
A gestão pública é, antes de tudo, sobre cuidar de pessoas. Atrás de cada planilha e de cada indicador governamental, há o rosto de um trabalhador exausto, de uma mãe preocupada ou de um jovem buscando uma primeira oportunidade. Ao analisar profundamente a mais recente edição do Mapa da Desigualdade – um documento rigoroso elaborado pelo Instituto Cidades Sustentáveis, com apoio da Rede Nossa São Paulo – o que salta aos olhos não são apenas os números frios que têm 2024 como ano-base, mas a dor real de quem sofre na ponta com a ausência e a lentidão do Estado.
Embora o Mapa radiografe a capital paulista, ele funciona como um espelho contundente das dores que vivenciamos diariamente aqui na Região Metropolitana de Campinas (RMC). Quando o indicador de mobilidade revela que a velocidade dos ônibus chega a 25,52 km/h na região de Marsilac, mas despenca para cruéis 15,4 km/h no Capão Redondo, não estamos debatendo apenas asfalto e motor. Estamos falando de tempo de vida subtraído da família. O distrito do Capão Redondo tem uma população que se equipara ao tamanho de grandes cidades da nossa RMC, como Sumaré ou Hortolândia. E o esgotamento daquele morador é o exato mesmo drama do nosso trabalhador que mora nas regiões do Ouro Verde ou do Campo Grande, em Campinas, e perde horas do seu dia no trânsito.
Rodoanel viário urgente
É por conhecer de perto a exaustão da nossa gente que tenho defendido tão abertamente, nas minhas redes sociais, a urgência de um rodoanel viário moderno que integre de fato as rodovias D. Pedro I, Governador Ademar de Barros e Zeferino Vaz. No nosso recente evento de lançamento da pré-campanha em Paulínia, ao olhar para as mais de 1.500 pessoas ali presentes, fiz questão de reafirmar esse compromisso. Precisamos destravar nossas artérias logísticas para devolver tempo, qualidade de vida e dignidade à nossa população.
O abismo social escancarado pela pesquisa se torna ainda mais inaceitável quando afeta a vida que mal começou. O “Desigualtômetro” da saúde nos choca ao mostrar que no Brás a mortalidade infantil chega à marca de 20,07 óbitos para cada mil nascidos vivos, enquanto diversos bairros mais ricos registram a sonhada taxa zero. É a mesma distância abismal de oportunidades que separa, por exemplo, a excelente infraestrutura de saúde e saneamento do nosso Cambuí das bordas mais vulneráveis e esquecidas da nossa própria metrópole.
Priorizar pessoas
Cuidar da primeira infância exige pulso, coração e, acima de tudo, competência. Quando fui prefeito de Jaguariúna, nós não cruzamos os braços diante desse desafio. Transformamos a indignação em ações concretas, priorizando o acolhimento materno e a estruturação feroz da atenção básica. Esse trabalho profundo nos permitiu zerar a mortalidade infantil na cidade, um feito histórico que nos rendeu, no ano de 2010, o prestigiado prêmio Americas Award, concedido pela ONU. Todo esse aprendizado em campo aberto me mostrou como a gestão humana salva vidas e me preparou, com uma base sólida de experiência e maturidade, para assumir os próximos grandes passos na defesa de toda a nossa região metropolitana.
Além de saúde e transporte, não podemos pensar o amanhã sem garantir o direito básico de caminhar em segurança. O levantamento de São Paulo expõe a face do medo, com a região da Sé registrando 25,2 mortes por homicídio e intervenção legal a cada 100 mil habitantes. A insegurança não apenas tira a paz das famílias, mas paralisa o desenvolvimento econômico. Por isso, ao longo da nossa gestão, tiramos do papel a Muralha Digital, blindando o município com tecnologia e inteligência artificial. Se a criminalidade não tem fronteiras, a nossa resposta regional de proteção também não pode ter.
E onde a mão da gestão pública não chega, a desigualdade prospera – seja na gravidez na adolescência, que infelizmente salta de 0,14% no Jardim Paulista para desoladores 11,09% na Cidade Tiradentes, seja na profunda carência de equipamentos culturais pelas periferias. Então, diante disso tudo, faço um convite a uma reflexão inadiável: qual é o futuro que verdadeiramente queremos para a nossa RMC? Queremos seguir assistindo ao crescimento desordenado e desigual, ou vamos ter a coragem de nos unir e planejar uma metrópole justa, segura e integrada, que não deixe absolutamente nenhum dos seus cidadãos para trás? Vamos pensar sobre isso e ajudar a tornar este mapa cada vez mais, menos desigual.
