realização das corridas de cavalos até que a situação seja regularizada.
Ministério da Agricultura suspendeu as corridas de cavalos no Jóquei Clube de Goiás, em Goiânia
Reprodução/TV Anhanguera
O que o clube precisa fazer
Para que as corridas sejam retomadas, o Jóquei Clube precisará regularizar toda a documentação administrativa e fiscal, eleger uma nova diretoria e solicitar uma nova inspeção ao Ministério da Agricultura. Somente após a comprovação de que todas as pendências foram sanadas o órgão poderá reavaliar a autorização para o funcionamento das atividades hípicas.
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A suspensão ocorre poucos meses após a retomada das corridas no local. As atividades haviam sido reativadas em março deste ano, após um longo período de tentativas de revitalização do tradicional espaço hípico da capital.
Impasse entre Prefeitura e Jóquei Clube trava desapropriação de sede histórica no Centro
A Prefeitura de Goiânia e o Jóquei Clube enfrentam um impasse em relação ao terreno onde está localizado o clássico arquitetônico que já foi um ícone para a sociedade goiana. Localizada no Setor Central, a sede do clube recreativo foi desapropriada por meio de um decreto em 2025, mas até agora não passou às mãos do Paço Municipal devido a uma disputa envolvendo dívidas milionárias.
Projetada em 1962 pelo arquiteto Paulo Mendes da Rocha, em parceria com João Eduardo de Gennaro, a sede possui valor histórico e arquitetônico. O espaço de quase 22 mil metros quadrados — sendo 11,2 mil de área construída — se encontra sem uso há anos, motivo pelo qual a prefeitura declarou utilidade pública para desapropriação em julho de 2025.
Os dois lados concordam com a desapropriação, mas divergem sobre o cálculo da indenização e o tratamento das dívidas da entidade.
Presidente do Jóquei Clube de Goiás, Nívea Cristina de Paula defende o pagamento justo da indenização pela prefeitura para a desapropriação da sede do clube
Divulgação/ Assessoria de imprensa do Jóquei Clube
Divergência sobre o valor do imóvel
A principal discordância está no valor a ser pago. Em entrevista ao g1, a presidente do Jóquei Clube, Nívea Cristina, afirmou que o município subavaliou a sede ao desconsiderar R$ 26 milhões da construção. Segundo ela, a prefeitura avaliou a obra em R$ 33 milhões, mas retirou R$ 26 milhões desse montante alegando depreciação.
“Nós não concordamos em desconsiderar R$ 26 milhões dessa construção. É um prédio que se encontra com a construção rígida, isso é visível e apurável em qualquer perícia. É uma obra muito bem feita e premiada internacionalmente”, afirmou Nívea.
Já o procurador-geral do município, Wandir Allan de Oliveira, sustentou que a avaliação foi feita pela Comissão de Avaliação de Imóveis (Caimu), seguindo critérios técnicos como estado de conservação, localização e custos necessários para recuperação.
“Os critérios de avaliação são técnicos. Caso o Jóquei discorde, a discussão deverá ocorrer no processo judicial. Hoje, o que o município defende é que o trabalho feito está correto e adequado”, disse o procurador.
Para o procurador-geral Wandir Allan de Oliveira, dívidas milionárias devem ser consideradas no acordo para o pagamento da indenização pela desapropriação da sede do Jóquei Clube
Divulgação/ Secom de Goiânia
Conflito sobre dívidas tributárias
Outro ponto de conflito envolve débitos de IPTU, ISS e multas. Nívea questiona os valores e afirma que a atual diretoria encontrou inconsistências nas Certidões de Dívida Ativa (CDAs), defendendo uma revisão detalhada. Já o procurador afirmou que o município reconhece uma dívida superior a R$ 250 milhões, somando os débitos da sede, do hipódromo e das atividades econômicas do clube.
Pagamento da indenização e compensação
Também há discordância sobre a forma de pagamento. A presidente do Jóquei argumenta que a desapropriação não pode ser usada para compensar dívidas automaticamente. Ela defende que a prefeitura deposite o valor da indenização (citando uma decisão judicial que condicionou a posse ao depósito de cerca de R$ 50 milhões) e que os débitos sejam discutidos separadamente.
Para a prefeitura, a compensação é a solução mais segura. Wandir Allan afirma que não faria sentido o município pagar uma indenização integral a uma entidade que possui débitos expressivos com a própria administração pública.
Impasse em programas de renegociação
Nívea defende que o clube tenha acesso a benefícios fiscais semelhantes aos de um programa de Refis. O procurador, no entanto, afirmou que não existe Refis em vigor nem previsão de criação de um novo programa para atender o caso específico.
Apesar dos impasses, ambos afirmam estar abertos à negociação. O município ressalta que, caso não haja acordo, pretende seguir com o processo judicial para pedir a imissão na posse da sede.
Abandonado há vários anos, sede do Jóquei Clube de Goiás, no Setor Central de Goiânia, foi declarada de utilidade pública
Fábio Lima/O Popular
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