Takaichi com popularidade em queda e protestos em Okinawa

Primeira-Ministra do Japão em queda na popularidadeReprodução

Okinawa – O governo da primeira-ministra japonesa Sanae Takaichi registrou em junho o menor índice de popularidade desde o início de sua gestão, em outubro passado. Segundo pesquisa mensal da Jiji Press, o apoio ao gabinete caiu 5,1 pontos percentuais, atingindo 54,3%, enquanto a rejeição subiu para 22,2%.

A queda reflete o desgaste provocado por denúncias de que sua campanha teria utilizado vídeos difamatórios contra rivais políticos em eleições recentes. O cenário político tornou-se ainda mais tenso após a participação de Takaichi, na última segunda-feira, na cerimônia que marcou o 81º aniversário do fim da Batalha de Okinawa.

Durante o evento, que homenageia as cerca de 200 mil vítimas do conflito na Segunda Guerra Mundial, o discurso da primeira-ministra foi interrompido por vaias e gritos de “Não à guerra” e “Protejam a Constituição”. Manifestantes protestaram contra a política de defesa do governo central, que inclui a expansão de instalações militares na província, região que concentra grande parte das bases americanas no Japão.

Ao ser questionada sobre o episódio, Takaichi afirmou não ter ouvido claramente as manifestações. A premiê reiterou seu compromisso com a paz, mas defendeu o fortalecimento independente das capacidades de defesa do país, posicionamento que críticos e especialistas classificam como uma tendência militarista desalinhada com o sentimento pacifista da população local.

A tensão também marcou o encontro entre Takaichi e o governador de Okinawa, Denny Tamaki, que durou apenas cinco minutos. A visita ocorreu em um momento de inquietação regional, agravada pelo anúncio recente da instalação de novos sistemas de defesa antinavio e aérea pelos Estados Unidos na província.

Grupos locais, que já pediam a retratação da premiê sobre declarações relacionadas a Taiwan, intensificaram as críticas à gestão de Takaichi. Especialistas observam que a rejeição reflete um choque entre a diretriz política de revisão constitucional e os valores pacifistas consolidados no Japão pós-guerra, desafiando a estabilidade do gabinete em um momento de fragilidade nos índices de aprovação.

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