Venezuela confirma 32 mortos e 700 feridos após terremotos

Terremoto atinge VenezuelaReprodução/redes sociais

Dois terremotos de magnitude 7,2 e 7,5 atingiram a Venezuela na noite de quarta-feira (24), derrubaram prédios em Caracas e em outras cidades e levaram o governo a decretar estado de emergência. O balanço oficial ainda é parcial: 32 mortos e 700 feridos. A projeção mais grave vem do Serviço Geológico dos Estados Unidos (USGS). O órgão afirma que há chance elevada de milhares de mortes e danos extensos. O sistema PAGER, usado para estimar o impacto de terremotos, aponta 39% de probabilidade de 1.000 a 10.000 mortes e 37% de probabilidade de 10.000 a 100.000 mortes.

Os tremores principais tiveram epicentros separados por apenas 5 km, segundo o USGS. O mais forte foi registrado na cidade venezuelana de El Guayabo, a 168 km de Caracas, a uma profundidade de 13 km. Foram os terremotos mais fortes registrados na Venezuela em mais de 100 anos. Pelo menos 20 réplicas foram sentidas nas horas seguintes.

A presidente interina da Venezuela, Delcy Rodríguez, disse em pronunciamento na televisão estatal que o número de vítimas ainda não inclui La Guaira, uma das regiões mais atingidas e onde fica o Aeroporto Internacional Simón Bolívar.

“Dezenas de edifícios desabaram e estamos realizando intensos esforços de resgate para salvar o máximo de vidas que Deus nos permitir”, afirmou Rodríguez.

Governo suspende aulas e fecha serviços não essenciais

Rodríguez anunciou a suspensão das aulas e de todos os serviços não essenciais para concentrar equipes públicas no resgate de pessoas presas sob escombros. Redes de gás e eletricidade foram desligadas para reduzir o risco de novas tragédias.

La Guaira Venezuela
Sin Palabras !!
Casi todo en el suelo pic.twitter.com/y0752sHwDx

— Alerta Mundial (@TuiteroSismico) June 25, 2026

O governo venezuelano informou que mobilizou equipes de resgate, segurança e assistência civil para as áreas mais atingidas. Hospitais da capital foram reforçados para receber feridos.

O Aeroporto Internacional Simón Bolívar, principal terminal aéreo do país, foi fechado após sofrer danos provocados pelos tremores.

Em Caracas, imagens mostraram equipes retirando pessoas feridas de prédios destruídos. Familiares procuravam informações sobre desaparecidos perto dos destroços.

O ministro do Interior, Diosdado Cabello, disse que “alguns prédios vieram abaixo” na capital e que casas também desabaram. Autoridades locais relataram quedas de estruturas em outras cidades.

No litoral, um hotel de pelo menos oito andares desabou. Imagens divulgadas nas redes sociais mostram o edifício destruído.

Cruz Vermelha diz que impacto total ainda é desconhecido

A Cruz Vermelha Venezuelana informou que as avaliações ainda são preliminares e que o impacto humano total não é conhecido. A entidade também relatou danos críticos em sua própria sede.

Terremoto atinge a VenezuelaReprodução/X

Segundo a organização, fortes réplicas seguem representando risco para moradores e equipes de resposta. A Cruz Vermelha disse que atua em buscas, evacuações e entrega de suprimentos.

A entidade também informou que há danos em infraestrutura de saúde, transporte público, residências e empresas em Caracas e em vários estados.

Um site criado para rastrear pessoas desaparecidas e divulgado por líderes da oposição venezuelana listava 7.381 desaparecidos por volta das 2h45 em Caracas. A Reuters informou que não conseguiu verificar os dados de forma independente.

Tremor foi sentido no Norte do Brasil

Os terremotos também foram sentidos no Norte do Brasil. Houve relatos de tremores em Belém, Manaus, Boa Vista e Macapá, além de outros municípios da região.

Em algumas cidades brasileiras, moradores deixaram prédios após sentir as estruturas balançarem.

Alertas de tsunami foram emitidos para ilhas do Caribe, mas depois foram retirados.

Países oferecem ajuda à Venezuela

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou que o Brasil avalia a situação em Caracas e ofereceu assistência para ajudar na recuperação dos afetados.

Governos de outros países da região também se manifestaram. Nayib Bukele, presidente de El Salvador, disse que 300 socorristas e paramédicos, além de 50 toneladas de equipamentos, medicamentos e suprimentos essenciais, estão prontos para seguir a Caracas.

O presidente da Argentina, Javier Milei, afirmou que o país acompanha a situação e está pronto para prestar auxílio humanitário. A presidente do México, Claudia Sheinbaum, disse que prepara apoio com pessoal especializado em resgate e atendimento médico.

A presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, publicou mensagem de solidariedade em espanhol. “Estamos com vocês”, escreveu.

Os Estados Unidos também informaram que mobilizaram uma equipe de assistência em desastres e uma força-tarefa para coordenar ajuda. O Departamento de Estado afirmou que serão enviados grupos de busca e resgate, suprimentos médicos e ajuda humanitária.

Venezuela fica em área de risco sísmico

A Venezuela está em uma região sismicamente ativa, onde a Placa do Caribe encontra a Placa Sul-Americana.

Caracas já havia sofrido um grande terremoto em 29 de julho de 1967. O tremor, de magnitude 6,6, deixou entre 225 e 300 mortos, segundo estimativas da época, e mais de 1.500 feridos.

O USGS também cita um terremoto de 1812 que teria causado destruição generalizada em Mérida e Caracas, com cerca de 30.000 mortos.

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