Japão inaugura primeira escultura subaquática do país

Escultura de 45 toneladas cria habitat para vida marinhaReprodução/Prefeitura Japão

Uma impressionante escultura de mais de 45 toneladas instalada no fundo do mar está chamando a atenção de mergulhadores e ambientalistas no Japão. Batizada de Ocean Gaia, a obra é considerada a primeira escultura subaquática permanente do país e foi posicionada a cerca de cinco metros de profundidade na costa da ilha de Tokunoshima, no arquipélago de Amami.

Criada pelo artista britânico Jason deCaires Taylor, conhecido por seus museus submersos ao redor do mundo, a escultura retrata a modelo japonesa Kiko Mizuhara em uma pose serena, segurando o ventre de uma mulher grávida. Com 5,5 metros de largura, a obra simboliza a fertilidade, a renovação e a ligação entre os seres humanos e o oceano, considerado a origem da vida.

Mais do que uma intervenção artística, a estrutura foi projetada para servir como um recife artificial. Construída com cimento de pH neutro e aço inoxidável resistente ao ambiente marinho, a escultura possui aberturas estrategicamente distribuídas para permitir a ocupação por peixes, corais e outros organismos marinhos ao longo dos anos. A expectativa é que a obra se transforme gradualmente em um novo habitat para a biodiversidade local.

O desenho da peça foi inspirado tanto nos círculos geométricos criados pelo baiacu-de-pintas-brancas no fundo do mar quanto nas montanhas de Tokunoshima, cuja silhueta lembra o corpo de uma mulher grávida. A escolha do local também tem significado especial: a ilha é conhecida pela alta taxa de natalidade e pela grande quantidade de centenários entre seus habitantes.

Segundo o artista, a instalação busca fortalecer a conexão da população local com o mar e despertar o interesse das novas gerações pela cultura e pela natureza da região. Nas últimas décadas, muitos jovens deixaram a ilha em direção aos grandes centros urbanos, e a obra pretende funcionar como um símbolo de pertencimento e renovação.

Além do valor cultural, a iniciativa reforça uma tendência crescente de utilizar a arte como ferramenta de conservação ambiental. Ao atrair visitantes para áreas planejadas para mergulho e contemplação, projetos como o Ocean Gaia ajudam a reduzir a pressão sobre recifes naturais mais sensíveis, ao mesmo tempo em que promovem educação ambiental e turismo sustentável.

Instalada em outubro de 2025, a escultura deverá mudar de aparência ao longo dos próximos anos, à medida que for colonizada por organismos marinhos. Assim, a obra não será apenas observada, mas transformada pela própria natureza, tornando-se um exemplo vivo da relação entre arte e oceano.

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