O mercado de comunicação do Brasil consolidou sua posição de destaque e liderança entre os principais mercados globais no Cannes Lions 2026. Em uma tarde de forte movimentação nas salas de premiação do Palais des Festivals, as agências brasileiras garantiram mais um Grand Prix para o país nesta edição, além de dois Ouros, uma Prata e um Bronze divididos entre as frentes de Social & Creator e PR. Com essa nova leva de troféus, somada ao bloco divulgado no início do dia, nas categorias de Media e Creative Data, e aos resultados consolidados desde o início da semana — que incluem os dois Grand Prix históricos do Mercado Livre —, o Brasil dá um salto expressivo e chega à marca de 37 prêmios no acumulado da semana.

A consagração máxima do período veio na categoria de Social & Creator com o projeto “Could Have Been a Heineken”, desenvolvido para a Heineken pela LePub São Paulo em parceria com a LePub Milão. A ação, que desbancou mais de 2.000 inscrições globais, foi aclamada por usar os canais sociais não apenas como ferramentas digitais de tracking, mas como um motor para gerar conexões humanas tangíveis no ambiente físico.
O romeno Mihnea Gheorghiu, presidente do júri de Social & Creator, destacou em coletiva o peso comercial e a coragem por trás da escolha do case vencedor: “O júri esteve focado em celebrar trabalhos que possuem insights reais inseridos na cultura popular. Tivemos diante de nós, eu diria, o trabalho mais brilhante que já vi na minha vida. O que essa campanha traz é a essência do real-time marketing: uma resposta veloz aos comportamentos do mundo de hoje. Em um momento de profunda digitalização, esse projeto teve a coragem maluca de transformar a interação digital pura em catalisadora de interações humanas reais.”
A arrancada do Brasil nesta quarta-feira dá sequência direta ao excelente desempenho das marcas brasileiras na noite anterior, quando o grande destaque corporativo ficou por conta do Bradesco e de sua agência parceira, que conquistaram um cobiçado Leão de Ouro na categoria de Design. O prêmio sinaliza uma tendência acompanhada de perto pelo mercado de capitais: o uso do design estratégico e da identidade visual por grandes bancos como um ativo intangível crucial, uma ferramenta de negócios para gerar diferenciação competitiva, retenção de clientes e valor de marca tanto nos ecossistemas digitais quanto nas agências físicas, pavimentando o caminho para o recorde de troféus consolidado hoje.
De volta às premiações do dia, o Brasil demonstrou solidez com marcas de alto investimento em mídia. Em Social & Creator, a Wieden+Kennedy São Paulo garantiu o Leão de Ouro com a campanha “Uberlândia E.C.”, criada para a Uber, destacando a habilidade de engajar nichos culturais por meio de narrativas de forte impacto local. Outro destaque de Ouro foi a campanha “Chicken Screams for Coke”, cocriada pela VML São Paulo em parceria com a VML Nova York para a Coca-Cola, exemplificando a eficácia das sinergias entre escritórios globais para marcas multinacionais. Na mesma categoria, a Publicis Brasil levou uma Prata com a ação “Donate to Play”, desenvolvida para o Grupo Pulsa.
Na categoria de Relações Públicas, o Brasil cravou um Leão de Bronze com o projeto “Uncovering Racism”, desenvolvido pela AlmapBBDO São Paulo para o Sport Club Corinthians Paulista. O trabalho foi amplamente elogiado pela capacidade de utilizar as frentes de relações públicas corporativas para pautar temas de grande impacto social, fortalecendo a governança e o valor de marca institucional do clube.
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