O IPCA-15 de junho deve registrar alta de 0,33%, segundo projeção do Banco Daycoval. O indicador, considerado uma prévia da inflação oficial do país, será divulgado nesta quinta-feira, 25 de junho, e deve mostrar desaceleração em relação ao avanço de 0,62% observado em maio.
A leitura esperada pelo Daycoval indica que o grupo Alimentação e bebidas deve subir 0,85% em junho, abaixo da alta de 1,38% registrada em maio. Dentro desse grupo, a alimentação no domicílio deve avançar 0,98%, também em desaceleração frente ao mês anterior, quando havia subido 1,74%.
A projeção mostra que os alimentos continuam sendo um vetor relevante para a inflação no curto prazo, mas com menor intensidade. A moderação é importante porque esse grupo tem peso elevado no orçamento das famílias e costuma influenciar a percepção dos consumidores sobre o custo de vida.
Energia elétrica sobe menos e gasolina deve cair
Nos preços administrados, o Daycoval projeta alta de 0,19% em junho, abaixo dos 0,43% observados em maio. A desaceleração deve ser puxada principalmente pela menor alta da energia elétrica residencial e pela deflação da gasolina.
Segundo o relatório, a energia elétrica residencial deve subir 1,60% em junho, depois de uma alta de 2,16% em maio. Já a gasolina deve recuar 0,85%, após queda de 1,32% no mês anterior.
Mesmo com a desaceleração, a energia elétrica ainda aparece como um dos itens de maior contribuição para o índice. No acumulado em 12 meses, a projeção do banco para energia elétrica residencial é de alta de 8,39% em junho.
Serviços mostram arrefecimento
A inflação de serviços também deve perder força na prévia de junho. O Daycoval estima alta de 0,27% para o grupo, abaixo dos 0,48% registrados em maio. A desaceleração deve ser influenciada pela queda nas passagens aéreas e pelo alívio em itens mais sensíveis à atividade econômica.
As passagens aéreas devem cair 2,00% em junho, após alta de 3,25% em maio. O relatório também aponta menor pressão em serviços intensivos em trabalho, que devem avançar 0,41%, ante 0,58% no mês anterior.
Itens como serviços de bem-estar, conserto e manutenção devem contribuir para esse arrefecimento. Ainda assim, o banco avalia que o núcleo de serviços segue em patamar elevado.
Núcleo de serviços segue como desafio ao Banco Central
Os serviços subjacentes, medida acompanhada pelo Banco Central por refletir uma tendência mais persistente da inflação, devem avançar 0,40% em junho. A taxa representa melhora em relação aos 0,53% registrados em maio, mas ainda indica pressão relevante.
No acumulado em 12 meses, os serviços subjacentes devem ficar em 5,38%, praticamente estáveis frente aos 5,41% observados no mês anterior. Para o Daycoval, esse patamar continua sendo um desafio para o Banco Central, em um contexto no qual a autoridade monetária monitora a persistência da inflação de serviços.
Bens industriais também desaceleram
Os produtos industriais devem avançar 0,12% em junho, abaixo da alta de 0,27% registrada em maio. A desaceleração deve refletir deflação em itens como etanol, automóveis usados e eletrodomésticos, além de alta menor em vestuário.
O grupo de vestuário deve subir 0,35% em junho, praticamente em linha com os 0,36% de maio, mas ainda em ritmo moderado. Já artigos de residência devem avançar apenas 0,06%, abaixo da alta de 0,21% registrada no mês anterior.
Projeção para 2026 é de inflação em 5,1%
Apesar da desaceleração esperada para o IPCA-15 de junho, o Daycoval projeta inflação de 5,1% ao final do ano, com viés de alta. Segundo o banco, os principais riscos vêm do conflito no Oriente Médio e da maior probabilidade de um evento climático adverso intenso, como o El Niño, no segundo semestre.
A projeção mostra que, mesmo com alívio em alguns componentes no curto prazo, o cenário de inflação ainda exige cautela. A combinação entre preços de alimentos, energia, serviços e riscos externos segue no radar do mercado e do Banco Central.
Com a alta esperada de 0,33% em junho, o IPCA-15 deve acumular avanço de 4,71% em 12 meses, segundo o Daycoval. Em maio, essa taxa estava em 4,64%.
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